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PATRIMÔNIO CULTURAL

Três Fortes situados em Pernambuco podem ser declarados Patrimônios Mundiais

Eles integram o conjunto de Fortificações do Brasil, um dos seis bens que entraram na Lista Indicativa Brasileira do Patrimônio Mundial da Unesco em 2015

PCR

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Forte de São Tiago das Cinco Pontas, no Recife

O Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Nacional (IPHAN) divulgou nesta terça-feira (31), que mais seis bens culturais foram incluídos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) na Lista Indicativa Brasileira do Patrimônio Mundial em 2015.

Entre os bens que integram a lista, está o conjunto de fortificações que tiveram um papel fundamental na ocupação do território nacional. São construções situadas em 10 estados brasileiros, inclusive em Pernambuco, como o Forte de Santa Cruz (Forte Orange), em Itamaracá; o Forte São João Batista do Brum, no Recife; e o Forte São Tiago das Cinco Pontas, também no Recife. De acordo com a nota técnica do IPHAN, as edificações apresentam-se como testemunho material único do contato produzido entre diferentes culturas do Velho e do Novo Mundo.

MinC/Divulgação

MinC/Divulgação

Forte Orange, em Itamaracá

O Comitê do Patrimônio Mundial também poderá avaliar e conceder o título de Patrimônio Mundial aos Geoglifos do Acre (AC), aos Teatros da Amazônia (AM, PA), ao sítio das Itacoatiaras do Rio Ingá (PB), à Barragem do Cedro nos Monólitos de Quixadá (CE) e ao Sítio Roberto Burle Marx (RJ).

Poderão ser futuramente apresentados ao Comitê do Patrimônio Mundial, os geoglifos do Acre, os teatros da Amazônia, as Itacoatiaras do Rio Ingá, a Barragem do Cedro nos Monólitos de Quixadá, o Sítio Roberto Burle Marx e o Conjunto de Fortificações do Brasil para serem avaliados e receberem o título de Patrimônio Mundial.

A Lista é composta pela indicação de bens culturais, naturais e mistos, apresentados pelos países que ratificaram a Convenção do Patrimônio Mundial da Unesco. Essa iniciativa pode ensejar a participação de gestores de sítios, autoridades locais e regionais, comunidades locais, ONGs e outros interessados na preservação do patrimônio cultural e natural do país.

Na última atualização da Unesco, em 2014, três bens culturais brasileiros haviam sido incluídos na lista, juntamente com outros 18 bens naturais e culturais: Cais do Valongo (Rio de Janeiro/RJ), a Vila Ferroviária de Paranapiacaba (Santo André/SP) e o mercado Ver-o-Peso (Belém/PA). Agora a Lista Indicativa brasileira tem 24 bens no total.

Saiba mais sobre os bens culturais brasileiros inscritos na Lista Indicativa do Patrimônio Mundial:

Conjunto de Fortificações do Brasil (AP, AM, RO, MS, SP, SC, RJ, BA, PE, RN): o conjunto de fortificações do Brasil apresenta-se como um testemunho material único de um contato produzido entre diferentes culturas do Velho e do Novo Mundo. As fortificações, edificadas em resposta a esses contatos, marcam o sucesso de uma fórmula singular de ocupação do território, em que os moradores do Brasil tiveram um papel mais fundamental do que a ação dos governos das metrópoles do Velho Mundo, ao contrário do que ocorreu em outras colônias europeias no resto do mundo. As construções feitas com o objetivo de garantir a posse e a segurança dos novos territórios formam um conjunto sem semelhança a outros sistemas fortificados edificados no mesmo período em outros lugares do mundo, tendo um importante papel na ocupação territorial da América do Sul. Estão incluídos a Fortaleza de São José, em Macapá (AP); o Forte Coimbra, em Corumbá (MS); o Forte de Príncipe da Beira, em Costa Marques (RO); a Fortaleza dos Reis Magos, em Natal (RN); o Forte de Santa Catarina, em Cabedelo (PB); o Forte de Santa Cruz (Forte Orange), em Itamaracá (PE); o Forte São João Batista do Brum, no Recife (PE); o Forte São Tiago das Cinco Pontas, no Recife (PE); o Forte de Santo Antônio da Barra, em Salvador (BA); o Forte São Diogo, em Salvador (BA); o Forte São Marcelo, em Salvador (BA); o Forte de Santa Maria, em Salvador (BA); o Forte de N. S. de Montserrat, em Salvador (BA); a Fortaleza de Santa Cruz da Barra, em Niterói (RJ); a Fortaleza de São João, no Rio de Janeiro (RJ); a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, em Guarujá (SP); o Forte São João, em Bertioga (SP); a Fortaleza de Santa Cruz de Anhantomirim, em Governador Celso Ramos (SC); e o Forte de Santo Antônio de Ratones, em Florianópolis (SC).

PCR

Forte São João Batista do Brum, no Recife

Geoglifos do Acre (Acre): trata-se de estruturas de terra escavadas no solo e formadas por valetas e muretas que representam figuras geométricas de diferentes formas. Foram encontrados na região sudoeste da Amazônia ocidental, mais predominantemente na porção leste do estado do Acre, estando localizados em áreas de interflúvios, nascentes de igarapés e várzeas. As pesquisas arqueológicas nessas áreas, ainda que esparsas, dão conta de informações importantes sobre o manejo da paisagem amazônica por grupos indígenas que habitaram a região entre, aproximadamente, 200 AC – 1300 DC e sugerem um novo paradigma sobre o modelo de ocupação da Amazônia por densas sociedades pré-coloniais.

Teatros da Amazônia (Amazonas e Pará): construídos em finais do século XIX, os Teatros Amazonas, em Manaus, e da Paz, em Belém, são expressivos monumentos implantados nos dois maiores centros urbanos da região amazônica como símbolos do apogeu econômico alcançado e representado por um modelo de civilidade europeizada reproduzido nos trópicos em função do auge do Ciclo da Borracha na América do Sul.

Itacoatiaras do Rio Ingá (Paraíba): localiza-se na zona rural do Município de Ingá, a 105 km de distância da cidade de João Pessoa (PB). As primeiras manifestações de arte rupestre na Região Nordeste do Brasil são anteriores a 10.000 A.C. e, apesar dos escassos estudos sobre essas populações pré-históricas, constata-se a produção de uma arte expressiva de gravura rupestre com elevada capacidade técnica. O sítio das Itacoatiaras do Rio Ingá congrega o mais representativo conjunto conhecido desse tipo de gravura no Brasil, que se notabiliza pelo uso quase exclusivo de representações não figurativas na composição de grandes painéis de arte rupestre, exprimindo o gênio criativo de um grupo humano que se apropriou de padrões estéticos abstratos como forma de expressão e, possivelmente, de conceitos simbólico-religiosos, diferentemente de outras culturas que, em sua maioria, utilizaram-se de representações antropomórficas e zoomórficas.

Barragem do Cedro nos Monólitos de Quixadá (Ceará): a Barragem do Cedro, com sua parede em arco de alvenaria de pedra, foi a primeira grande obra hidráulica moderna do continente sul-americano e uma das construções pioneiras do seu tipo e do seu porte no mundo. Para além de sua funcionalidade de represamento d’água para irrigação, sua implantação, seu desenho e seu esmero de execução resultaram em uma paisagem de beleza ímpar, combinando arrojo e elegância, monumentalidade e singeleza, em uma simbiose entre o engenho humano e os monólitos que dão uma característica singular à natureza local.

Sítio Roberto Burle Marx – SRBM (Rio de Janeiro): compreendido como obra de arte, o SRBM espelha, de forma notável, a cultura, a energia criadora e a preocupação científica de Roberto Burle Marx, cuja obra, ao produzir o conceito moderno de jardim tropical, constituiu um paradigma especial no âmbito do movimento modernista brasileiro. Trata-se de um referencial de paisagem construída, um testemunho vivo da mudança do conceito europeu de jardim com rigor formal da composição geometrizada para o conceito de modernidade do jardim tropical como manifestação artística.


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