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Festival pernambuco nação cultural

Uma tarde com mestres da cultura popular

Por Chico Ludermir

Mestre Jaime contou sobre A Bicharada. Foto: Clara Gouvêa/secult-PE

Mestre Jaime contou sobre A Bicharada. Foto: Clara Gouvêa/secult-PE

Reisado, São Gonçalo, mazurca e frevo. Os quatro ritmos da cultura pernambucana estavam representados na roda de mestres realizada na tarde desta quarta-feira (23/5) no Castelo Armorial, em São José do Belmonte. João Cícero, Antenor, Maria de Fátima e Mestre Jaime, figuras importantes e mantenedoras da nossa tradição compartilhando suas histórias e seus brinquedos para alunos da Escola Arcôncio Pereira e outros visitantes do espaço.

Mestre João Cícero falou sobre o Reisado ao lado de Antenor e Maria de Fátima. Foto: Clara Gouvêa/Secult-PE

Mestre João Cícero falou sobre o Reisado ao lado de Antenor e Maria de Fátima. Foto: Clara Gouvêa/Secult-PE

João Cícero começou a brincar reisado com 10 anos de idade, quando morava no pé da Serra do Araripe. Todo sábado subia para a casa do tio Zé Domingos para brincar. Quando o tio morreu, ele ao lado do primo juntou outras 10 pessoas para continuar a brincadeira. Hoje, morando em São José do Belmonte, Seu João continua “enfrentando” o reisado com muito orgulho. “Eu não tenho vergonha de brincar em lugar nenhum, porque meu grupo sabe brincar e faz bem feito”, diz ele, fazendo questão de provar. Cantou e dançou pra todo mundo ver.

Seu Antenor, do São Gonçalo, está há pouco tempo à frente do grupo de Verdejante. Mas se lembra de quando o brinquedo era tradição no interior. Ele assumiu há apenas dois meses quando da morte do mestre Robertinho. Mesmo assim, Antenor conta pros adolescentes da origem portuguesa e religiosa. “É uma dança organizada como pagamento de promessas. Se a promessa for realizada, todo mundo se junta para agradecer com o São Gonçalo”, explica.

Da mazurca de Verdejante, Dona Maria de Fátima sabe muito. Lembra-se dos tempos de criança, quando todo mundo era chamado para dançar e ao mesmo tempo pisar a terra de chão batido das casas de taipa. “Quando iam tapar as casas, juntava todo mundo para dançar a mazurca”, explica. Hoje ela faz parte do grupo de idosos que dança aquele ritmo valseado, de origens polonesas, africanas e indígenas.

Alunos e convidados escutaram os mestres no Castelo Armorial. Foto: Clara Gouvês-Secult-PE

Alunos e convidados escutaram os mestres no Castelo Armorial. Foto: Clara Gouvês-Secult-PE

Mestre Jaime é o criador do bloco de Carnaval A Bicharada, há mais de 60 anos na rua. Sempre gostou muito da natureza, por isso teve a ideia de fazer um bloco só de animais. Hoje em dia, seu bloco já conta com 100 bonecos gigantes de bichos e ele nem pensa em parar. Perto dos 90, Mestre Jaime é um saudosista do Carnaval de antigamente com confetes, serpentinas e lança perfume. “Mas tem uma coisa que eu detesto é esse tal de trio elétrico. Se minha casa tivesse três léguas de quintal, eu ia lá pra trás e só voltava quando eles passassem”, confessa, provocando a garotada que assistia.

De jeito nenhum o comentário foi capaz de diminuir a empatia de Mestre Jaime com o público. Com terno, colete, gravata, cartola e todos os dentes dourados, o criador do bloco animou todo mundo quando cantou marchinhas antigas das folias de Momo. “Eu não conhecia nenhuma dessa tradições”, confessou Maria Rafaela, de 13 anos. Mesmo sendo moradora da região, nunca tinha nem ouvido falar daquelas pessoas. Ainda assim, parece ter gostado do que viu: “Eu fiquei até com vontade de dançar. Gostei da cultura de todas”.

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