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Festival pernambuco nação cultural

Poetas levam palavras encantadas para as ruas de Arcoverde

Iniciativa, batizada de A Gente da Palavra, leva para as pessoas poesia gratuita de casa em casa

Costa Neto/Fundarpe

Costa Neto/Fundarpe

Três poetas pernambucanos circularam pelas ruas de Arcoverde levando poesia para os moradores da cidade

Já imaginou estar em casa de bobeira e uma pessoa bater na sua porta perguntando se você quer ouvir um pouco de poesia¿ É isso que propõe a ação A Gente da Palavra, da coordenadoria de Literatura da Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE) e Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), uma das atividades do Festival Pernambuco Nação Cultural Sertão do Moxotó, realizado em Arcoverde. Nesta sexta-feira (10), três poetas pernambucanos caminharam pelas ruas do bairro de Cohab I, pela manhã, e em São Miguel, à tarde, declamando poesias gratuitas pra quem passasse pelo caminho.

Logo no início do trajeto, o grupo de poetas formado por Joy Carlu, de Moreno, e Edilza Vasconcelos e Ícaro Tenório, se deparou com mais de 40 alunos da Escola Estadual Lions Antônio Moreno, que ouviram atentamente a cada palavra encantada jogada no ar em forma de verso. “Pra mim foi uma grata surpresa. Quando vi a Edilza, que é uma poeta conhecida na região, fui procurar saber o que era. Ao saber da intenção, trouxe os alunos pra fora da escola, porque é preciso que as crianças tenham acesso a mais coisas como essas. Que bom que foi dada essa oportunidade pra gente”, comemora Glorinha, uma das professoras da escola.

Costa Neto/Fundarpe

“Do mesmo jeito que existe o agente de saúde, nós somos os agentes da palavra, Nosso papel é levar poesia para as pessoas”, brinca Edilza Vasconcelos, que ao lado de Joy Carlu e Ícaro Tenório declamou poemas autorais e de nomes como Rubens Alcides, Caio Menezes e Amanda Lopes, esta última integrante do Samba de Coco Irmãs Lopes, um grupo de tradição e riqueza cultural da região.

Alguns detalhes foram bem mágicos durante o trajeto dos poetas, que paravam cada pessoa na rua, de porta em porta, e oferecia de bom grado aquela prosa gostosa de se ouvir. Um deles foi a presença, improvisada e espontânea, de uma dupla de argentinos que seguiu o cortejo com uma viola e uma escaleta. Teve também a passagem pelo museu do Samba de Coco das Irmãs Lopes, o qual a poeta arcoverdense Amanda Lopes faz parte. A outra foi a parada na residência de uma rezadeira conhecida como Dona Maria Julia, de 86 anos, uma senhora firma na fé e de sorriso fácil. Mais uma momento pra declamação de poesia, desta vez com uma palhinha no final de Dona Maria Julia com seu realejo a tocar canções em homenagem a Padre Cícero e de Luiz Gonzaga.

Segundo Ícaro Tenónio, que pela quarta vez participava da ação A Gente da Palavra, há um senso comum de que a poesia não é algo de gosto popular, e durante a iniciativa isso fica provado que está errado. “O que eu acho mais interessante é que quando eu vou dizer pras pessoas o que a gente vai fazer elas acham isso bem legal. Normalmente são pessoas que não tem acesso. É raro quem não quer escutar poesia. Pra gente é sempre curioso, porque achamos que as pessoas não gostam de poesia, mas isso é mentira”, revela o poeta arcoverdense.

 

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