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Festival pernambuco nação cultural

No Sertão Central, cortejo levou cultura popular para Cedro

Dança de São Gonçalo, mazurca, trancelim, reisado, caretas e maracatu se encontraram sábado (1/6)

Por Maria Peixoto

Logo ao adentrarmos as ruazinhas de Cedro, fomos avistando de longe umas senhoras todas vestidas de rosa, com detalhes brilhantes, uns senhores de calça e camisa social, chapéu. Eles seguiam até a Praça da Matriz, onde se apresentariam dali a pouco. Um menino chegou e perguntou: “Mas vocês são o quê? Dançarinas de São Gonçalo, é?”. Disseram que sim, as visitantes de Verdejante. E eu sentei ali do lado de uma delas, Dona Eva Vieira, e comecei a puxar assunto. Ela começou a me explicar que aquela roupa tinha sido feita especialmente para essa apresentação, mas que a roupa de dançar o São Gonçalo de promessa é branca com chapéu de palha na cabeça.

“Viva São Gonçalo, viva!”, cantava o grupo de Verdejante (Foto: Rubem Lima)

“Viva São Gonçalo, viva!”, cantava o grupo de Verdejante (Foto: Rubem Lima)

Ela me contou que a dança era feita assim: “Você pede a São Gonçalo e se alcançar essa graça, você tem que fazer a festa. E alcança. Dependendo da sua fé, vai alcançar a graça”. Graça alcançada, elas partem em busca de esmolas na cidade pra conseguir custear a festa: “Lá a gente faz festa, faz muita comida. Pede a esmola ao povo, o povo dá com prazer. É uma festança,  é muito bonito. São 24 rodas de São Gonçalo”.

Dona Eva, de 56 anos, disse que tem oito parafusos nas costas, mas continua dançando, porque ela e sua irmã “ficaram com essa penitência” depois que sua mãe morreu. “Dona Laura foi a primeira que fez o São Gonçalo, lá no Sítio Quixabeirinha. Quando ela morreu, mamãe ficou fazendo em Verdejante”, conta.

“O que você quiser na sua vida, se você pedir e esperar, você vai alcançar”, garantiu Dona Eva, que também é rezadeira. Um dia, ela estava deitada ao lado da sua mãe e ela começou a aboiar. Eva ficou toda arrepiada e foi na casa da rezadeira chamá-la, mas ela disse pra a própria menina de 12 anos rezar a mãe. “Eu rezei, mamãe começou a amansar. Eu num sei o que é que eu tinha , que ela me aceitou do lado dela”, disse Dona Eva. Ela disse que tinha sido “umas criação” (de gado) que a mãe tinha, que o povo não queria que ela criasse solto.

Dona Eva, que junto com os outros idosos ali presentes, no sábado (1/6), fazem parte do grupo da terceira idade, de Verdejante, também apresentaram o trancelim e a mazurca.

Ainda na Praça da Matriz, foi a vez de chegarem os Caretas de Verdejante, que fizeram a malhação de Judas.

Caretas de Verdejante (Foto: Rubem Lima)

Caretas de Verdejante (Foto: Rubem Lima)

Depois se apresentou o Reisado de São José do Belmonte, do mestre João Cícero, de 78 anos. Ele, junto a dois filhos e dez netos, cantava: “Na Pedra do Reino tem uma pedra falante que o povo anda dizendo que ela vai dar sinal”.

“Ô de casa, ô de fora. Maria, vá ver quem é. Somos cantador de reis” (Foto:Rubem Lima)

“Ô de casa, ô de fora. Maria, vá ver quem é. Somos cantador de reis” (Foto:Rubem Lima)

Seu João Cícero me contou que fez uma cirurgia recentemente, mas isso não lhe impediu de fazer a dança melhor até do que seus netos: se abaixava, se levantava, com uma desenvoltura de dar gosto. “Se fosse pra brincar umas 30 peças, 40, eu brincava. Eu sei muita peça na minha cabeça”, disse entusiasmado. Ele contou que começou aos 10 anos, junto com seus avós e que sempre tinha dançado bem: “O que o mestre fazia, eu fazia melhor”. Seu Cícero contou que está muito satisfeito em fazer o que faz: “Em todo canto que manda me chamar eu brinco, porque eu adoro brincar”, disse ele ao fim da apresentação.

No fim do cortejo, o Maracatu de Baque Virado Nação Salgueirense desfilou pelas ruas da cidade animando a todos, que saíam de suas casas, fotografavam, enquanto outros acompanhavam o desfile. O grupo, que se apresentou junto à Cia de Dança Pisada do Sertão, foi do maracatu ao coco, passando pela ciranda.

Maracatu de Baque Solto Salgueirense (Foto: Rubem Lima)

Maracatu de Baque Solto Salgueirense (Foto: Rubem Lima)

Mais tarde, o forró movimentou os moradores de Cedro, com show das bandas Paulo Pedro e os vaqueiros do forró, Rose Rangel e Novinho do Acordeon.

À noite, os moradores de Cedro caíram no forró (Foto: Rubem Lima)

À noite, os moradores de Cedro caíram no forró (Foto: Rubem Lima)

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