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Povos Tradicionais e Populações Rurais

Cultura forjada na resistência

Na comunidade Quilombola Chã de Negros, em Passira, o FPNC celebrou a beleza da cultura afro-brasileira

Costa Neto/Secult-PE

por Leonardo Vila Nova

No antigo refúgio, negros guerreiros que não se curvaram ao cativeiro imposto pelo branco colonizador. Escondidos, embrenhados, lá ergueram suas trincheiras e empunharam uma resistência… étnica e cultural. Os quilombos tornaram-se, então, redutos de comunidades inteiras que, desde séculos passados, fizeram sobreviver a cultura negra ao longo dos séculos. Chã de Negros, em Passira, é uma dessas localidades onde os descendentes dos que, um dia, foram acorrentados, hoje, celebram a vitória e liberdade. O Festival Pernambuco Nação Cultural aproveitou a passagem por Taquaritinga do Norte e levou à cidade vizinha, nesta sexta (12), grupos que comungam das mesmas matrizes: a África que pulsa em nossas veias.

Costa Neto/Secult-PE

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Grupo Ifá Rhadhá de Art’Negra, de Olinda

Há relatos de que Chã de Negros existe desde o século XVIII, quando lá chegaram as três primeiras famílias. Hoje, são mais de 150, que vivem da agricultura familiar, outros são professores, funcionários públicos. Mas todos, acima de tudo, estão irmanados pelo mesmo sentimento: o de preservação das suas tradições. “É o que temos de mais precioso aqui e a nossa luta é para que possamos preservar e deixar para os mais novos a nossa tradição”, conta a professora Goreti Martins, que é também representante da comunidade. Chã de Negros se tornou Ponto de Cultura, a partir dos projeto Contos e Danças de Roçado, que tem como sua principal proposta manter viva a tradição do coco de roda tradicional da localidade.

Costa Neto/Secult-PE

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Balé Afro Raizes, de Peixinhos (Recife)

Como estratégia de fortalecimento dessa cultura, é necessário ver, ouvir e intercambiar com outras manifestações que tem a contribuir com a preservação dessa tradição. Desse diálogo, em que a cultura negra é o principal norte, participaram de uma tarde de celebração em Chã de Negros, o Balé Afro Raízes – de Peixinhos, no Recife -, o grupo Ifá Rhadhá de Art’Negra. Cada um falou um pouco de suas experiências e, em seguida, mostraram sua arte aos quilombolas. Gilson Gomes, do Balé Afro Raízes – uma das crias do Magê Molê, de Peixinhos -, sentia-se energizado em estar no meio daquela celebração. “É recompensador estar aqui, nesse local, onde muitos dos nossos irmãos resistiram bravamente. E é melhor ainda ver que somos irmãos na nossa cultura, principalmente, nessa troca de afinidades e experiências”, conta ele.

Costa Neto/Secult-PE

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Seu Severino Otaviano – o “Chico Véi” – cantou coco de roda tradicional

O Raízes mostrou uma apresentação em que reviveu as agruras do povo negro, no período da escravidão e a vitória do povo negro sobre a suposta hegemonia branca. Na sequência, o Ifá Rhadhá encenou um texto onde chama a atenção, através de uma reflexão crítica, sobre a situação dos afro-brasileiros ao longo dos séculos. Para encerrar a celebração, pra cima, seu Severino Otaviano, mais conhecido como Chico Véi, mandou formar a roda para entoar o tradicional coco de roda da comunidade. E foi pisada de pé cadenciada até o anoitecer. “Receber essas visitas aqui hoje só faz engrandecer a gente que ouviu tanto dos nosso pais e avós histórias de tristeza e sofrimento, mas que também tinham seus momentos de alegria. E assim foi que surgiu o coco de roda, pra hoje, a gente dançar e se divertir, junto com esses amigos que vêm de fora”, exaltou Chico Véi.

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