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PATRIMÔNIO CULTURAL

Seminário discutiu protagonismo das mulheres na cultura pernambucana

Atividade acontece na Caixa Cultural Recife, sendo uma realização da SecMulher-PE, Secult-PE, Fundarpe, Iphan-PE, MinC e Paço do Frevo.

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Na mesa de abertura, Elton Rodrigues (Caixa Cultural Recife), Márcia Chamixaes (Fundarpe), Sílvia Cordeiro (secretária estadual da Mulher); Fernando Augusto (Iphan-PE), e Nicole Costa (Paço do Frevo).

Por: Roberto Moraes Filho

O seminário “Gênero e Patrimônio Cultural”, aberto na tarde de quarta-feira (2/12), no auditório da Caixa Cultural Recife, abordou com representantes de entidades públicas pernambucanas uma série de aspectos relacionados à liderança feminina em segmentos como música, artesanato, circo, teatro e cultura popular. As políticas públicas de cultura  voltadas à atuação das mulheres também surgiram no debate.

“Em pleno 2015, ainda temos homens que fazem cultura sem reconhecer o fundamental papel das mulheres em suas expressões artísticas. A cultura é o lugar da gente expressar abertamente esta situação, colocando homens e mulheres no mesmo patamar”, frisou a secretária estadual da Mulher, Sílvia Cordeiro. “Desde 1938 que a história das mulheres tem sido uma constante batalha para alcançar esta possibilidade. Nos segmentos da cultura, a luta não pode ser diferente”, destacou.

A mesa de abertura contou ainda com as participações de Márcia Chamixaes, gerente geral de Preservação do Patrimônio Cultural da Fundarpe; Fernando Augusto de Souza Lima, representante do Iphan-PE; Nicole Costa, gerente de conteúdo do Paço do Frevo; e Elton Rodrigues, supervisor da Caixa Cultural Recife.

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Lia de Itamaracá, uma das sete mulheres homenageadas durante o evento.

Após a explanação dos palestrantes, o seminário rendeu homenagens a mulheres ícones da cultura pernambucana. Detentoras do título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, a cantora e compositora Lia de Itamaracá e a multiartista circense Índia Morena, emocionaram o público falando brevemente sobre suas trajetórias. “São 62 anos dentro de um circo e se tirarem ele de mim, eu irei morrer antes do tempo. É lá que eu vivo minhas alegrias e é por causa daquele espaço que alcancei vários títulos como cidadã e como artista. Hoje, o meu grande sonho é ver todo o acervo que possuo da carreira exposto ao público em um centro cultural”, comentou Índia Morena.

Para Lia, o momento foi de agradecer ao público pelos 59 anos dedicados a carreira artística, iniciada ainda na adolescência. “Todo o meu amor e carinho a vocês por esta homenagem. É pela continuidade da ciranda que levo o conhecimento do meu trabalho de norte a sul deste país. Eu sou Lia”, disse a rainha da ciranda. A ceramista de Tracunhaém e também Patrimônio Vivo de Pernambuco, Maria Amélia, foi uma das sete mulheres homenageadas durante o evento. Por problemas de saúde, Maria Amélia não pode comparecer.

Em memória de Selma do Coco, falecida em maio deste ano, e de Juracy Simões, presidente do Clube Indígena Canindé, que faleceu no mês de junho, Adriana Ferreira (neta de Selma) e Iaci Silva (filha de Juracy), representaram as duas homenageadas. “Agradeço às entidades realizadoras do evento por proporcionarem este reconhecimento à minha avó. Nós, suas netas, estaremos seguindo com o coco e não vamos deixar o legado de Selma ser esquecido”, ressaltou Adriana. “A Deus e a todos os integrantes do Clube Canindé, dedico este momento representando a minha mãe. Vou citar uma coisa que ela sempre dizia: sou guerreira, sou mulher, sou da Tribo do Canindé”, recordou Iaci. Ana das Carrancas também foi lembranda durante a cerimônia.

A atriz, pedagoga e encenadora Arary Marrocos, também foi homenageada. Representando o Teatro Experimental de Arte (TEA), de Caruaru, que desde 2008 é reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco e também é ponto de cultura, Arary falou um pouco da trajetória do coletivo, no qual já passaram cerca de 1.500 atores e atrizes, e lembrou de sua atuação para torná-lo possível: “Surgiu para que implementássemos na cidade uma maneira diferente de fazer teatro. Por isso minha luta foi intensa e hoje acredito no potencial que as mulheres possuem para enfrentar iniciativas culturais como a do TEA. Não podemos desistir diante do machismo e de outras barreiras que se fazem presentes”.

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Maria Alice Amorim, abrindo a conferência ‘Mulheres Patrimônios Vivos de Pernambuco’.

Posteriormente, a escritora e pesquisadora Maria Alice Amorim abriu a conferência ‘Mulheres Patrimônios de Vivos de Pernambuco’, ressaltando cada uma das sete mulheres homenageadas e o papel enquanto referências culturais e expressões e hibridismos culturais, contextualizados através do coco, do maracatu, das danças e dos vários folguedos existentes na cultura pernambucana. “Estas grandes mulheres são porta-vozes de memórias e expressões tradicionais que necessitam ser levadas adiante, para as próximas gerações. Vocês representam o nosso esteio e é com vocês que reverenciamos a vida”, ressaltou Maria Alice Amorim.

Sobre a patrimonialização, um ponto bastante debatido durante o seminário, especialmente no tocante à sua forma de utilização, a pesquisadora afirmou que o título não serve para “institucionalizar as atividades culturais. Mas sim, para dar voz própria aos Patrimônios Vivos, pelo que estes simbolizam enquanto expressões do estado”.

A conferência também abriu espaço para que os convidados e o público presente pudessem debater temas como invisibilidade, lacunas em relação ao suporte que o título Patrimônio Vivo visa garantir, e ações efetivas que entidades públicas ainda precisam adotar.

O seminário continua nesta quinta-feira (3), e o tema principal será ‘Os Desafios do Protagonismo da Mulher na Salvaguarda do Patrimônio Cultural’, contando com a participação de lideranças atuantes em bens culturais imateriais, reconhecidos como patrimônio cultural do Brasil, como o Maracatu Nação, Maracatu de Baque Solto, Cavalo Marinho, Frevo, a Capoeira e o Mamulengo. As inscrições para o evento já estão encerradas.

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