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PATRIMÔNIO CULTURAL

Aula em barco-escola propicia novos olhares sobre o Recife

Patrimônios ambiental e cultural foram temas de passeio com estudantes da Escola Porto Digital.

Por: Flora Noberto

Costa Neto/Secult-PE

Costa Neto/Secult-PE

A importância da preservação do manguezal foi abordada durante a aula-passeio.

Os rios, as pessoas, a cidade. As águas, os bichos, as construções. O tempo, o desenvolvimento, a preservação. As várias relações entre estes elementos foram abordadas na aula-passeio “Navegando no Patrimônio” realizada, na tarde de quinta-feira (21), na embarcação da Escola Ambiental Águas do Capibaribe. Com 35 estudantes do ensino médio da Escola Porto Digital a bordo, o barco-escola partiu do Marco Zero sob chuva e céu nublado. Mesmo com a visão turva inicial do horizonte, diversos conhecimentos sobre a cidade foram revelados durante o passeio. A atividade de educação patrimonial fez parte da programação da Semana de Patrimônio, realizada pela Secretaria de Pernambuco e pela Fundarpe.

Costa Neto/Secult-PE

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Cruz do Patrão

Na aula- passeio, o educador Diomedes Oliveira, da equipe da Diretoria de Patrimônio da Fundarpe, destacou as transformações ocorridas durante a urbanização da cidade, os estilos arquitetônicos das construções e a importância da preservação dos patrimônios ambiental e cultural. Os estudantes contaram ainda com explanações dos educadores da Escola Ambiental, o geógrafo José Hildo dos Santos e a bióloga Kate Limeira.

Antes da partida do barco-escola, José Hildo explicou a atuação da Escola Águas do Capibaribe ligada a Secretaria de Educação do Recife, parceira da Fundarpe na atividade. “Fazemos um trabalho de sensibilização ambiental. O barco é uma escola da rede municipal do Recife, todo dia recebemos alunos. Ao todo, 12 mil crianças já passaram pelo barco”, afirmou.

O educador Diomedes Oliveira ressaltou a urbanização do Recife a partir do Porto, mostrando os armazéns construídos para receber os produtos dos navios e que hoje se transformam em espaços culturais, a exemplo do Centro de Artesanato e o Museu Cais do Sertão. Em seguida, a educadora Kate contou sobre a formação da Bacia do Pina, onde chegam águas do mar e dos rios Capibaribe, Tejipió, Jiquiá, Jordão e Pina, lançado uma reflexão sobre as redes de drenagem o entupimento causado pela poluição e consequentemente os alagamentos da cidade.

E assim, entre ensinamentos de História, Geografia e Biologia, os jovens puderam conhecer o Recife de dentro para fora. Das águas, tiveram uma nova visão da região portuária, dos arrecifes, da ilha de Santo Amaro, da ilha de Santo Antônio até chegar a Boa Vista, avistando a Rua da Aurora, e retornar ao Bairro do Recife. A estudante Francyne Monique, 16 anos, destacou a importância da experiência fora da sala de aula. “Eu gostei muito, porque obtive mais informações sobre a nossa cidade. Foi uma aula de história e geografia ao mesmo tempo, mas com outra didática”, disse, a jovem que pela primeira vez realizou o passeio pelo Recife dentro de um barco.

Costa Neto/Secult-PE

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Casario da Rua da Aurora

PATRIMÔNIO – Uma das construções históricas destacadas foi a Cruz do Patrão, datada do século 18 e atualmente em estudo para tombamento como patrimônio. Diomedes contou que a cruz foi construída por um patrão-mor do Porto como símbolo de poder e marco de navegação e que existem relatos que era usada na chegada de navios negreiros e sepultamento de escravos. O educador ressaltou ainda que a coluna com a cruz hoje se encontra escondida pelas construções do Porto do Recife, devido à falta de preocupação anterior de preservação histórica da área. “É muito importante preservar a paisagem. Por isso, não podemos preservar apenas uma edificação, mas também o seu entorno”, afirmou.

A preservação do manguezais foi abordada pela bióloga da Escola Ambiental. “O mangue é um ambiente riquíssimo com várias espécies de aves como socó e garças, peixes, crustáceos e moluscos. A lama é pobre em oxigênio e rica em matéria orgânica, por isso tem aquele cheiro característico. Muitos animais se alimentam desta matéria orgânica”, explicou Kate, após passar pela Ponte do Limoeiro.

Costa Neto/Secult-PE

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Estudantes puderam vivenciar o Recife a partir das águas.

Ao chegar próximo à Ilha de Santo Antônio, os alunos puderam ver diversas edificações do século 19 tombadas como patrimônio: o Palácio do Campo das Princesas (sede do Governo de Pernambuco), o Teatro de Santa Isabel e o Palácio da Justiça, situados na Praça da República. Do outro lado do Rio, observaram o Palácio Joaquim Nabuco (sede da Assembléia Legislativa) e o Ginásio Pernambucano. Os estudantes ainda receberam informações sobre o Cinema São Luiz (local onde havia a igreja dos ingleses) e a Casa da Cultura (antiga Casa de Detenção), ambos equipamentos culturais com gestão da Fundarpe.

No casario da Rua da Aurora, a história da edificação do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam) foi uma das reveladas aos estudantes. O casarão funcionou como Clube Internacional do Recife e sede da Prefeitura, antes de se tornar museu. Outra parte importante da urbanização da cidade foi exemplificada com as avenidas Guararapes e Dantas Barreto, criadas depois dos anos 50, e permeadas por construções modernistas, em contraste com a Rua da Aurora com casario de arquiteturas neoclássica e eclética, do século 19. A partir da comparação, o educador Diomedes incentivou os estudantes para a reflexão sobre desenvolvimento e preservação: “A cidade é um organismo vivo, que se transforma, e o desafio é preservar o patrimônio”.

 

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