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PATRIMÔNIO CULTURAL

Conselho de Preservação defere tombamento do Monumento aos Aviadores

Divulgação

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O monumento foi erguido em homenagem à dupla de aviadores que atravessou pela primeira vez a rota Atlântico Sul, partindo de Portugal rumo ao Brasil

O Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) deferiu por unanimidade, na manhã desta quinta-feira (1º), o tombamento do Monumento aos Aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral, localizado na Praça 17, no bairro de Santo Antônio, centro do Recife.

Em seu parecer, a conselheira Ana Júlia de Souza Melo acatou as recomendações contidas no exame técnico elaborado pelo corpo técnico da Gerência de Preservação do Patrimônio Cultural da Fundarpe quanto às medidas gerais de conservação e diretrizes às intervenções reparadoras do monumento e estabeleceu como polígono de proteção: os limites laterais do eixo da escultura até o eixo da rua do Rosário e Praça Dezessete; o limite Frontal do eixo da escultura até a beira do Rio Capibaribe; e o limite Posterior do eixo da escultura à 1,5m das edificações.

O pedido de tombamento foi apresentado pela Comunidade Portuguesa em Pernambuco (CCPP), em 2014, e visa reconhecer a importância histórico-cultural do monumento que marca a bravura e o ineditismo da viagem empreendida por Sacadura Cabral e Gaga Coutinho, aviadores portugueses que, no ano de 1922, realizaram a primeira travessia área do Atlântico Sul. Foi num local próximo onde hoje fica a Praça 17 que o hidroavião Santa Cruz amerissou nas águas do Capibaribe, completando a ligação entre Portugal e o Brasil.

O ponto de chegada dos aviadores portugueses já possuía grande importância para a história da cidade, pois, foi neste local que 63 anos antes, Dom Pedro II e sua família desembarcaram quando de sua visita a Pernambuco, em 1859. O local que antes era conhecido como Cais do Ramos ou do Colégio (pois ficava nas proximidades do colégio dos jesuítas), rebatizado posteriormente para Cais 22 de Novembro, após a visita imperial, foi reformado e passou a ser chamado de Cais do Imperador.

A empreitada fez parte das comemorações do primeiro centenário da independência do Brasil em relação a Portugal. A viagem assinalava também a amizade entre as duas nações. A história desse feito ainda é pouco conhecida fora dos países lusófonos, entretanto é um marco para a aviação. Em 2011, a UNESCO reconheceu a importância da viagem ao incluir o relatório elaborado por Sacadura e Coutinho no registro da Memória do Mundo como Patrimônio da Humanidade.

O objetivo principal da viagem era demonstrar que as normas da navegação astronômica praticadas nas embarcações podiam também servir aos aviões, introduzidos algumas pequenas modificações para atender às características próprias do voo. Com isto a aviação ganharia novos horizontes, libertando-se de orientar suas rotas dependendo da atenção visual aos pontos terrestres.

MONUMENTO
No dia 7 de junho de 1922, em frente ao local onde pousaram os aviadores portugueses, foi realizada uma missa campal como parte das comemorações pela conquista. Logo após a missa foi feito o lançamento da pedra fundamental do monumento aos aviadores. De acordo com Armando Areias, em seu livro Primeira Travessia do Atlântico Sul, sob a pedra fundamental do monumento, foi depositada uma caixa de cobre contendo exemplares dos jornais do dia, a ata da cerimônia e algumas moedas portuguesas e brasileiras.

O monumento foi uma doação da comunidade portuguesa em Pernambuco à cidade. Construído com peças de cantaria esculpidas em pedra Lioz é uma obra de Santos e Simões Estatuários. Possui a base inferior em formato circular e sobre esta base ergue-se um bloco também em pedra Lioz. Nas quatro faces do bloco repetem-se desenhos geométricos. Sob a estrutura em pedra, que tem cerca de 7,00 m, repousa uma escultura em bronze, com cerca de 2,00 m de altura, representando o personagem mitológico Ícaro, símbolo do desejo humano de voar.

Concluído em 1927 e até hoje existente na Praça 17, o monumento não se encontra mais no seu local original que era um pouco mais a frente da posição atual. Devido a obras de alargamento da Av. Martins de Barros, o monumento foi deslocado alguns metros para liberar a via que já não comportava o fluxo crescente de veículos.

Elevado na Praça 17, o monumento constitui-se na sobreposição de blocos esculpidos em pedra Lioz e divide-se em três partes principais:

1. Base circular de suporte ao corpo do monumento - composta com quatro escadas e quatro patamares, fornece acesso às informações gravadas no corpo do monumento. Eleva-se até 0,68 m de altura e diâmetro de aproximadamente 7,00 m.

2. Corpo do monumento - Composto por quatro faces, medindo aproximadamente 4,15 x 4,15m, apresenta representações distintas em cada face.

3. Coroamento - No topo do monumento repousa uma escultura com cerca de 2,00 m de altura, representando a figura de Ícaro, e esculpida em bronze, sobre um globo terrestre em pedra lioz. O globo possui gravado o nome do destino final da viagem, Rio de Janeiro.

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