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PATRIMÔNIO CULTURAL

O legado de Ricardo Brennand para arte e cultura do Estado

O empresário faleceu neste sábado (25), ao 92 anos, no Recife

Josenildo Tenório/Divulgação

Josenildo Tenório/Divulgação

Ricardo Brennand é o responsável pela construção do imponente instituto de artes que leva seu nome, localizado na Várzea

Pernambuco perdeu um dos maiores patronos da arte, da cultura brasileiras, responsável por colocar o Estado na rota internacional de exposições e do turismo cultural que valoriza equipamentos culturais de excelência. O empresário Ricardo Brennand, 92 anos, após décadas no comando dos negócios da família – indústrias de vidro, aço, cimento, porcelana e açúcar – dedicou os últimos anos de sua vida a um amor que aprendeu a cultivar ainda menino, quando ganhou, de seu pai, um canivete. Uma peça de valor inestimável que passou a alimentar no jovem um desejo por descobrir mundos e coisas valiosas que contam histórias do passado do homem. Ao longo da vida, nas viagens que fez por todo mundo, Europa e Ásia, passou a ir a leilões e descobrir coleções particulares, de onde começou a adquirir uma grande quantidade de armas e outro objetos.

Em 2002, ele inaugura o Instituto Ricardo Brennand (em homenagem ao tio, homônimo, e pai de Francisco Brennand, seu primo). O espaço cultural sem fins lucrativos passou a fazer a salvaguarda do valioso acervo artístico e histórico originário da sua coleção particular. Localizada nas terras da família, no bairro da Várzea, numa reserva de Mata Atlântica preservada, o IRB tem como missão “a preservação, a difusão e o acesso à cultura e herança material e imaterial, visando a promoção do capital humano e cultural”.

No local, Ricardo Brennand construiu uma das mais modernas instalações museológicas do Brasil, que abrange um complexo de edificações: Museu Castelo São João (museu de armas brancas), Pinacoteca, Biblioteca, Auditório, Jardins das Esculturas e uma galeria para exposições temporárias e eventos.

No acervo da pinacoteca constam: mapas, moedas, cachimbos, documentos originais do século XVII, e a maior coleção particular do Brasil de pinturas e paisagens do artista holandês Frans Post. Além de obras dos viajantes que vieram ao Brasil depois da abertura dos portos, além de outros expoentes da Academia Imperial. Através destas coleções, é possível saber como era o Recife no século XVII, incluindo-se as suas flora e fauna.

Há que se destacar ainda o aspecto da educação e da formação, sempre destacados por Ricardo Brennand como eixos fundamentais de todo patrimônio instalado em suas terras. O IR passou a oferecer diversos tipos de formação e cursos, além de visitas guiadas a estudantes de escolas públicas. Algumas ações, em parceria com órgãos governamentais, como a Secretaria de Cultura de Pernambuco e a Fundarpe.

“Na minha vida, meu sucesso como empresário foi, em grande parte, fruto do apoio que sempre recebi da minha gente, dos meus colaboradores e da permanente companhia do meu Pai Antônio e do Tio Ricardo. Além de Graça, mulher dedicada, que me deu oito filhos, companheiros do dia-a-dia, solidários com meus sonhos e que serão meus sucessores e responsáveis pela manutenção e conservação deste Patrimônio Cultural de Estudos Brasileiros. Assim, para resgatar parte do que de todos recebi, com desapego pelas coisas materiais e coragem indispensável para enfrentar os desafios, pude ver o nascimento desta obra, ao fincar, aqui, em São João da Várzea, as bases do Instituto Ricardo Brennand em homenagem ao meu tio”, deixou registrado Ricardo Brennand.

Seu legado ficará nos pernambucanos e brasileiros que tiveram e ainda poderão ter a oportunidade de desfrutar de todo patrimônio material e imaterial que o IRB abriga.

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