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PATRIMÔNIO CULTURAL

Semana do Patrimônio discute os desafios dos museus na contemporaneidade

Na tarde desta quarta-feira (19), o Cais do Sertão sediou uma roda de conversa com gestores de instituições museológicas para uma troca de experiências e vivências à frente dos equipamentos culturais

Costa Neto/Secult-PE/Fundarpe

Costa Neto/Secult-PE/Fundarpe

O evento reuniu os gestores Betânia Correia (Museu da Cidade do Recife), Eduardo Sarmento (Paço do Frevo), Célio Pontes (Cais do Sertão), Regina Batista (ex-diretora do Museu do Homem do Nordeste) e a professora e museóloga Emanuela Ribeiro (UFPE)

Repensar os equipamentos culturais, atrair público, administrar o orçamento, cuidar e preservar o acervo. Essas e tantas outras questões permearam a roda de conversa que a 8ª Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco realizou na tarde desta quarta-feira (19), no Cais do Sertão, para discutir “Os desafios do Museu na contemporaneidade”. O evento, que contou com a participação dos gestores Betânia Correia (Museu da Cidade do Recife), Eduardo Sarmento (Paço do Frevo), Célio Pontes (Cais do Sertão), Regina Batista (ex-diretora do Museu do Homem do Nordeste) e da professora e museóloga Emanuela Ribeiro (UFPE), proporcionou ao público uma riquíssima troca de experiências e vivências, sob o viés de três palavras-chaves: novas tecnologias, gestão e sustentabilidade.

Quem abriu o debate foi Betânia Correia. À frente do Museu da Cidade do Recife há dez anos, a gestora destacou a criatividade como grande aliada para manter as instituições museológicas funcionando e ter que driblar os problemas que surgem no dia a dia. “Somos desafiados cotidianamente a manter nossas portas abertas e, principalmente, atrair público para nossos espaços. [...] Logo que cheguei ao Museu da Cidade, encontrei uma sala com 1.600 mapas enrolados, e um orçamento baixíssimo para dar conta, além da melhoria de nossa estrutura, da preservação e digitalização desse material. Graças às parcerias e aos contatos que fizemos ao longo desses anos, a maioria do nosso acervo já está catalogada e digitalizada”, contou.

Ex-diretora do Museu do Homem do Nordeste, pertencente à Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), a museóloga Regina Batista destacou em sua fala que, embora haja uma demanda constante por novas tecnologias nos equipamentos culturais, é preciso manter um contato constante com a sociedade civil para saber o que ela deseja encontrar/ver/fruir nesses espaços. “Os museus há muito tempo já não ocupam quatro paredes. O cubo branco não existe há várias décadas. Ter página no Facebook, manter um site atualizado com informações relevantes ou ter projetores e novas mídias dentro dos museus, por si só, não representam interatividade com os visitantes. É preciso interagir com a comunidade, saber o que eles querem visitar no acervo. E mais do que isso: identificar quem é o público que frequenta esses espaços. A tecnologia deve ser usada como um meio e não como um fim”, disse.

A professora Emanuela Ribeiro aproveitou o gancho das novas tecnologias para trazer à tona a discussão da salvaguarda de objetos digitais que estão bem presentes no acervo dos novos museus. “Precisamos atentar para o fato que, ao contrário de quadros e objetos que apresentam um materialidade física, os metadados possuem uma especificidade bastante peculiar para preservá-los. Além criar ambientes interativos, temos que começar a nos preocupar como faremos para guardar a memória de tudo isso que já nasce no campo virtual”, afirmou.

Costa Neto/Secult-PE/Fundarpe

Costa Neto/Secult-PE/Fundarpe

Gestores relataram suas experiências à frente dos equipamentos culturais

Eduardo Sarmento, gestor do Paço do Frevo, fez questão de frisar que os museus estão mudando e que é preciso, além de criatividade, diminuir a distância que ainda existe entre o público e esses equipamentos. “Atualmente, as pessoas não querem só ir visitar as instituições museológicas. Elas querem participar, criar, interagir e contribuir com os acervos dos museus, que cada vez mais têm perdido esse aspecto impenetrável e autoritário de antes. Os gestores têm que aproveitar essa troca com os visitantes e, aliados a uma estratégia digital/tecnológica bem definida, construir um espaço de encontro e de fruição cultural, que consiga minimamente se autogerir”, relatou.

Já Célio Pontes, baseado em sua experiência na gerência do Cais do Sertão, contou que a tecnologia é um excelente recurso na promoção e gestão dos museus, desde que esteja atrelada a um propósito. ”Temos um espaço que sabe aproveitar bem os recursos tecnológicos, mas eu quero dizer que a tecnologia sozinha não consegue trazer visitantes ao Cais. Há, por trás de tudo isso, uma curadoria que se preocupou em montar um acervo que não só dialogasse com a história do Luiz Gonzaga, bem como com a identidade do povo nordestino”, disse.

Mais do que soluções, a roda de conversa trouxe uma série de questões que fez todos os presentes repensarem a maneira como os museus são concebidos e geridos atualmente. Os desafios são muitos, mas é preciso enxergar, principalmente nas parcerias e vínculos firmados com outras instituições, oportunidades que mantenham vivo o acervo desses espaços e façam com que as pessoas se sintam atraídas a frequentar cada vez mais os equipamentos culturais.

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