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PATRIMÔNIO CULTURAL

Grafitagem no Sítio Histórico de Olinda foi tema de debate na VII Semana do Patrimônio

Costa Neto
A VII Semana do Patrimônio, realizada pelo Governo do Estado de Pernambuco, através da Secretaria de Cultura e Fundarpe, promoveu na tarde de segunda-feira (18/8) um interessante debate sobre a relação entre Patrimônio Histórico e arte de rua, mais especificamente o grafite.

O seminário Arte Urbana e Patrimônio aconteceu no Palácio dos Governadores, sede da Prefeitura de Olinda. A pertinência do tema dava-se por conta de uma recente discussão, ainda sem conclusões, sobre a permissão da grafitagem em monumentos históricos, sejam eles tombados ou não. A questão, que em Olinda já vinha sendo levantada há algum tempo, ganhou maior repercussão após solicitação do grupo Ácidum, uma dupla de artistas grafiteiros, formada por Tereza de Quinta e Robízio Marques, ambos de Fortaleza, atualmente morando no Rio de Janeiro.

O casal passou um período morando no Sítio Histórico e solicitou à Prefeitura de Olinda autorização para grafitar as paredes do prédio da Caixa D’água. Construído em 1934 pelo arquiteto Luis Nunes, a Caixa D’Água, no Alto da Sé, é um marco da arquitetura moderna brasileira. A discussão em torno do tema provocou, dentro da Semana do Patrimônio, o encontro entre acadêmicos, artistas, gestores públicos e sociedade em geral. “Uma cidade colorida é mais feliz e dialoga melhor com a população. O que queremos hoje é uma comunicação com a Prefeitura de Olinda e Iphan para dialogarmos melhor”, colocou o arte-educador e grafiteiro Caju, que participou da mesa “Os artistas, pensamentos e estratégias de quem vive, produz e visita a cidade”.

Costa Neto

A discussão pede um debate maior quando o grafite quer ocupar e ter como suporte outras formas de arte, como são algumas edificações arquitetônicas de Cidades Patrimônio, a exemplo do Sítio Histórico de Olinda. “É um assunto do qual a lei não trata, então são vários os posicionamentos. Em várias capitais do mundo, a grafitagem é considerada uma obra de arte, então a ideia aqui é ouvir as pessoas, se debruçar sobre o assunto e amadurecê-lo”, diz a secretária executiva de Patrimônio e Cultura de Olinda Cláudia Rodrigues.

O artista plástico Fernando Augusto, chefe do escritório do Iphan em Olinda, também tem seu posicionamento, mas diz que ainda é necessário ouvir mais os atores envolvidos, até saber como tratar o caso. Ele lembra que, em várias capitais do mundo, o grafite tem um circuito próprio, sendo bastante valorizado, reconhecido e institucionalizado. “Em Nova Iorque tem curador que propõe circuitos para visitantes, que incluem museus, galerias, e muros grafitados. Ele (o grafite) é cartão postal de um monte de coisa no mundo. O Muro de Berlim, que está em processo de tombamento pela Unesco como Patrimônio Imaterial da Humanidade, será preservado com seus grafites”, coloca Augusto.

Espelhando-se em experiências vivenciadas em outras capitais do mundo, a inserção do grafite na paisagem da cidade, seja em construções tombadas ou não, tende a receber orientações específicas para sua aplicação. “Entendemos que da forma como está é que não pode ficar. Temos que fazer esforço grande e criar um consenso na cidade do que ela entende como Patrimônio Cultural. Fazer uma nova significância disso”, avalia Fernando Augusto.
A VII Semana do Patrimônio Cultural continua até 22 de agosto, com diversos seminários, palestras e exposições pertinentes ao tema. Confira a programação completa no portal www.cultura.pe.gov.br/patrimonio

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