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PATRIMÔNIO CULTURAL

NOTA DE PESAR – Jaci Bezerra

A Secretaria Estadual de Cultura (Secult-PE) e a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) lamentam o falecimento do poeta, editor e ex-presidente da Fundarpe Jaci Bezerra, decorrente de uma parada cardiorrespiratória nesta quinta-feira (10/12).

Jaci Bezerra nasceu na cidade de Jaboatão dos Guararapes e foi um dos expoentes da Geração 65, grupo de poetas reconhecido como um dos movimentos literários mais importantes do país. Jaci foi editor do suplemento literário do Diário de Pernambuco (juntamente com o poeta e crítico César Leal) e das Edições Pirata, que foi responsável pelo lançamento de vários nomes da literatura pernambucana que hoje permeiam o cenário da poesia nacional. Em 1987, ocupou a presidência da Fundarpe, sucedendo Roberto Pereira. Aos familiares, as nossas sinceras condolências.

CANÇÃO*

Vou plantar na varanda a minha mágoa,
e espero, assim, que a vida a mim esqueça.

Fluídico e sereno como as águas
deixem, vocês, que eu me desapareça.

Vou partir depois disso, prontos tenho
o passaporte e a blusa de emigrante.

Deixem vocês, eu parto como venho
para ser outra vez o que fui antes,

As lágrimas ardendo são estrelas
cintilando no fundo de outro poço.

Vocês não se debrucem para vê-las
que, nelas, acharão só meus destroços

(a canção que inventei de ouvido, inteira,
e as rosas florescendo nos meus ossos).

Não procurem saber dos meus intentos,
peço como um favor, ninguém me ouça,

pois rosário já vem tangendo os ventos
e apaziguando a minha carne moça,

vem molhada de luz, vem sem lamentos,
trazendo um lírio em suas mãos de louça.

Já é chegada a hora da partida,
No meu bolso soluça o coração,

por isso, não liguem muito à vida
que para olhar e ver, trago na mão.

Nem olhem, se ainda me veem, para a ferida
que expõe, aberta, a minha solidão.

Parto rendido e entregue aos meus afetos,
e amigos que não tenho, não terei.

Matei as sempre-vivas do deserto
recusando as canções que não criei.

E descobri, sentindo o amor tão perto,
que nada sou do sonho que inventei.

*Poema de Jaci Bezerra extraído de POETAS DA RUA DO IMPERADOR. Recife: Pool, 1986.  Coletânea em homenagem ao Dr. F. Pessoa de Queiroz  e ao jornalista Esmaragdo Marroquim.

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