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PATRIMÔNIO CULTURAL

Preservação de patrimônios urbanos em pauta

Conferência da VIII Semana do Patrimônio Cultural abordou temas relacionadas ao aglomerado urbano, convergência de prática e sociabilidade e a execução de culturas urbanas.

Costa Neto

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Os professores Bartholomeu Tito Figueirôa e Rogério Proença, durante a realização da conferência, ocorrida no auditório do CFCH/UFPE.

Por: Roberto Moraes Filho

Compondo a programação final da VIII Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, a conferência ‘Patrimônios Urbanos – Em que cidade queremos habitar?‘, ocorrida nesta quarta-feira (26), no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFPE, foi conduzida pelo doutor em Ciências Sociais e professor da Universidade Federal do Sergipe, Rogério Proença. Abordando conceitos como tendências de urbanização, dimensão e modernização de cidades, o evento também contou com a participação do doutor em Antropologia e professor da Universidade Federal de Pernambuco, Bartholomeu Tito Figueirôa.

Analisando inicialmente o fato ocorrido no Estado Islâmico, onde o templo sagrado de Baal Shamin, em Palmira, foi implodido recentemente, destruindo uma das principais relíquias arqueológicas do período romano, Rogério Proença ressaltou: “Todo patrimônio é como um alvo da escrita da história”, e questionou: “Por que atacar um patrimônio histórico e acabar com os vestígios de sua existência?”. A argumentação para os presentes, envolveu questões como a memória enquanto preservação e o esquecimento de uma era enquanto fator necessário. “Se não tivermos a consciência do que foi o sistema escravocrata, por exemplo, não teremos o discernimento para compreender a força simbólica de um patrimônio”, destacou Proença.

Fazendo menção ao reconhecimento oferecido por instituições públicas, para que a questão da preservação de um patrimônio seja uma conquista da sociedade, o professor foi enfático: “Força e eficácia simbólica são necessárias por representarem, especialmente de forma pedagógica, a importância que um determinado patrimônio traduz. E justamente por isso, toda ação pedagógica possui dois pontos: ou ela educa ou ela deseduca. Achamos quando estamos certos quando atribuímos um determinado valor a um bem. Mas, precisamos compreender que nem todos são obrigados a aceitar a preservação de um determinado bem. Órgãos responsáveis pela questão precisam tratar a preservação de forma pacífica, porque a verdade é uma construção social, assim como o enunciado também se trata de uma construção”.

Costa Neto

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Professor Rogério Proença

Após a introdução, o tema ‘Patrimônios Urbanos – Em que cidade queremos habitar?’, foi destrinchado a partir de temáticas como o aglomerado urbano, o centro operacional da vida econômica e política, a convergência de prática e sociabilidade, e a execução de culturas urbanas. Como tendências urbanas, exemplos relacionados às dez cidades mais populosas do mundo foram explorados pelo professor, envolvendo questões como poluição sonora, construções civis inadequadas aos espaços urbanos, a falta da qualidade e disponibilidade de transportes públicos e o processo de modernização das cidades.

“A sociedade de consumo passou a regular o fluxo da vida das cidades e com isso, tudo passou a ser visto como uma mercadoria, que passa pelos setores econômicos e políticos, até chegar ao patrimônio. Por isso, podemos afirmar que o patrimônio não é dado pela sociedade, ele é construído”, explicou o professor.

Tendo como exemplo o Bairro do Recife, que na década de 1990 passou por um processo de revitalização considerado bem sucedido, Rogério Proença afirmou: “Todo processo de gentrificação está errado”, referindo-se aos moradores de classe média baixa que passaram anos habitando a localidade histórica da capital pernambucana. “O projeto estaria correto se tivesse sido inclusivo, deixando que a realidade daquelas pessoas fosse incorporada a sua proposta”, opinou. “Na cidade de Porto, em Portugal, a Ribeira passou por um processo parecido com o realizado no Bairro do Recife, adotando inicialmente um sistema de segurança na localidade e posteriormente, de forma mais humana, atendeu as necessidades de revitalização daquela população, sem precisar tirar os moradores daquela área tradicional”.

“Lidar com a intervenção pública é lidar também com a própria vida de uma cidade. Eu acho que se cobra muito por patrimônio, como também se cobra de ações em prol do turismo, quando não é bem assim. Os órgãos de preservação ainda não se dedicaram a um projeto de educação patrimonial eficiente para a população. Muita coisa ainda necessita ser feita”, concluiu Rogério Proença. A conferência também contou com a realização de um debate com os participantes, que puderam expor dúvidas e questionar sobre questões relativas aos espaços públicos urbanos, um dos tópicos abordados durante o encontro.

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