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PATRIMÔNIO CULTURAL

Memória ferroviária de Pernambuco é pauta da Semana do Patrimônio

O debate, que aconteceu na Estação Central Capiba/Museu do Trem nesta terça-feira (18), contou com a presença da arquiteta Maria Emília Lopes, do professor Josemir Camilo e do diretor regional da ONG Movimento Nacional Amigos do Trem, André Cardoso

Costa Neto/Secult-PE/Fundarpe

Costa Neto/Secult-PE/Fundarpe

O evento foi o primeiro encontro que a Estação Central Capiba/Museu do Trem promoveu sobre o Patrimônio Ferroviário Pernambucano

No seu segundo dia de realização, a 8ª Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco promoveu, nesta terça-feira (18), na Estação Central Capiba/Museu do Trem, uma mesa-redonda sobre o “Patrimônio Ferroviário Pernambucano: seu legado, perspectivas e ações de preservação”. Com a participação da arquiteta do Iphan, Maria Emília Lopes, do historiador Josemir Camilo e do diretor regional da ONG Movimento Nacional Amigos do Trem, André Cardoso, e mediação da coordenadora do Departamento de Ação Educativa do Museu do Trem, Adriane Alves, o evento discutiu a importância das linhas ferroviárias no desenvolvimento do nosso Estado, bem como mostrou as ações que têm sido realizadas para sua salvaguarda e os desafios para manter viva a memória afetiva que muitos passageiros ainda guardam dos trens que circulavam, nos mais de 1.100 quilômetros de ferrovias pernambucanas.

Costa Neto/Secult-PE/Fundarpe

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Adriane Alves, André Cardoso, Josemir Camilo e Maria Emília Lopes comandaram a mesa-redonda

“Este é o primeiro de vários outros encontros que pretendemos sediar na Estação Central Capiba/Museu do Trem sobre o patrimônio ferroviário. Não existe espaço mais apropriado para discutirmos esse tema, uma vez que a função social do museu é essa: ambiente de ensino/aprendizagem, lugar de pesquisa, trocas e produção de saberes que integram diversas áreas do conhecimento”, disse Adriane, na abertura da mesa-redonda. Em seguida, a representante do Iphan Maria Emília Lopes apresentou um painel sobre “Sustentabilidade e Preservação do Patrimônio Cultural”, tendo como estudo de caso o Complexo das Oficinas Ferroviárias de Jaboatão dos Guararapes que, outrora abandonado, vai se transformar na sede da Escola Técnica do Senai. Segundo ela, é possível oferecer um novo uso a um patrimônio cultural, sem perder de vista a preservação do seu valor histórico-cultural. “Quando o Senai adquiriu o terreno do Complexo, eles não tinham ideia de que ali havia uma área preservada pelo Iphan. Entre idas e vindas, e uma série de escutas à população, em consonância ao conceito de sustentabilidade urbana que, dentre outras coisas, preceitua que devemos identificar as inflexões dos atores sociais para contribuir com os espaços das cidades e garantir qualidade de vida para os mais diversos grupos que a ocupam, chegamos a esse projeto que, embora apresente uma funcionalidade diferente da original, mantém e preserva não só as estruturas, como salvaguarda sua história”, contou.

O projeto, além de salas de aulas, quadras esportivas e um anfiteatro, inclui uma ciclofaixa aberta para os moradores que são vizinhos à escola. “A nossa ideia é que o patrimônio ferroviário se integrasse e fizesse parte da vida das pessoas em sua volta. Isto é, que ele fosse ressignificado e reapropriado não só pelos alunos, como também por quem mantinha uma relação de afeto com aquele espaço”, finalizou.

Grande pesquisador das ferrovias na Inglaterra, o professor Josemir Camilo fez uma panorama da história das ferrovias no Nordeste. De acordo com ele, grande parte de nossas linhas ferroviárias foram financiadas pelo capital inglês, graças ao benefícios que o governo brasileiro oferecia às empresas da Inglaterra que, àquela época, eram líderes mundiais nesse segmento. “A maioria do nosso patrimônio ferroviário brasileiro, principalmente do Nordeste canavieiro, foi construída com o capital inglês. Com a retomada da concessão das ferrovias por parte do governo brasileiro, no período da República, coube à antiga Rede Ferroviária Federal (Refesa) administrar nossos trens e linhas ferroviárias. Embora tenha tido uma administração pouco exitosa, a nossa malha ferroviária ligava a maioria dos Estados nordestinos de uma ponta a outra”, relembrou.

Já o diretor regional da ONG Movimento Nacional Amigos do Trem, André Cardoso, falou da sua experiência à frente da instituição. Ele, que também integra a equipe da Estação Central Capiba/Museu do Trem, destacou que o espaço e todo o seu acervo representam uma grande ação de preservação da memória ferroviária pernambucana. “O que fazemos aqui é resgatar toda a história dos trens e linhas ferroviárias de nosso Estado para mostrar que foi, através dos trilhos, que o desenvolvimento chegou nos lugares mais remotos de Pernambuco”, afirmou. Cardoso mantém, desde 2013, um projeto voluntário de fiscalização e preservação do Patrimônio Ferroviário Pernambucano, que percorre várias regiões. “Nos finais de semana, (eu e meus amigos) caminhamos por várias cidades onde essa malha ferroviária está um pouco esquecida, a fim de sensibilizar a população e os agentes públicos sobre o potencial turístico que aqueles trilhos podem oferecer às regiões”, disse. Segundo ele, a ideia é montar, em breve, uma linha de trem turístico-cultural que irá ligar o Circuito dos Engenhos da Mata Norte. “Vários municípios brasileiros já estão explorando os trilhos, antes abandonados, para o turismo. Podemos fazer o mesmo em Pernambuco”, falou entusiasmado.

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