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PATRIMÔNIO CULTURAL

Terreiro de candomblé Obá Ogunté – Sítio Pai Adão passa por obras de melhorias e restauro

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Situado no bairro de Água Fria, o Obá Ogunté-Sítio Pai Adão ajudou a configurar a paisagem urbana da periferia da zona norte recifense

Religiosidade, cultura e tradição marcam a trajetória do terreiro de candomblé Obá Ogunté-Sítio Pai Adão, localizado em Recife (PE). Trata-se do terreiro mais antigo em atividade no estado, inaugurado em 1875. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia federal vinculada à Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo, investiu em torno de R$ 150 mil em melhorias nas edificações que compõem o templo.

As obras capitaneadas pela superintendência do Iphan em Pernambuco se encerraram no último mês de outubro. O escopo das intervenções contemplou revisão e restauração da cobertura, reestruturação elétrica, inserção de cerca na parte posterior do terreno, entre outros serviços. Tombado pelo Instituto em 2018, o bem cultural foi inscrito em dois Livros do Tombo: o Histórico e o Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico.

Uma das etapas mais aguardadas dos trabalhos foi a instalação do gradil de proteção na árvore conhecida como Iroko. Esta planta da família das gameleiras é considerada sagrada pelos devotos: representa o orixá Iroko, associado ao tempo e à ancestralidade. A parte oca do tronco abrigou objetos sagrados escondidos para escapar das perseguições empreendidas por autoridades policiais contra religiões de matriz africana nas décadas de 1930 e 1940. Atualmente, restam algumas partes do tronco, conservadas como parte relevante da memória e da espiritualidade do bem cultural.

Situado no bairro de Água Fria, o Obá Ogunté-Sítio Pai Adão ajudou a configurar a paisagem urbana da periferia da zona norte recifense. Consiste num terreiro de tradição Nagô/Yorubá, fundado em 1875 pela nigeriana Ifatinuké. No Brasil, ela adotou o nome Inês Joaquina da Costa e tornou-se conhecida como Tia Inês.

O terreiro é consagrada à orixá Iemanjá, também chamada de Obá na tradição Nagô. Com o falecimento de Ifatinuké, Felipe Sabino da Costa assumiu o sacerdócio da casa na função de babalorixá. Após uma viagem para a Nigéria, consolidou ainda mais a tradição Nagô no candomblé pernambucano.

Felipe tornou-se célebre como Pai Adão e cimentou tradições que se difundiram pelo território do estado. O legado do Ilê Obá Ogunté consiste, principalmente, na manutenção da tradição ritualística Yorubá/Nagô. Nesse sentido, destaca-se o uso da língua nativa, falada nos rituais e repassada entre gerações de devotos.

O terreno abarca um edifício principal, casas de alguns dos membros do Ilê e uma capela dedicada a Santa Inês, que atualmente funciona como um pequeno museu com objetos sagrados do candomblé e imagens sacras católicas. Na parte de trás, segue um caminho de terra ladeado à direita e à esquerda por residências de outros membros dessa comunidade de matriz africana, em sua maioria descendentes de Pai Adão. Ao final do terreno, há uma grande área aberta onde se encontra o centenário Iroko.

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Manoel Papai comanda atualmente o templo religioso

Atualmente a casa é comandada pelo babalorixá Manoel Papai, descendente de Pai Adão. O Ilê Obá Ogunté abriga grupos de Afoxé e Maracatu Nação, bem imaterial registrado pelo Iphan como Patrimônio Cultural. O terreiro não apenas representa uma das comunidades de matriz africana mais tradicionais do nordeste do país, como também se consolidou como referência cultural para a identidade afro-pernambucana e afro-brasileira.

Até o momento, o Iphan reconhece 26 bens relacionados aos povos e comunidades tradicionais de matriz africana. Destes, 12 foram tombados como Patrimônio Cultural Material e 14 foram registrados como Patrimônio Cultural Imaterial.

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