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PATRIMÔNIO CULTURAL

Rádio Frei Caneca é tema de roda de conversa na IX Semana do Patrimônio

Realizado no Museu Cais do Sertão, o encontro contou com a participação de vários artistas, profissionais e estudantes de Comunicação Social

Jan Ribeiro/Secult-PE

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De acordo com Patrick Torquato, diariamente a Rádio Frei Caneca já veicula 400 músicas, das quais 120 são pernambucanas

O entendimento sobre a questão da preservação do patrimônio cultural também passa por uma sociedade mais informada e cidadã. Neste sentido, a IX Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, na tarde desta quinta-feira (18), realizou um importante debate sobre ‘a Rádio Frei Caneca enquanto veículo de divulgação da música pernambucana. A roda de conversa foi realizada no Museu Cais do Sertão, no Bairro do Recife, e contou com a presença de vários artistas, estudantes e profissionais da comunicação.

Assuntos como o processo burocrático de implantação da rádio, questões orçamentárias e formação de equipe técnica e programação, entre outros temas, deram o tom do debate. A mesa foi formada por personagens relevantes no recente processo de implementação da Frei Caneca FM, como o ex-secretário de Cultura do Recife, Renato L.; Patrick Torquato, integrante da Fundação de Cultura da Cidade do Recife e responsável pela implantação da rádio;além do jornalista e consultor do SEBRAE, Leonardo Salazar, este último também autor do livro Música Ltda.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Participaram do debate o ex-secretário de Cultura do Recife, Renato L., Patrick Torquato, responsável pela implantação da rádio, e o jornalista e consultor do SEBRAE, Leonardo Salazar

Num primeiro momento, Patrick Torquato falou sobre as 54 propostas de gestão, financiamento e programação da emissora pública. Todas elas foram desenvolvidas através de reuniões realizadas por três grupos de trabalhos, os quais foram montados para discutir os modelos que serão empregados para o funcionamento da rádio. De acordo com Patrick, por exemplo, um dos pontos que estão nesta proposta é que a programação da Frei Caneca FM seguirá a tríade ‘Cidadania, Cultura e Educação’.

“Este documento irá nortear todas as ações e projetos da rádio para qualquer grupo que assuma a sua gestão no futuro, independente das pessoas e de partidos políticos”, explica. Ao final da fala, Torquato convidou os presentes a participarem na próxima quarta-feira (24), às 14h, de uma reunião no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM) com o objetivo de corrigir e finalizar o texto das propostas desenvolvidas para a Frei Caneca FM.

Segundo Patrick, o ciclo experimental do momento é em relação ao sinal e audiências, mas que virão outros mais à frente. “Estamos testando os melhores horários e audiências pra cada bloco de música. Mas temos a preocupação de que a rádio pública não deixe de ser um espaço de experimentação. Precisamos trazer mais pra perto os estudantes dos cursos de comunicação, para que eles tenham essa vivência. Sem esse tipo de experimentação, o profissional vai tratar o ouvinte como cliente, não como cidadão”.

Para Leonardo Salazar, a ansiedade pela implantação da rádio era tão grande que agora a cobrança para que ela seja efetivamente implantada é equivalente. “Mas acredito que este seja o começo de um ciclo, ainda teremos outros desafios maiores pela frente, como por exemplo, a resistência de alguns grupos empresariais da comunicação”, opina. De acordo com dados revelados por Patrick Torquato, diariamente a Rádio Frei Caneca já veicula 400 músicas, das quais 120 são pernambucanas, dessas 35 frevos.

Um dos participantes do debate foi o jornalista Felipe Mendes, que integrou o programa Estuário, produzido com incentivo do Funcultura e veiculado de 2010 a 2011 na Rádio Folha. Felipe destacou o papel que a Frei Caneca poderá ter na cadeia produtiva da música pernambucana, valorizando toda a cena local. “É importante destacar que divulgar a música produzida aqui em Pernambuco não é apenas tocar as canções na rádio. Ela tem que falar também dos shows, das programações, fazer entrevistas e resenhas, informar a sociedade sobre como de fato funciona esta cadeia”.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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O jornalista Felipe Mendes fez algumas perguntas e falou da importância que a Frei Caneca terá na cadeia produtiva da música pernambucana

Mariana Biggio, uma das apresentadoras da Rádio Matraquinha, programa que também contou com incentivo do Funcultura e segue veiculado na Rádio Folha, falou da sua alegria em ver que existem propostas voltadas para crianças ouvintes. “Fiquei muito feliz e emocionada com a notícia de que teremos no mínimo três horas de programação infantil. Sou formada em Rádio e TV, escuto rádio desde pequena. Acho de extrema importância essa preocupação com a formação de público desde pequeninhos”, Mariana Biggio, uma das apresentadoras da Rádio Matraquinha, programa veiculado na Rádio Folha.

A IX Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco é uma realização do Governo do Estado de Pernambuco, através da Secretaria de Cultura e Fundarpe.

Rádio Frei Caneca - Após 56 anos da criação da emissora, hoje é possível sintonizar a Rádio Frei Caneca na frequência 101,5 FM. Cumprindo mais uma etapa desta longa jornada, a rádio pública do Recife entrou no ar em caráter experimental, há pouco mais de um mês, após um ciclo complexo que incluiu diversas tentativas de localização, projetos de engenharia de telecomunicação e processos licitatórios.

Antena, torre e transmissor estão instalados no Compaz do Alto Santa Terezinha, na Zona Norte da cidade. O estúdio da Frei Caneca funcionará no Paço do Frevo, na Praça do Arsenal. Vale salientar que a Frei Caneca FM é a primeira emissora pública da história do Brasil a entrar no ar com participação popular.

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