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PATRIMÔNIO CULTURAL

Aos 82 anos, Mestre Galo Preto lança seu primeiro disco

'Histórias que andei' foi produzido com incentivo do Rumos Itaú Cultural e os shows de lançamento contam com apoio da Fundarpe

por Marcus Iglesias

Beto Figueiroa/Santo Lima

Beto Figueiroa/Santo Lima

Aos 82 anos, Tomás de Aquino Leão Cavalcanti, conhecido desde pequeno como Galo Preto, lança seu primeiro registro fonográfico

Aos 82 anos de idade, com mais de 70 deles dedicados à tradição do coco, o Mestre Galo Preto se prepara para lançar seu primeiro disco autoral, intitulado Histórias que Andei. Reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco, Galo Preto escolheu duas cidades para receber, em primeira mão, o lançamento deste álbum: a agrestina Bom Conselho, sua terra natal e o Recife, onde vive atualmente.

Em Bom Conselho, o evento vai acontecer durante a tradicional Festa da Padroeira de Rainha Isabel, às 19h, no distrito rural Rainha Isabel (onde nasceu o mestre), distante 10 quilômetros do centro da cidade. Já no Recife, o lançamento será realizado no Teatro de Santa Isabel, no dia 1° de dezembro, também às 19h. Os dois shows terão acesso gratuito e contam com apoio do Governo do Estado, por meio da Fundarpe e da Secult-PE.

Foto: Juarez Ventura

Foto: Juarez Ventura

Mestre Galo Preto durante apresentação no Palco Cultura Popular do FIG 2016

Mestre Galo Preto é um dos maiores representantes da tradição do coco, e em Histórias que Andei traz a arte e sabedoria musical que ronda seu trabalho desde a infância, quando fez sua primeira embolada na beira do fogão de sua mãe. “A emoção é grande e não deixa de ser um fato histórico eu, com toda a minha trajetória artística, estar lançando meu primeiro CD, aos 82 anos”, avalia o mestre, que é autor de todas as letras do disco. Já algumas melodias, segundo ele, foram resgatadas da sua família, formada por vários cantadores.

De acordo com Antonieta Trindade, vice-presidente da Fundarpe, outras instituições importantes apoiam este momento. “No Recife, teremos o apoio da Prefeitura do Recife, que nos cedeu o Teatro de Santa Isabel. Já em Bom Conselho, nos reunimos com a prefeitura e com a Universidade de Pernambuco, que também estão juntos nesta proposta”.

Laís Domingues/Secult-PE/Fundarpe

Laís Domingues/Secult-PE/Fundarpe

Mestre Galo Preto é um dos maiores representantes da tradição do coco, e em Histórias que Andei traz a arte e sabedoria musical que ronda seu trabalho desde a infância

‘Histórias que Andei’ teve patrocínio do programa Rumos Itaú Cultural, conta com 12 faixas e foi gravado, masterizado e mixado no Fábrica Estúdios. “O pessoal do Fábrica ficou bastante encantado com minha habilidade no improviso. Eu só pedia pra soltarem o refrão e ligarem os microfones pra eu começar a puxar os versos, que saiam naturalmente. Tudo feito na hora. Quando eu paro pra ouvir as músicas, penso que ninguém vai acreditar que aquilo foi feito na base da improvisação. Estou agora num processo difícil que é aprender as músicas que fiz”, brinca o mestre.

O disco teve a participação de uma nova geração de músicos que acompanham Galo Preto nos palcos. O grupo é formado por nomes como Emerson Santana, Paulinho Ogã, Dinda Salu, Italo Costa, Jaene Pereira, Lucinha Leão, Gabriela Sampaio, Surama Ramos, Valeria Wanda e Mirela Cavalcanti. “Eu fico muito admirado com essa adesão dos músicos da nova geração ao coco, porque eles não vão deixá-lo morrer”, comenta Galo Preto, satisfeito. A produção musical ficou a cargo de Hugo Nascimento e opróprio mestre assina a direção musical.

Daniela Nader/Secult-PE

Daniela Nader/Secult-PE

‘Histórias que Andei’ teve patrocínio do programa Rumos Itaú Cultural, conta com 12 faixas e foi gravado, masterizado e mixado no Fábrica Estúdios

Os arranjos foram feitos apenas com pandeiros, sanfona e o tradicional coco de trava língua, dificilmente executado hoje em dia, mas que possue uma intimidade imensa com a obra do mestre. Após o lançamento do disco, o público poderá encontrá-lo nas principais plataformas de streaming. Depois dos eventos em Pernambuco, Galo Preto embarca para São Paulo, onde também lançará seu disco, no dia 17 de dezembro, no Itaú Cultural.

Projeto Outras Palavras – Ainda em Bom Conselho, o Mestre Galo Preto participará de mais uma edição do Outras Palavras, projeto da Secult-PE/Fundarpe que tem a proposta de levar ações culturais ao cotidiano escolar. A participação está marcada para o próximo domingo (13), às 10h, na Escola Municipal Rainha Isabel.

Tom Cabral/OSanto/Secult-PE

Tom Cabral/OSanto/Secult-PE

Durante sua participação no projeto Outras Palavras, da Secult-PE e Fundarpe, o Mestre Galo Preto falará para as crianças presentes sobre a sua trajetória artística

“Eu achei muito importante esse convite, porque quero dizer pra aquelas crianças que eu nasci naquela cidade, num outro tempo, e hoje conheço o mundo inteiro. E que eles também podem conseguir isso. Na minha época, quem tinha rádio era rico, telefone nem existia, e hoje você tem toda essa facilidade no acesso à informação. Se juntasse a fartura e o respeito de ontem com o progresso de hoje, o mundo estaria perfeito”, opina.

A edição especial do Outras Palavras fará também uma homenagem ao Mês da Consciência Negra, levando à escola contações de histórias baseadas no livro Menina bonita do laço de fita, que trata do preconceito racial.

Conheça melhor AQUI a trajetória do Mestre Galo Preto.

Serviço
Lançamento do CD ‘Histórias que Andei’, do Mestre Galo Preto
Domingo (13) | 19h
Quilombo Rainha Isabel (Zona Rural de Bom Conselho)
1° de Dezembro | 19h
Teatro de Santa Isabel ´(Praça da República, s/n – Santo Antônio)
Gratuito

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