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PATRIMÔNIO CULTURAL

Mesa redonda no Compaz discute o papel dos espaços na educação, cultura e cidadania

Evento da 12ª Semana do Patrimônio de Pernambuco reuniu nesta terça-feira (13) representantes do Governo do Ceará, Prefeitura do Recife e associação de São Paulo para debater em torno do tema "Territórios Educativos e Culturais: diálogos possíveis"

Jan Ribeiro

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Mesa redonda no Compaz teve o tema Territórios Educativos e Culturais: diálogos possíveis

O segundo dia da 12ª Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, evento comandado pelo Governo do Estado, por meio da Secult-PE/Fundarpe, trouxe para o centro do debate, nesta terça-feira (13), o papel dos espaços públicos e privados para o fortalecimento da educação, da cultura e da cidadania. Sob o tema “Territórios Educativos e Culturais: diálogos possíveis”, a mesa-redonda reuniu representantes do Governo do Ceará, Prefeitura do Recife e de uma associação de São Paulo para pensar de que forma poder público, iniciativa privada e terceiro setor podem se unir para transformar realidades nas comunidades mais vulneráveis do País. O local escolhido para a conversa foi o Centro Comunitário da Paz (Compaz) Ariano Suassuna do Cordeiro, no Recife, um marco nas ações de cidadania na cidade. O encerramento ficou por conta do Cavalo Marinho Boi Tira Teima, do Mestre Zé de Bibi, patrimônio vivo. Confira a programação completa da Semana do Patrimônio aqui.

Participaram da mesa redonda o secretário de Cultura do Ceará, Fabiano Piúba, o secretário de Segurança do Recife, Murilo Cavalcanti, e a coordenadora de Programas da Associação Cidade Escola Aprendiz de São Paulo, Raiana Ribeiro. A mediação ficou por conta do secretário de Cultura do Estado de Pernambuco, Gilberto Freyre Neto.

Jan Ribeiro

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Raiana Ribeiro é a coordenadora de Programas da Associação Cidade Escola Aprendiz de São Paulo

Na sua apresentação, Raiana defendeu que as ações educativas ganhem as ruas e praças para que haja uma mudança de paradigmas. “Precisamos utilizar os espaços públicos para a educação. A gente trabalha para que todos se reconheçam como educadores. Essa é uma concepção que norteia nossa atuação nos territórios. Porque é uma mudança dos aspectos ligados ao cuidado dos espaços, sejam eles patrimônio ou não”, explicou.

Segundo ela, a presença nesses lugares amplia a noção de pertencimento. “A ideia é que os cidadãos se apropriem dos espaços e cuidem deles. Em casa, nós cuidamos de pessoas que a gente conhece, amigos, familiares. O espaço público é aquele lugar comum onde a gente cuida do desconhecido e esse é o desafio”, avaliou.

Jan Ribeiro

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Fabiano Piúba apresentou ações da Secretaria de Cultura do Ceará

Fabiano Piúba falou em seguida e apresentou uma série de ações de cultura do Governo do Ceará para justificar o argumento de que a cultura é fundamental para a educação e a percepção de cidadania. Para isso, deu o exemplo de uma ação voltada para os mestres cearenses, patrimônios vivos, que receberam uma carteira de identificação que os destacava e atribuía autoridade a eles na comunidade e também junto ao poder público. “Educação sem cultura é só adestramento. Educação sem cultura é só ensino, assistência social sem cultura é só assistencialismo, segurança sem cultura é só repressão”, sentenciou.

Em seguida, Murilo Cavalcanti apresentou a experiência das duas unidades do Compaz no Recife (Cordeiro e Alto Santa Terezinha). A iniciativa da Prefeitura do Recife surgiu a partir do aprendizado que o secretário adquiriu nas 32 visitas que fez a Medelín e Bogotá, na Colômbia. Lá, ele teve contato com as ações governamentais que, juntas, ajudaram a transformar o cenário de violência em que essas cidades estavam inseridas, com drástica redução dos índices de homicídios, por exemplo (chegou a 380 mortes a cada 100 mil habitantes, na década de 1990, e caiu para 21 a cada 100 mil, recentemente).

Jan Ribeiro

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Murilo Cavalcanti viajou 32 vezes a Medelín e Bogotá, na Colômbia, para aprender com as iniciativas das duas cidades

“Essas visitas me fizeram aprender sobre o uso da cultura no combate à violência. A gente é levado a dizer erroneamente que tal comunidade é violenta. Mas ela, na verdade, é violentada em seus direitos mais básicos”, contou Murilo Cavalcanti.

As lições de Medelín estão espelhadas no Recife com os Compaz, espaços que são verdadeiros oásis nas periferias onde estão instalados. Com estrutura física de qualidade, contam com biblioteca, quadras de esportes, piscinas, quadras de tênis, aulas de balé e artes marciais, entre outras, e serviços de cidadania como aconselhamento para empreendedorismo, cursos de formação, mutirões de atendimento de serviços públicos. Tudo é pensado para crianças e adolescentes, mas sem deixar de lado a primeira infância e nem as famílias dos jovens atendidos. “Quem trabalha no Compaz não tem um emprego. Tem uma causa”, declarou o secretário de Segurança do Recife. Segundo ele, há mais dois Compaz previstos: um na comunidade do Coque, região central do Recife, e outro no Ibura, na Zona Sul.

Para o secretário Gilberto Freyre Neto, iniciativas que buscam ocupar espaços públicos, ao ar livre ou em equipamentos gerenciados pelo governo e prefeitura, devem estar sempre no radar dos gestores. “O reflexo dos indicadores e dos números já acontece, a gente consegue mensurar. Então podemos concluir que são ferramentas como esta que precisamos estar de olho, porque tem resultados”, finalizou o gestor.

Jan Ribeiro

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O Cavalo Marinho Boi Tira Teima, do Mestre Zé de Bibi, patrimônio vivo, se apresentou no pátio do Compaz

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