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PATRIMÔNIO CULTURAL

Conselho de Preservação aprova pedido de tombamento da fonte da Praça Maciel Pinheiro

João Paulo Seixas/Fundarpe

João Paulo Seixas/Fundarpe

O pedido foi apresentado pelo conselheiro Leonardo Dantas

O Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) aprovou, na manhã desta quinta-feira (16), o pedido de tombamento da fonte da Praça Maciel Pinheiro, localizada no bairro da Boa Vista (Centro do Recife), bem como de seu entorno.

Erguida em 1875, em comemoração ao término da Guerra do Paraguai (1864-1870), a obra de mármore possui 7,85 metros e foi esculpida em Lisboa pelo renomado artista Antônio Moreira Ratto (1818-1903), que tem sua assinatura em vários monumentos que ornam praças e passeios da capital portuguessa, da cidade de Évora e do Rio de Janeiro.

De acordo com o conselheiro Leonardo Dantas, autor do pedido de tombamento no CEPPC, a fonte foi instalada no meio da Praça Maciel Pinheiro sob subvenção popular e serviu durante muito tempo como espaço de convivência de muitas famílias judaicas que se instalaram pelas ruas do bairro da Boa Vista, a partir da Revolução Russa de 1917.

“Tipos ruivos que logo ocuparam seculares casas e sobrados nas ruas Velha, da Glória, de Santa Cruz, Leão Coroado, da Alegria, Visconde de Goiana, Marques Amorim, Barão de São Borja, do Jasmim, do Aragão, dos Prazeres, Visconde Suassuna, dentre outras. Nos finais de tarde homens dessa comunidade faziam da bucólica Praça Maciel Pinheiro o seu centro de convívio, onde em animadas conversas, ou acaloradas discussões, se comunicavam na língua anasalada do dialeto iídiche, tratando de temas da vida diária ou de recordações de suas terras de origem”, descreve o historiador no parecer. A célebre escritora Clarice Lispector (1920-1977), descendente dessa comunidade, viveu sua infância na casa de esquina com a Rua do Veras, onde, atualmente, há uma escultura em cimento, confeccionada pelo artista Demétrio Albuquerque, que marca a sua passagem pelo bairro.

O pedido foi aprovado por unanimidade pelos membros do CEPPC. Os conselheiros, porém, solicitaram ao proponente que, antes de submetê-lo à apreciação do Secretário Estadual de Cultura, Marcelino Granja (responsável por dar abertura ao processo de tombamento), encaminhasse seu parecer à Gerência de Preservação do Patrimônio Cultural da Fundarpe, a fim de que fosse anexado ao documento mais informações técnicas (fotos e documentos) que subsidiem sua solicitação. A proposição do autor também requestou que fosse oficiado ao Iphan “o processo de tombamento do sítio urbano com todo seu entorno, com o objetivo de sua inclusão como Monumento Nacional no Livro de Belas Artes”.

A conselheira e gerente de Preservação Cultural da Fundarpe, Márcia Chamixaes, destacou a iniciativa do historiador e ressaltou que “o tombamento aponta para a revitalização da área e, consequentemente, para a usualidade dos cidadãos, que voltarão a apreciá-la”.

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