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Pelos olhos de dentro

Último texto da série “Curumins Modernos” fala sobre a ligação dos jovens Xukurus com o audiovisual

Luidson, David e Lucas Rafael fazem parte do Orurubá Filmes. Fotos: Chico Ludermir/Secult-PE

Luidson, David e Lucas Rafael fazem parte do Orurubá Filmes. Fotos: Chico Ludermir/Secult-PE

Por Chico Ludermir

Em 2008, nasceu a Ororubá Filmes. O coletivo, hoje composto por quatro jovens, propõe uma representação do povo Xukuru pelos olhos de dentro, de quem vive e conhece a realidade das aldeias. Ora documentando os rituais sagrados e assembleias, ora propondo documentários sobre temas caros à comunidade indígena, o grupo traz a possibilidade de uma produção independente da mídia externa.

“Através dos nossos vídeos, podemos perpetuar nossa cultura e ainda divulgar o que achamos interessante. A gente agora tem a possibilidade de registrar e, ao mesmo tempo, nos fortalecer”, afirma David Rian Araújo, 19 anos. É ele quem compartilha este vídeo postado no Facebook: http://www.youtube.com/watch?v=JXTS0U5dDrM

A ideia do grupo surgiu da observação de outros coletivos que vinham à comunidade para fazer vídeos. Reunidos, decidiram escrever um projeto para receber aulas, que foram dadas pela produtora Cabra Quente Filmes.

“Filmavam muito a gente, mas nunca tínhamos acesso a essas imagens. Agora estamos formando nosso próprio arquivo”, afirma Dona Zenilda, matriarca do povo. Segundo ela, a Orurubá Filmes é também uma forma de despertar o jovem. “É um prazer poder registrar nossos momentos com eles. É um processo formativo e uma forma de proporcionar o contato deles com a nossa cultura”, completa a índia.

Muito dos vídeos feitos já estão sendo usados como material didático nas escolas indígenas da região. Um deles é sobre o cacique Chicão; outro, sobre a criminalização do povo Xukuru, tema atual que concerne à juventude.

Cinco anos depois, a semente já está consolidada. Com a câmera na mão e diversos vídeos feitos, os meninos querem seguir em frente, mas sem se desligar das suas origens.

“Eu pretendo me especializar mais, sem me distanciar do meu povo. Quero continuar retratando a minha realidade”, afirma David Rian, que também edita e opera o som. O audiovisual é uma ferramenta importante na luta permanente de libertação do nosso povo”, completa.

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