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Festival pernambuco nação cultural

Sangue agrestino

Entrevista com Otto

Por Raquel Holanda

Uma das principais atrações do FPNC de Caruaru foi o cantor Otto. Natural de Belo Jardim, no Agreste pernambucano, o músico começou seu caminho no cenário musical dos anos 1990, quando integrou bandas como Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. Em 1998, deixou de lado a percussão e partiu para a carreira solo, numa trajetória de bons trabalhos e reconhecimento da crítica e do público. Nos bastidores do seu primeiro show em Caruaru, Otto conversou com o fpnc.org e, em meio ao entusiasmo de deixar o palco visto por conterrâneos e familiares, o belo-jardinense revelou a emoção de tocar na sua região de origem.

Otto durante apresentação no FPNC de Caruaru (Foto: Clara Gouvêa)

Otto durante apresentação no FPNC de Caruaru (Foto: Clara Gouvêa)

FPNC.org – Otto, esta foi sua primeira apresentação em Caruaru. Por você ser da região do Agreste, isso tornou sua apresentação diferente?
Otto – Cara, foi importante, porque eu sempre digo duas coisas: eu sou agrestino e tenho duas cidades. Uma é Belo Jardim, onde eu nasci, onde minha família veio de Brejo. Mas eu nasci aqui (Caruaru), porque lá não tinha maternidade. Então, eu sou um caruaruense astrologicamente e juridicamente – as coisas, a minha família – sou de Belo Jardim. Eu me sinto duplamente honrado por estar aqui no Agreste, de ver as pessoas cantando as minhas músicas, são os meus conterrâneos. O que prezo com o meu trabalho é representar a minha região musicalmente, culturalmente, intelectualmente e eu estou aqui na minha fonte, na região onde eu vi as coisas até certa idade na minha vida. Então, é uma honra estar em Caruaru, que além de ser a Capital do Forró, é uma cidade culturalmente muito rica, ela é muito importante como um elo de todos os interiores que dão aqui em Caruaru. É o desenvolvimento do Agreste, a terra do cordel. É uma satisfação saber que minha música está chegando aqui, tem um público que canta junto. Estar nos 155 anos de Caruaru e no Festival Pernambuco Nação Cultural, que é uma iniciativa do Governo de trazer música pros interiores… Eu acho que isso tem que se repetir, tem que trazer a música pra rua, as pessoas de Pernambuco que estão batalhando, que disputam no Brasil seu espaço. E isso é Pernambuco. Eu evoco a minha terra, eu sou um representante dela, as pessoas aí eu quero que tenham orgulho do show que elas viram, de eu ser uma pessoa que representa elas.

FPNC.org – São mais de 20 anos de carreira já tendo realizado shows em várias cidades e países. Como se sente ao demorar tanto tempo para se apresentar em Caruaru, como você mesmo disse, sua terra natal?
Otto – Tudo tem a sua hora, tem sempre a hora certa para as coisas e a minha hora para Caruaru é essa. Eu estou novo, relativamente novo, e a hora é a que tem que ser.

FPNC.org – Fazer um show onde sua família está em maior número distingue esse show dos demais?
Otto – É muito melhor tocar para eles. E tocar aqui já facilita, pois eles não precisaram dirigir até o Recife; eles estão a 70 km daqui e vão dormir na minha casa antiga em Belo Jardim. Eu fico muito feliz, é união, é minha região.

 

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