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Reflexões sobre o cinema pernambucano

Por Raquel Holanda

Encerrando as ações da Coordenadoria de Audiovisual no FPNC de Caruaru, foi realizado na noite deste sábado (19/5) um debate sobre a “Produção audiovisual no Brasil e em Pernambuco – oportunidades e perspectivas”. O encontro aconteceu na Casa da Cultura da cidade e teve início com a exibição dos curtas pernambucanos “Texas Hotel”, de Cláudio Assis; “Cinema americano”, de Taciano Valério; e “Elisa”, de Alice Gouveia. Logo após a exibição, o público presente foi convidado para discutir, juntos com os realizadores e o produtor de elenco/ator Rutílio Oliveira,a temática do encontro da noite.

Alice Gouveia, Rutílio Oliveira, Carla Francine, Taciano Valério e Cláudio Assis durante o debate (Foto: Clara Gouvêa)

Alice Gouveia, Rutílio Oliveira, Carla Francine, Taciano Valério e Cláudio Assis durante o debate (Foto: Clara Gouvêa)

Mediando o encontro, a coordenadora de Audiovisual da Secult Carla Francine começou o debate fazendo um panorama da trajetória recente da produção audiovisual no País, ressaltando que uma das grandes barreiras enfrentadas pelo setor é a distribuição. “Um dos gargalos do audiovisual brasileiro é a distribuição, se pensarmos que somente no ano passado foram produzidos cerca de 85 filmes e nem metade deles conseguiu chegar aos cinemas do País. Vemos em número nossa realidade”, comentou.

O cineasta paraibano Taciano Valério ressaltou que a descentralização da produção também é algo que dificulta o acesso às obras cinematográficas recente. Para o cineasta, que há quatro anos escolheu Caruaru como moradia, hoje se vive a irrealidade de uma produção cinematográfica. “Se tem e não tem uma produção cinematográfica. Com a descentralização da produção, temos bons profissionais, mas falta conhecimento desse trabalho”, falou Taciano, ao reforçar a dificuldade do reconhecimento de quem fica fora dos circuitos da indústria cinematográfica brasileira.

Embora as dificuldades enfrentadas pelos realizadores pernambucanos sejam muitas, Rutílio Oliveira acredita que “o fundamental da arte é renovar”. E acrescentou: “Nós aqui (de Pernambuco) estamos realizando. Alguns reflexos desse desenvolvimento é o fomento a realização que parte desde a criação de cursos de cinema no Recife até o aumento do incentivo para a produção”, reforçou o produtor de elenco. Ele disse que esse aprimoramento do audiovisual no estado é decorrente da perseverança dos realizadores locais.

O aumento significativo da produção pernambucana na última década fez com que o estado despontasse no cenário cinematográfico, e segundo a professora e cineasta Alice Gouveia, isso torna o cinema feito no estado algo múltiplo. “Muitas coisas aqui estão borbulhando de uma maneira muito interessante”, concluiu. A realizadora do curta “Elisa” ainda comentou que o crescimento da produção local está relacionada à procura de especialização por parte dos profissionais da área.

A busca pela profissionalização foi o assunto que o caruaruense Cláudio Assis abordou no início de sua fala. “Era aqui nessa sala que estamos agora que há anos atrás eu ensaiava quando era ator. Foi em Caruaru que comecei a me envolver com cineclube e depois de um tempo parti para o Recife”, contou o cineasta enquanto reforçava a necessidade do artista ir sempre adiante com suas ideias para tornar real seus planos. E como suas posições sempre incitam uma certa polêmica, Cláudio Assis soltou uma de suas respostas, ao ser indagado sobre seu estilo de fazer cinema: “Eu faço o cinema que eu quero fazer, sem abrir concessão a ninguém. Por isso, não me comparem com outros, apenas comigo mesmo. Já que eu não inventei o cinema, eu faço o filme do meu jeito”, disse.

O debate chegou ao fim pouco mais de nove da noite, deixando para os amantes e profissionais do audiovisual de Caruaru a incitação para continuar a produção de cinema e a busca por um constante aperfeiçoamento nas técnicas de produção.

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