Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Festival pernambuco nação cultural

Picadeiro Pernambucano alegra Manari

Chico Ludermir

Mágico Mr Brainer tirando pombo da cartola (Foto: Roberta Guimarães)

Mágico Mr Brainer tirando pombo da cartola (Foto: Roberta Guimarães)

Era o final de mais um dia de feira em Manari, como em todas as quintas na cidade. Barracas de frutas e verduras estavam sendo recolhidas ao mesmo tempo em que, no centro da Praça Nossa Senhora da Conceição, se improvisava um picadeiro. O tapete vermelho era o palco, o céu azul do sertão substituía a lona. E antes mesmo de terminada a montagem, mais de uma centena de moradores já se agitavam em expectativa.

Enquanto as crianças brincavam energicamente nas gangorras e escorregos do parquinho, numa casa ao lado, camarim por um dia, os artistas circenses encarnavam seus personagens. Palhaços se maquiando com um espelhinho de bolso, contorcionista se alongando, malabarista, mágico se aprontando para entrar em cena.

Com entusiasmo, o apresentador Williams Santana abre o espetáculo “Picadeiro Pernambuco, a tradição milenar” convidando a primeira atração: Anderson Santana com o número bola de contato, que escorregava por todo o seu corpo e deslizava com habilidade pelas suas mãos. Nessa hora todo mundo já estava bem mais junto, espremidos ao redor do tapete, que demarcava tenuemente o limite entre palco e plateia.

Com o andarzinho rápido e com pés afastados, entra o palhaço Charles Chaplin. Todo de preto e branco e com bigode pintado, retira de sua mala uma boneca mole, que ele joga para um lado e para o outro. A boneca aos poucos ganha vida. É uma menininha de 10 anos que já se contorce como gente grande. Bem menos descontraído foi o número de Jeferson, o atirador de facas. Até com venda ele arremessou em direção à sua assistente. Estourou uma bexiga no meio das pernas da moça, que tentava parecer descontraída.

O palhaço Pinóquio partiu em busca de uma pretendente. “Qual moça solteira que não deseja um beijo na minha boca?”, perguntava, tirando sarro e arrancando risos. Ele mesmo acabou melando um menino com creme de barbear, molhando a plateia com borrifador e formou uma banda com instrumentos imaginários.

Palhaço Pinóquio faz menina tocar guitarra imaginária (Foto: Roberta Guimarães)

Palhaço Pinóquio faz menina tocar guitarra imaginária (Foto: Roberta Guimarães)

Em seguida entraram o malabarista, a contorcionista com arco de ferro e até o ventríloquo Fuzaca, debochando de tudo. O mágico Mr Brainer tirou moeda das orelhas das crianças e pombo de dentro da cartola. Última atração, o show de pirofagia iluminou o começo de noite. Jeferson engoliu e cuspiu fogo e ficou na lembrança das crianças. Bruna, Carlinhos, José e Mateus adoraram o homem do fogo. “Foi o que a gente mais gostou”, contaram. Já Dona Adalgisa Francisco de 78 anos não sabia nem o que escolher. “É tanta coisa tão bonita que eu não sei nem dizer qual eu mais gostei”, conta ela, que viu o espetáculo da porta de sua casa.

De volta ao camarim, dava para sentir o cansaço satisfeito. “A recepção foi ótima, o pessoal gostou muito das mágicas e de todos os números. A cidadezinha é simples e bem aconchegante. A gente sai levando a vontade de voltar”, contou Heitor Brainer, o Mr Brainer. “Foi uma grande surpresa. A gente nunca tinha vindo aqui e o público foi supercaloroso e feliz. Acabamos até espichando um pouco o espetáculo”, disse Williams que, além de apresentar, também dirige o espetáculo, organizado pelo centro Carcará, do qual é presidente.

O projeto Picadeiro Pernambuco junta artistas tradicionais de vários circos pernambucanos. “É um forma de valorizar essa linguagem e manter a tradição. Esse projeto está proporcionando encontros entre colegas que nasceram no circo mas nunca tinham dividido o mesmo picadeiro” o diretor do espetáculo. O Picadeiro Pernambuco também se apresenta no Festival Pernambuco Nação Cultural do Sertão Central.

< voltar para home