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PATRIMÔNIO CULTURAL

Secult-Pe e Fundarpe acatam pedido de tombamento do Palácio Joaquim Nabuco, sede da Alepe

Prédio histórico da Alepe abrigará memória do Legislativo de Pernambuco

Prédio histórico da Alepe abrigará memória do Legislativo de Pernambuco

A Secretaria de Cultura de Pernambuco e a Fundarpe acataram o pedido de tombamento do Palácio Joaquim Nabuco, sede da Assembleia Legislativa de Pernambuco. O pedido foi feito pelo presidente da casa legislativa, o deputado Guilherme Uchoa, fundamentado na documentação apresentada pela Superintendência de Preservação do Patrimônio Histórico do Legislativo do Estado de Pernambuco. A publicação do deferimento do pedido, assinado pelo secretário de Cultura Marcelino Granja, acontece numa data que será emblemática para o edifício histórico: é nesta quinta, 29, que acontece no Palácio Joaquim Nabuco a sua última reunião plenária.

O prédio histórico ficará como museu do Legislativo e da história dos pernambucanos, como já é sua vocação, comprovada pela visita de turistas de todo país e estudantes de várias instituições de ensino do estado. O novo plenário da Alepe funcionará num prédio novo, localizado na Rua da União, que também será inaugurado hoje (29).

O pedido de tombamento será suprimido da fase de notificação, já que o bem material é de propriedade do próprio Estado. “Após a publicidade do ato no Diário Oficial, o processo segue para o corpo técnico da Gerência de Preservação do Patrimônio da Fundarpe, que poderá acrescentar novas documentações e posteriormente encaminhar para a análise e decisão final do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural. Durante todo o trâmite do processo, o bem fica protegido como se já tombado estivesse”, esclarece Márcia Souto, presidente da Fundarpe.

No pedido para tombamento do imóvel, a Alepe argumenta que o tombamento garantirá a salvaguarda do edifício e seu acervo, configurando-se “como um reconhecimento, por parte do Estado de Pernambuco, da importância desse patrimônio para o Parlamento, para os seus membros e para todos os cidadãos, que têm direito a ter sua história divulgada e preservada, como herança para as futuras gerações”, defende Guilherme Uchôa.

HISTÓRICO – O Paço da Assembleia Legislativa de Pernambuco teve sua pedra fundamental assentada em 02 de dezembro de 1870, sendo concluído em 1875, quando passou a abrigar o Poder Legislativo Estadual de Pernambuco. O local está localizado nas proximidades do Palácio do Governo, às margens do rio Capibaribe, na Rua da Aurora, bairro da Boa Vista que, à época da construção do edifício, passou a receber sobrados de veraneio e edificações que abrigavam outras instituições públicas, tornando-se uma área nobre da cidade.

O projeto foi de autoria do major do Corpo de Engenheiros e Bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas Tibúrcio de Magalhães, inspirado no estilo Neoclássico, que também norteou vários edifícios públicos daquele período, como o Palácio de Buckingham, na Inglaterra, e o Capitólio, nos Estados Unidos. Entre os elementos constitutivos do estilo Neoclássico presentes na edificação, podem ser destacados a simetria da planta baixa, em forma de cruz latina, a cúpula, estruturada por arcos, as colunas lisas e capiteis, frontão em formato triangular e o entablamento composto por frisos e cornijas.

Além do estilo predominantemente neoclássico, houve a utilização de elementos decorativos, em argamassa de estuque de cal e areia, que fazem referência à flora local e o uso de gradis em ferro fundido, que fazem a proteção dos parapeitos das galerias e das sacadas do Plenário e estão presentes na murada e portões da área externa, configurando a presença do ecletismo no partido arquitetônico.

Salão nobre do Palácio Joaquim Nabuco

Salão nobre do Palácio Joaquim Nabuco, com móveis dos anos 1870/80

Em 2010, o prédio foi oficialmente reconhecido como Instituição Museológica pelo Instituto Brasileiro de Museus – Ibram e também está tombado, pela Fundarpe, através de decreto do ano de 1985, como parte do polígono da Rua da Aurora. Este tombamento de 1985 protege apenas a fachada e volumetria do edifício, e não sua estrutura interna e acervo.

O Museu da Alepe preserva boa parte dos móveis confeccionados especialmente para o Palácio Joaquim Nabuco nas décadas de 1870/80, e outros trazidos do Forte do Matos, sede inicial do Parlamento Pernambucano. As peças mais antigas são as cadeiras em couro lavrado, com solas pregadas na madeira com tachas. Além delas, integram o acervo mesas, marquesãos, consoles, cinzeiros, cuspideiras e outros itens importantes como a pinacoteca, os lustres, as arandelas e os elementos em madeira e em ferro fundido. Também conta com um extenso acervo documental histórico, único e raro, que registra a história da Casa Joaquim Nabuco e dos pernambucanos.

Para a Alepe, o tombamento da edificação contribuirá não só para preservação da memória do legislativo, da arquitetura e mobiliário nele contido, mas também contribuirá para a execução de projetos de restauro, manutenção preventiva e expansão dos projetos de visitação.

 

 

 

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