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Festival pernambuco nação cultural

Todo mundo rezado e benzido

Por Chico Ludermir

Rezadeiras demonstraram a cura com a fé (Foto: Roberta Guimarães)

Rezadeiras demonstraram a cura com a fé (Foto: Roberta Guimarães)

Dona Maria da Conceição desde menina já benzia as bonecas de pano e de sabugo de milho. Juntava as crianças todas do sítio Boca da Mata na cidade de Jardins, no Ceará, onde morava, para brincar de benzer. Longe da cidade, reproduzia uma prática comum da cura pela reza. “Eu sempre ia junto com minha mãe levar os meninos nas rezadeiras quando estavam doentes e, desde pequena, já tinha aquele dom”, conta. Mais de 50 anos depois, ela mantém o costume. Já benzeu um sem número de gente e fez mais de 50 partos.

Nessa quinta-feira (24/5), Dona Maria dividiu suas histórias de reza e bênçãos com outras oito mulheres e um homem no encontro de rezadeiras e benzedeiras, realizado pelo Festival Pernambuco Nação Cultural no salão paroquial da cidade de Cedro. Sentados ao lado de um pequeno altar, cada participante contou e demonstrou o que sabe, ao mesmo tempo em que vieram à tona relatos de uma vida sertaneja de hoje e de ontem. “A gente era pobrezinho e nunca passou o dia brincando. Era pai na roça e a gente com mãe, botando o café nas sacas. Trabalhava como um animal”, lembra Maria da Conceição.

Maria Pereira de Souza começou a curar com a fé aos 25 anos, quando foi a uma rezadeira que não aceitou rezar sua filha. Foi até Seu Sebasto que rezou, curou a menina e ainda passou para ela o conhecimento. Por isso mesmo, Maria está sempre disposta a tirar mau olhado e quebranto. Curar espinhela caída e peito aberto. “Se chegar lá em casa a qualquer hora eu rezo”, conta. “Se não tiver arruda ou pinhão-roxo, pode ser qualquer raminho que o que vale é a fé”, explica.

Único homem da roda, Seu Geraldo aprendeu a rezar com o sogro e garante que todo mundo que ele reza fica bom. “Todos os que vêm, Jesus cura. Eu peguei o ritmo da palavra”, explica. Como os demais presentes, Seu Geraldo não vende reza.”Se a pessoa tive prazer e gosto de dar, eu aceito. Se não quiser, não tem problema. A pessoa diz ‘Deus lhe pague’ e eu digo ‘Amém’”, conta o agricultor, que as vezes recebe saco de arroz e feijão, porco e cabrito.

Devoto de Padre Cícero, Nossa Senhora das Dores e de São José, Seu Geraldo acende uma vela todos os dias para pagar uma promessa. “Pedi a graça de aprender a rezar e dar certo. E tem dado. E eu tou valido na promessa”. Para ele, a maior alegria é ter saúde, e por isso mesmo que ele traz saúde pros outros também.

Passando os ramos de pinhão-roxo e arruda, os participantes da roda rezaram voluntários. “Seja curado! Mandado por Deus e Virgem Maria. Pelas chagas do nosso Senhor Jesus Cristo, seja curado! Seja levantado mandado por Deus”, diz uma das rezas. E no salão paroquial, todo mundo foi abençoado.

Quando acabou o encontro, o grupo de São Gonçalo de Verdejante saiu às ruas com sua bandeirinha do santo. Todos de branco e verde, deram uma volta em frente à Igreja matriz, dando viva a São Gonçalo.

O São Gonçalo de Verdejante se apresentou ao final do encontro (Foto: Roberta Guimarães)

O São Gonçalo de Verdejante se apresentou ao final do encontro (Foto: Roberta Guimarães)

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