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Festival pernambuco nação cultural

Tradição e contemporaneidade sacudiram Caruaru

Por Vinícius Carvalho (Diretor Executivo na Secretaria de Cultura de Pernambuco)

João do Pife. Foto: Marcelo Lyra

João do Pife. Foto: Marcelo Lyra

Aconteceu durante o segundo Festival Pernambuco Nação Cultural em Caruaru (FPNC) neste mês de maio, realização do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura e FUNDARPE.

A cidade merecia um festival assim. Esta foi a frase mais ouvida das pessoas nas plateias e do movimento cultural de Caruaru. A terra de Janduhy, Branco, Jairo, Vitalino, Hebert  foi tomada por inúmeras expressões artísticas, nos distritos, na periferia, no centro, no presídio, na FUNASE e na Normandia.  Desfilou a tradição dos bois, do pífano, do cordel, do bacamarte, as mais variáveis formas de artes cênicas. Dentre apresentações,  encontros, oficinas, mais de cem atividades com vinte mil pessoas envolvidas na capital do Forró, na sede da grande Feira.

João do Pife nos recebeu no anúncio da programação, Azulão chegou de mansinho, com sua elegância, pra assistir o histórico show de Querosene Jacaré, Onildo Almeida se encontrou com outros escritores, Galdino foi exposto. A história da cidade estava sendo contada. A tradição foi bem representada e abriu alas para contemporaneidade e para vanguarda ciceroneada pelo gentleman, filho da terra, Júnio Barreto, que na primeira noite do palco principal participou do show de uma das mais importantes bandas independentes do país, Eddie.

Um corte estético, uma revolução sutil. A juventude que dizia se sentir liberta com uma opção como essa. Os artistas, de alto nível, além da qualidade de suas obras alertam para o momento político e cultural. Um painel de profissionais de ponta das mais diversas matrizes, muita poesia e crítica. O sertanejo do mundo, Lira, e sua linda música Memória, chama atenção pra abertura dos arquivos da ditadura militar, Karina Buhr cantou o amor de forma única, nunca um fuzil deve calar uma guitarra. Ortinho com a autenticidade de um rockstar, coragem e irreverência pra questionar os padrões, uma defesa permanente pela inteligência, a criação, a liberdade de expressão de vozes que soem críticas, não soem chulas, que não rimem apenas, lé com,cré. Ah o Querosene Jacaré, que volta histórica, logo em Caruaru: Rock, muito rock. O Belo de fato, Tibério Azul, a riqueza dos seus arranjos, a delicadeza e a força do seu repertório.

Presenças destacáveis de Zé da Flauta, Cleiton Barros, Neilton, Gilmar Bola Oito, Sérgio Sociólogo da Favela, Pablo, Tiger e Zé brown, manos maduros dividindo a mesma roda, Irmandade 1, Rimocrata. Cláudio Assis, quem não conhece, não reconhece sua ousadia fotográfica, textual, roteirística, um caruaruense a reclamar, “meus filmes correm o mundo, não passam nas salas da minha cidade.” Um sentimento comum de artistas reconhecidos da famosa e importante cena manguebeat, foi que pela primeira vez aportaram em Caruaru: Fábio Trummer, Karina Buhr, Lira, Tibério Azul. Além de Dado Villa Lobos e Sonic Júnior.

Muita qualidade, equipamentos de alta qualidade e um público caloroso, uma juventude engajada e muito talento despontando nos que fazem a cena local da cada vez mais antenada com o mundo. A cidade merece, sim! A população cresce, novos cursos surgem, a economia cresce. Salve Rogéria, Joanatan, Almério, Caapora, Daniel Finizola,  Marcus Mercury, Consciência Nordestina.

Tudo isso com muita paz! Conteúdo e público fazem a diferença na segurança, mais do que qualquer repressão. Mais do que uma festa, um grande festival de cultura, com uma programação que não perde pra nenhum festival de cultura e arte pelo país, com inclusão e geração de renda. Foi um festival construído à várias mãos e com apoio integral da Prefeitura de Caruaru, apoio da PM e dos Bombeiros.

Salve Caruaru, uma nova janela se abriu!

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