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PATRIMÔNIO CULTURAL

Processos de reconhecimento para patrimônios imateriais são discutidos na Caixa Cultural

O encontro, que aconteceu nesta quarta-feira (27), foi promovido pela Fundarpe e o Iphan

Costa Neto/Secult-PE/Fundarpe

Costa Neto/Secult-PE/Fundarpe

Seminário reuniu representantes de várias entidades patrimoniais e grupos populares

O seminário “O Processo de Reconhecimento do Patrimônio Imaterial de Pernambuco: inventários do Maracatu Nação, Maracatu de Baque Solto e Cavalo-Marinho”, realizado nesta quarta-feira (27), na Caixa Cultural Recife, reuniu representantes dos três bens culturais, a fim de promover o diálogo sobre as conquistas e o novo cenário que se apresenta diante da patrimonialização desses bens. O encontro foi promovido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e contemplou o processo de reconhecimento desses bens culturais como parte do conjunto de políticas públicas de preservação do patrimônio cultural imaterial pelo Estado e pelo Iphan.

Abrindo o evento, Marcelo Renan, integrante da Gerência de Preservação Cultural da Fundarpe, apresentou a trajetória de alguns dos processos já favorecidos ou em fase de análise. “O registro é um importante reconhecimento destinado aos mestres da cultura popular, especialmente por envolver a transmissão de saberes. É um processo demorado, desde a intenção pretendida, até a sua resolução. Mas é válido para que obtenhamos conquistas como no último domingo (24 de maio), com a entrega dos certificados de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil para Maracatus de Baque Solto e grupos de Cavalo-Marinho”, ressaltou Marcelo.

Em seguida, o antropólogo do Iphan Pernambuco, Giorge Bessone, falou sobre o Inventário Nacional de Referências Culturais, elencando as salvaguardas já existentes de 37 bens culturais. “O inventário se trata, sobretudo, de um resultado adquirido através do diálogo entre dententores, mestres e brincantes. Não se trata de um tombamento, mas sim, de um registro destas identidades, visando especialmente a documentação”, explicou Bessone. “Um destes exemplos são os mamulengos, que tiveram o processo iniciado em 2004 e somente 10 anos depois puderam ser reconhecidos”, comentou.

Costa Neto/Secult-PE/Fundarpe

Costa Neto/Secult-PE/Fundarpe

A pesquisadora Maria Alice Amorim falou da sua experiência com os grupos da Mata Norte

Para tratar dos “Inventários do Maracatu Nação, Maracatu de Baque Solto e Cavalo-Marinho”, a pesquisadora Maria Alice Amorim fez um apanhado do seu projeto de pesquisa com os grupos da cidade de Nazaré da Mata. “Com a realização do dossiê ‘Poéticas da Tradição – Festas do Improviso’, publicado em 2011, procurei perceber o que existia de espiritualidade no fluxo de encontros como sambadas e ensaios nos terreiros de maracatus. Conclui que a poética dos mestres está fortemente atuante para que aquele fluxo se torne uma aglutinação composta por vários elementos de cunho espiritual”, relatou.

Manoel Salustiano, presidente da Associação dos Maracatus de Baque Solto de Pernambuco (AMBS-PE), falou sobre a importância do título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. “Vejo a titulação como um complemento para a luta tanto dos que fazem os terreiros de maracatus, quanto para aqueles que admiram nossas tradições. Para conhecer a cultura popular é preciso viver essa cultura. As pessoas que se aproximam pensando que vão aprender alguma coisa, não aprendem nada. Só vão aprender se passarem a viver a realidade da cultura popular”, disse. ”Atualmente somos 119 maracatus de baque solto. A maioria das pessoas pensa que somos apenas aquilo que elas veem durante o Carnaval. Elas não sabem do esforço que é feito para podermos ensaiar tudo aquilo durante o ano inteiro. Por isso, vejo essa questão da titulação apenas como um complemento para a continuidade de nossa luta”, afirmou Salustiano.

Tratando sobre o Inventário para grupos de Cavalo-Marinho, a pesquisadora paulista Beatriz Brusantin (UNICAP), comentou sobre as descobertas deste universo ao longo de sua pesquisa. “Foram 81 figuras de Cavalo-Marinho que conseguimos catalogar. E através de registros em áudio, nosso material para compor o inventário se tornou bastante rico, reunindo detalhes de um ano e meio de pesquisa. Não foi fácil, especialmente por conter histórias que vão desde a sua real origem no tempo da escravidão, quando a brincadeira era praticada de forma escondida na região da Mata Norte de Pernambuco”, disse Beatriz.

Representando grupos de Cavalo-Marinho, o Mestre Grimário também deu seu depoimento. “Comecei aos 8 anos. Essa foi minha escola e minha faculdade. Fui aprendiz do Mestre Batista, com quem aprendi o universo do Cavalo-Marinho em um chão batido. Hoje, graças ao título, posso me considerar um doutor do terreiro. Daquele tempo de minha aprendizagem eu sinto saudade sim, porque a brincadeira era para ser a noite inteira, e não em apenas 50 minutos, como geralmente são nossas apresentações”.

Por fim, a professora universitária Isabel Guillen, coordenadora do Inventário Nacional de Referências Culturais do Maracatu Nação, juntamente com Fábio de Souza Sotero, presidente da Associação dos Maracatus Nação de Pernambuco (AMANPE), falaram sobre o procedimento para concluir o inventário, tendo em vista as dificuldades relacionadas a alguns grupos de Maracatu Nação. “Foi um trabalho que ainda não terminou. Iremos complementar a pesquisa com os grupos percussivos. Eles, na maioria das vezes, não gostam de ser classificados dessa forma, mas é quando o Maracatu Nação atinge uma batucada diferenciada da de sua origem”, informou Guillen.

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