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Quando a sanfona de 8 Baixos ainda teima em tocar

Ontem (12/11), no I Encontro de sanfonas de 8 Baixos, grandes nomes do instrumento tocaram na Fazenda Araripe prestando homenagem ao fole que está cada vez mais raro.

Zé Calixto e Leo Rugero tocando a sanfona que foi do Mestre Lua na Exposição 100 anos de Gonzagão. Foto: Costa Neto

Zé Calixto e Leo Rugero tocando a sanfona que foi do Mestre Lua na Exposição 100 anos de Gonzagão. Foto: Costa Neto

O primeiro instrumento tocado pelo Rei do Baião, aquele que seu pai, Januário tocava e era famoso por consertar e afinar, aquele de músicos clássicos no Sertão como Geraldo Correia, Abdias, Pedro Sertanejo, Negrão dos 8 Baixos, Zé do X, a sanfona de 8 Baixos está se tornando rara aqui no Araripe.

O músico e pesquisador Leo Rugero, que lançou ontem (12/12), no Exu o livro e filme homônimos, “Com respeito aos 8 Baixos” resolveu tocar “nessa ferida”, como ele mesmo diz. “Eu percebi que esse instrumento era muito querido, ocupava um rol de significância e isso foi se perdendo, a partir da década de 1980 essa tradição foi se esvaindo”, conta. Carioca e pianista, Leo conheceu o tocador de 8 baixos paraibano, Zé Calixto e se apaixonou pelo instrumento. “Ele toca músicas impossíveis de serem tocadas numa sanfona de 8 Baixos. Fiquei estarrecido com o virtuosismo, com o repertório, que incluía choro, frevo, um repertório todo instrumental”, conta do encontro musical que começou quando ele ouviu um disco de Zé e se aprofundou ainda mais quando eles, de fato se encontraram. “O que eu achei que seria apenas mais uma entrevista se transformou num deslumbramento com o instrumento e no início de uma grande amizade”, conta.

Rugero resolveu inserir o tema na academia, escrevendo pela primeira vez um artigo sobre o instrumento: “A sanfona de 8 Baixos e a música instrumental”. Ele conta que não só Zé Calixto foi morar no Rio, como vários outros músicos nordestinos fizeram o mesmo percurso ativando uma cena da sanfona de 8 Baixos na cidade maravilhosa, na década de 1970. Com seu trabalho, o carioca espera  “mais do que preservar, difundir e ampliar, revalorizar a sanfona de 8 Baixos”.  “Eu já tinha experiência com a música nordestina, com a música armorial, com Hermeto Pascal, com o trabalho de Guerra Peixe sobre o folclore daqui. Mas a sanfona de 8 Baixos me colocou em contato com a alma, com o cerne dessa experiência musical. E foi um desafio porque não era o meu mundo. Hoje eu me sinto integrado, como se de alguma forma eu tivesse fazendo parte dele”, finaliza.

Os lançamentos fizeram parte do I Encontro de sanfona de 8 Baixos que também contou com a apresentação de grandes nomes como Zé e Luizinho Calixto e Bilinho dos 8 Baixos.

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