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PATRIMÔNIO CULTURAL

Hoje o fole ronca mais forte!

Há 74 anos nascia Camarão, exímio sanfoneiro e Patrimônio Vivo de Pernambuco

Cristiana Dias

O nome é Reginaldo. Mas as bochechas avermelhadas renderam-lhe o apelido “Camarão”, dado a ele por Jacinto Silva, e alcunha pela qual é conhecido e reconhecido Nordeste afora. Sanfoneiro de mão cheia, o mestre Camarão é um dos mais importantes instrumentistas brasileiros, tendo convivido e tocado com gente do quilate de Luiz Gonzaga, Sivuca, Dominguinhos e tantos outros que, assim como ele, levaram a música nordestina para os quatro cantos do país. Hoje, em plena véspera de São João, Camarão, que é Patrimônio Vivo de Pernambuco, comemora seus 74 anos, em plena atividade, fazendo o fole roncar por onde passa.

Reginaldo Alves Ferreira, Camarão, nasceu em 23 de junho de 1940, no município de Brejo da Madre de Deus. Dedicou a maior parte de sua vida à música, sobretudo, à sanfona. O interesse pelo instrumento surgiu dentro da própria família. Os oito baixos do seu pai, que eram deixados na cama quando ele ia para a roça, foram descobertos por Camarão. “Maria Bonita” foi tocada pelo menino aos sete anos de idade. Aos 20 anos, Camarão ingressou na Rádio Difusora de Caruaru, onde grandes músicos como Sivuca e Hermeto Pascoal também estiveram.

Camarão recebeu grande influência de Luiz Gonzaga, inclusive na produção de seus primeiros discos. Reconhecido por ventilar o ritmo regional por sopros de sax, trompete e trombone, Camarão tem grande importância na efervescência musical do estado. Em 1968, ele cria a primeira banda de forró do Brasil, a Banda do Camarão. Entre os discos, estão “Camarão, forró pra frente”, “Na toca do Camarão – Camarão e seu acordeom”, “A bandinha do Camarão”, “Camarão plays forró”, “Banda do Camarão”, “Forrofando em Caruaru”.

Desde a década de 1980, Camarão mora no Recife, onde ministra aulas de sanfona na Escola de Acordeom de Ouro, fundada por ele e localizada em Areias. Foi homenageado no São João de Recife, em 2007, e de Caruaru, no ano de 1999. Em 2003, recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco.

Confira aqui depoimento de Camarão para o projeto “Pernambuco Vivo”, realizado pelo Jornal do Commercio, com apoio do Governo do Estado.

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