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Festival pernambuco nação cultural

Quilombo Abelha em tarde de festa com o FPNC Sertão do Pajeú

Espetáculo de mamulengos da Tropa do Balacobaco (Foto: Costa Neto)

Espetáculo de mamulengos da Tropa do Balacobaco (Foto: Costa Neto)

Público assistindo ao espetáculo na comunidade quilombola (Foto: Costa Neto)

Público assistindo ao espetáculo na comunidade quilombola (Foto: Costa Neto)

A comunidade recebeu culminância de oficina e apresentação de pífano e coco no último sábado (28/7), durante o festival

Por Chico Ludermir

“Antigamente o povo era mais corajoso. Enfrentavam o plantio da mandioca, construía casa de farinha… Era tudo vereda e todo mundo ia de boi para tirar madeira para as construções”, contou Sr. Sebastião Gonçalo da Silva, 76 anos, morador da comunidade quilombola Abelha, em Carnaíba (PE). A lembrança, que Sebastião conta muito bem, serviu de mote para a peça apresentada no sábado (28/7) como resultado da oficina de teatro realizada no quilombo pelo Festival Pernambuco Nação Cultural do Sertão do Pajeú. Além do espetáculo, a tarde também  teatro de mamulengos e grupos de coco e pífano.

Um grupo formado por seis meninos da região reencenou a história da qual eles fazem parte, utilizando as técnicas aprendidas durante os dois dias com o professor Romualdo Freitas, da Associação Cultural Tropa do Balacobaco, da cidade de Arcoverde. “Foi uma experiência muito boa. Aprendemos teatro ao mesmo tempo em que refletimos sobre as nossas raízes”, afirmou Edna de Andrade, 22 anos. Neta de Sebastião, ela já tinha ouvido seu avô lhe contar outras recordações dos seus tempos de menino.

Depois de uma apresentação do espetáculo de mamulengos “Vade retro Satanás”, também da Tropa do Balacobaco, subiu ao palco uma banda de pífano que já vem na família de Seu Dezinho há mais de 120 anos. A Raízes do Caruá, composta por dois pífanos, uma zabumba, um caixa e um prato, tocou baião, marchinha e alvorada durante quase uma hora.

Quando já era noite, se apresentaram os grupos de Coco de Roda do Sítio Abelha – do qual Sebastião é o cantor e Edna, dançarina – e o Coco de Negros e Negras do Quilombo Leitão da Carapuça. Com uma pisada diferente das dos cocos do litoral, o trupé dos dançarinos fazia a marcação da música, complementando o som do pandeiro.

Ao final da festa, a coordenadora de Povos Tradicionais da Secretaria de Cultura do Estado, Érica Nascimento, estava satisfeita. “Já vínhamos fazendo essa articulação no sentido de incentivar o samba de coco da região e conseguimos fazer desse momento um encontro de brincadeiras das comunidades da região. Mais uma vez o festival vem chegando aonde não chegava e é o festival que recebe dos quilombolas”, afirmou Erica, de um lado, enquanto do outro, Sr. Sebastião concordava: “Estou muito feliz e emocionado ao lado de tanto gente boa. Chega tou suspenso”.

Pimenta Embolador e Sebastião Gonçalo no quilombo (Foto: Costa Neto)

Pimenta Embolador e Sebastião Gonçalo no quilombo (Foto: Costa Neto)

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