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Rezadeiras e Benzedeiras debatem a religiosidade em Cedro

O encontro aconteceu no salão paroquial da Igreja Matriz da cidade, durante a programação do FPNC Sertão Central

Por Roberto Moraes Filho

Dos representantes, que em sua maioria são mulheres, o Seu Geraldo se destaca por ser conhecido há mais de 30 anos como um curador na comunidade de São Gonçalo. Ao abrir a roda de diálogos, disse que atribui o poder de sua fé como uma fórmula capaz de transmitir a paz interior para quem sofre algum tipo de doença. “Quem chega triste até mim, costuma sair alegre de minha casa. Aprendi a interceder com orações através de meu sogro e quero que o trabalho seja levado adiante por outros parentes”, declarou.

Seu Geraldo e os outros participantes do encontro compartilharam experiências que demonstraram que o rezar e o benzer costumam influenciar na maneira como comunidades carentes de atendimento médico encontram nestes praticantes o caminho da cura para enfermidades.

Costa Neto

Costa Neto

Encontro foi marcado por relatos sobre como a fé pode curar e ajudar em procedimentos médicos

Como o ofício geralmente segue de geração em geração, especialmente quando existe um praticante na família, Dona Deuzuita, que começou a ser rezadeira em Cedro ainda adolescente, transferiu para a filha Izenda, nascida surda-muda, os seus conhecimentos. Hoje, aos 37 anos, Izenda possui o mesmo ofício. “Desde quando ela era criança, tinha um jeito diferente de ir buscar o que queria e sempre acreditei que ela também seria rezadeira, mesmo com suas limitações. Passei a ensinar as orações e ela é bastante procurada na comunidade onde moramos”, afirmou a mãe emocionada.

Maria Pereira de Souza começou a ser rezadeira aos 23 anos e hoje é mãe de 4 filhos, todos nascidos em partos realizados na própria casa, com a ajuda de parteiras e rezadeiras. Para ela,  o poder da fé precisa ser mantido não apenas como um legado, mas sim, pela necessidade de cada comunidade onde existe a atuação e a confiança dos moradores nos seus praticantes religiosos. “A tradição deve ser perpetuada sempre que o curador idoso não possa mais levar a profissão adiante”, ressaltou.

Costa Neto

Costa Neto

Izenda, rezadeira, praticando o ofício durante o encontro.

Ao final do encontro, foi realizada uma encenação com a Oração da Imaculada Conceição, reza geralmente feita durante velórios. De acordo com a tradição, a oração serve para que o finado seja recebido em paz no novo plano espiritual. Em seguida, o encontro percorreu um cortejo até a comunidade de São Gonçalo, onde aconteceu um momento dedicado a bênçãos do público presente.

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