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Festival pernambuco nação cultural

Shows para o Velho Lua emocionaram artistas e público

O arcoverdense Paulinho Leite chegou a chorar na noite de quinta (Foto: Ricardo Moura)

O arcoverdense Paulinho Leite chegou a chorar na noite de quinta (Foto: Ricardo Moura)

Tonino, Pariceiros, Paulinho e Joquinha soltaram a voz para o Rei do Baião

Por Cirlene Leite

A edição 2012 do Festival Pernambuco Nação Cultural terá sempre shows em comemoração ao centenário de nascimento de Luiz Gonzaga, e no Sertão do Moxotó não poderia ser diferente. Mesmo apresentando um estilo diferente do Rei do Baião, o cantor e compositor Tonino Arcoverde abriu a noite de atrações do palco principal nesta quinta-feira (12/4), incluindo no repertório a música “O fole roncou”, que agradou em cheio o público da Praça Virgínia Guerra, no Centro de Arcoverde.

Com 30 anos de estrada e passagens pelo eixo Rio/São Paulo, onde se apresentava com Rolando Boldrim no programa dominical Som Brasil, da Rede Globo, nos anos 1980, Tonino fez até uma música para lembrar o Velho Lua e também o próprio pai, seu Moisés, que na letra do filho assume o personagem Cabileira, soldado da volante que perseguiu Lampião.“Gonzaga e Cabileira, Virgulino cangaceiro, chapéu de couro e perneira, armadura de vaqueiro”, dizia um dos trechos da música.

O show alegre foi aos poucos atraindo o público, que a essas alturas começava a esquentar a noite fria, própria do Moxotó, que, aliás, recebe o Festival Pernambuco Nação Cultural pela primeira vez na região. “Esse festival veio dar uma levantada na cena musical, principalmente nas cidades vizinhas daqui de Arcoverde. A descentralização abre espaço para mostrar o que está escondido”, comemorou o cantor.

 

Pariceiros
“Com traços de forró elegante/ Repertório de primeira categoria/ O Pariceiros armará sua tenda de xote, baião e poesia”. Foi com estes versos que o líder dos Pariceiros, George Silva, abriu o show do grupo e cumpriu o prometido: muito forró em homenagem a Luiz Gonzaga.

Intercalando declamação de poesias com músicas, o repertório incluiu “Respeita Januário”, “Adeus Iracema”,“Estrada de Canindé”, “Derramaram o gás” e tantos outros sucessos de Gonzagão que fez o público até perder as contas. “Eu acho que foram mais de 20”, tentava contar nos dedos o morador de Arcoverde, José de Souza Sobrinho, animado com o show dos Pariceiros.

O nome do grupo foi uma homenagem à avó do crooner, que costumava responder assim a quem lhe perguntasse onde estava o neto: “Ta lá na praça, junto com os pariceiro dele”. E a palavra pariceiro, no linguajar sertanejo, quer dizer mesmo isso: pessoas com afinidades, parecidas, parceiras, amigos bagunceiros. E podemos acrescentar mais um adjetivo a esta lista: displicente! “Vixe Maria, agora que o show acabou me dei conta de que esqueci de recitar um verso que fiz para Luiz Gonzaga”, gritou George Silva, entre risos e com as mãos na cabeça. Depois do gesto, tirou do bolso um pedacinho de papel escrito à mão, declamando já fora do palco e longe do público os seguintes versos: “Luiz Gonzaga cantou tudo, do Litoral até o Sertão/ Cantando valsa, xote e xaxado,/ merengue, coco e baião,/ Formando um acervo bonito/ de sanfona, amizade e canção”.

 

Paulinho Leite
O cantor Paulinho Leite foi o terceiro a se apresentar na noite em homenagem a Luiz Gonzaga, no palco do FPNC, em Arcoverde. Estava em casa, sua terra natal. Tão à vontade que chegou a contar passagens da sua vida na cidade, dos amigos, do colégio onde estudou e foi logo “atacando” de Gilberto Gil, com “Refavela” em ritmo de forró, o que lhe rendeu aplausos dos conterrâneos.

O forrozeiro presenteou o público com um belo show, prestou sua homenagem ao Rei do Baião e soltou a voz com talento e domínio completo do palco. No final, o público pediu bis e foi atendido. Para surpresa de todos, apenas voz e violão encerraram o show mais aplaudido da noite. Paulinho Leite saiu emocionado e até chorou – não se sabe se pela acolhida que recebeu em sua terra ou se pela bela apresentação de João Neto e seu violão, músico de Garanhuns, que acompanhou o cantor. Uma parceria perfeita na interpretação de “Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor”, de Zé Ramalho e Otacílio Batista, e “Riacho do mel”,que compôs em parceria com Tonino Arcoverde, falando das saudades que sente das águas limpas do riacho da sua infância na cidade. “É sempre muito bom cantar em Arcoverde. Revigora. E esse festival é uma oportunidade para o artista mostrar seu trabalho na própria terra. Ele não precisa se deslocar, o festival vai até ele”, disse.

 

Joquinha Gonzaga

Joquinha Gonzaga fechou a noite, honrando o nome do tio (Foto: Ricardo Moura)

Joquinha Gonzaga fechou a noite, honrando o nome do tio (Foto: Ricardo Moura)

Já passava da meia noite, quando Joquinha Gonzaga começou seu show dedicado, de cabo a rabo, ao centenário do tio. Ele é filho de Raimunda Januária, mais conhecida como Dona Muniz, irmã de Luiz Gonzaga que faleceu em fevereiro do ano passado. Joquinha nasceu e se criou no Rio de Janeiro e só passou a morar em Exu depois da morte do Rei do Baião. Com a sanfona de 120 baixos, igual a do tio, Joquinha é tão parecido com ele que chega a confundir. Tem os trejeitos, o mesmo jeito de cantar, o mesmo chapéu de couro. Só faltou o gibão!

“Meu tio foi que me ensinou tudo que sei de sanfona e até a cantar. Ele dizia que sanfoneiro sem cantar não tinha futuro”, relembra. E no palco, então, foi que ele se soltou. O público, até pela semelhança entre sobrinho e tio, não parou de dançar. “Hoje eu sei o quanto foi importante a minha convivência com Luiz Gonzaga. A cada puxada de fole é uma homenagem que faço a ele, está tudo registrado na minha memória. Sinto muitas saudades dele”.

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