Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Povos Tradicionais e Populações Rurais

Começou ontem (24/10) o Encontro de Artes e Culturas Indígenas, no Sertão de Itaparica

As 8 etnias presentes no encontro participaram de 3 oficinas: de teatro, de educação indígena e de audiovisual

Toni BragaDos 185 municípios pernambucanos, apenas 10 possuem salas de cinema. Com o desejo de democratizar o acesso às telonas, a Coordenação de Audiovisual da Fundarpe e Secult já realizou mais de 111 escutas por todo o estado, ouvindo as demandas das mais diversas localidades. Hoje, já existem 30 mostras/festivais e 130 cineclubes no estado. Porém, entre os povos indígenas, o audiovisual ainda não chegou com toda a força. Existem apenas 3 povos que realizam cineclube: Fulni-ô, Atikum e Xukuru.

Foi com o intuito de promover a realização e difusão audiovisual entre os indígenas que se realizou ontem, dentro do Encontro de Artes e Culturas Indígenas, aqui no Entre Serras Pankararu, a oficina “Povos Tradicionais e Audiovisual: pensando a política pública”. “A gente vai ficar muito feliz no dia em que todos os povos tradicionais tiverem seu cineclube, produzirem seus vídeos. Se a gente tiver um cineclube em cada lugar desse país, num vai ter pra ninguém, a gente é muito criativo”, diz entusiasmada, a Coordenadora de Audiovisual da Fundarpe e Secult, Carla Francine.

Carla Francine lembra que “Pernambuco tem o terceiro maior investimento em audiovisual do país” e que a Secretaria de Cultura tem o esforço de “formular políticas públicas efetivas, de acordo com os anseios da população”. Tanto é que o Funcultura (Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura) veio com uma novidade esse ano, a criação da categoria “Revelando os Pernambucos”, em que cada Região de Desenvolvimento concorre entre si. Carla conta que a demanda pelo edital surgiu nas escutas que a Coordenação vem fazendo, “As pessoas reclamavam que grande parte do fomento do Funcultura fica na RMR”.

Apesar da disseminação do audiovisual ainda ser pequena entre os indígenas, eles reconhecem a potência que ele tem para suas lutas. Francisco Carlos, Dipeta Tuxá, estudante de direito resolveu falar dos problemas que seu povo vive através do cinema sem ter nenhuma experiência. Ele viu na internet que estava aberto o edital Prêmio de Culturas indígenas e resolveu fazer um vídeo sobre a barragem Luiz Gonzaga, que na década de 1980 inundou 7 cidades para ser construída. “A gente viu a barragem quando a gente era pequeno, perdemos as terras, perdemos parte da nossa identidade, mas não perdemos nossa cultura”, conta Dipeta Tuxá. Com o vídeo “A primeira retomada do povo Tuxá”, ele ganhou o prêmio e tornou a história de seu povo conhecida em todo o país. “O audiovisual é um instrumento de luta, de conquista de território, de empoderamento das comunidades”, afirma Dipeta, que agora não deixa a câmera de lado: “Quando a gente viaja, a câmara tá sempre na mão”, afirma.

Maurílio, jovem do povo Truká, se aproximou do audiovisual através de uma oficina de cineclubismo que fez no encontro indígena do ano passado. Para ele, o cinema é um meio de “interagir com os mais velhos, com as histórias dos antepassados”. “A gente aprende com nosso povo pra repassar pros mais novos”, afirma.

Também os oficineiros Alexandre, do povo Pankararu e Graciela, Guarani-Kawohá são indígenas já bem próximos do audiovisual. Eles correm o país realizando oficinas de vídeo nas aldeias, desde 2009, com a produtora Peteixe Rajy, “Filha única”. Aqui no encontro eles ensinarão os jovens indígenas a realizar vídeos com aquilos que eles têm na mão, seja uma câmera ou um celular. “Nós queremos usar essa ferramenta em prol da luta, fomentar isso na juventude”, afirma Alexandre.

Além da oficina de audiovisual, os indígenas participarão nesses três dias de encontro, que começou ontem (24/10) e vai até o sábado (26/10), de rodas de debate sobre a educação indígena, de uma oficina de teatro e de trocas dos artesanatos de seus povos. O encontro reúne 8 etnias indígenas para trocas culturais e debates sobre as políticas públicas de cultura.

 

 

 

< voltar para home