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Festival pernambuco nação cultural

Sobre sede, poder e palhaços

A estética do clown se alia ao teatro crítico de Beckett na montagem do Magiluth (Foto:Ricardo Moura)

A estética do clown se alia ao teatro crítico de Beckett na montagem do Magiluth (Foto:Ricardo Moura)

Grupo leva montagem premiada à Praça 10 de Novembro, e encanta o público em Gravatá

Por Julya Vasconcelos

Um palhaço usa uma cartola, empunha um jornal diário e traz pesadas malas de viagem a tiracolo. Um outro veste roupas bem menores que seu corpo, não tem qualquer coisa que seja sua e é sujeitado a todo tipo de humilhação. Um terceiro se mantém todo o tempo sentado em cima de um andaime, orquestrando os jogos de poder. O quarto palhaço, carente e sedento, acompanha a todos os jogos com um ar penoso de ignorância.

Sem dizerem uma única palavra durante todo o espetáculo, os quatro personagens da peça “Ato”, do Grupo Magiluth, vão sendo construídos através de um trabalho minucioso de linguagem corporal. Baseada no texto “Ato sem Palavras”, do dramaturgo irlandês Samuel Beckett, a peça traz situações que envolvem poder, dominação, exploração e carência dentro de um ambiente inóspito e quente, onde a água é preciosa e nem todos podem tê-la.

“Ato” é basicamente um embuste para o espectador que vê a “trupe” entrando em cena com rostos pintados e gestos desajeitados. Não se enganem, pois esse seres sem nome, meio desbotados e de narizes vermelhos são muito mais que palhaços. São homens, são fracos e muitas vezes sádicos e cruéis quando detêm o poder.

A peça foi levada ontem, às 17h, para a Praça 10 de Novembro, em Gravatá, dentro da programação do Festival Pernambuco Nação Cultural. Os atores chegaram ao cenário depois de caminhar pela ruas da cidade e um bom público, interessado, composto sobretudo por alunos das escolas próximas, acompanhou o espetáculo.

Os personagens andam pelas ruas de Gravatá (Foto: Ricardo Moura)

Os personagens andam pelas ruas de Gravatá (Foto: Ricardo Moura)

Hoje tem mais artes cênicas rua! Confira abaixo a programação, que está acontecendo sempre na Praça 10, gratuitamente:

Sexta-feira, 14/9
17h – Dança – Mostra Coreográfica
“O que tenho a oferecer” (Orunmillá Santanna/Recife)
Coreografia João do Esfregão | “Malena”| “Sambalé” (Rogério Alves/Recife)
Balé clássico | Dança de salão | Dança contemporânea (Wanderson José/Gravatá)
Maracatu | Caboclinho | Frevo (Cia de Dança Gravatá Art)

Sábado, 15/9
17h – Teatro de Rua
Polo Marginal (Grupo de Teatro de Rua Loucos e Oprimidos da Maciel)

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