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Povos Tradicionais e Populações Rurais

Formada comissão para Encontro Regional do Nordeste de Ciganos

Costa Neto

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Gilson Matias (MinC), Bernadete Lopes (Semas), Márcia Souto (Fundarpe), Renato Athias (UFPE), Enildo Soares Kalon (ACIPE) e Francisco de Assis (Secult-PE), representam a comissão formada durante a reunião preparatória.

Por: Roberto Moraes Filho

Durante reunião promovida na quarta-feira (17), pela Coordenação de Povos Tradicionais e Populações Rurais da Secult-PE, o Teatro Arraial Ariano Suassuna, no Recife, recebeu representantes de 22 comunidades ciganas do Estado, para deliberarem propostas relacionadas à formação de uma comitiva estadual destinada ao 1º Encontro Regional do Nordeste de Ciganos. O evento será realizado na cidade de Souza, na Paraíba, entre os dias 10 e 11 de julho.

Compondo a mesa do encontro, estiveram presentes o presidente da Associação dos Ciganos de Pernambuco (ACIPE), Enildo Soares Kalon; a presidenta da Fundarpe, Márcia Souto; o professor do Departamento de Antropologia da UFPE, Renato Athias; a gestora do Programa de Comunidades Tradicionais da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Bernadete Lopes; o chefe da representação regional do Ministério da Cultura no Nordeste, Gilson Matias; e Francisco de Assis, articulador regional da Coordenação de Povos Tradicionais e Populações Rurais da Secult-PE.

Entre as principais questões debatidas, destaque para entraves burocráticos que ainda dificultam a efetivação de alguns direitos desta população. “Percebemos inúmeros casos de preconceitos vivenciados pelos ciganos, especialmente quando se tratam de questões ligadas às origens destas populações, ocasionando na falta de registros documentais. Vários programas como o bolsa família, por exemplo, não é concedido a povos ciganos pela falta da documentação legal exigida no ato de cadastramento”, comentou Bernadete Lopes, gestora do Programa de Comunidades Tradicionais da Semas.

Outro ponto colocado em discussão foi a atualização de uma cartilha de inventário cultural cigano, elaborada pela Coordenação de Povos Tradicionais e Populações Rurais da Secult-PE, na qual constam históricos e dados sobre as 22 comunidades mais conhecidas no Estado. Elas estão situadas tanto em zonas rurais, como nas zonas urbanas dos municípios de Itambé, Feira Nova, Paulista, Olinda, Jaboatão, Caruaru, Altinho, Garanhuns, Saloá, Lagoa de Ouro, Pesqueira, Salgueiro, Arcoverde, Afogados da Ingazeira, Exu, Ouricuri, Afrânio, Petrolina Floresta e Cupira.

“Queremos identificar e visibilizar as comunidades ainda desconhecidas, como é o caso de uma existente em Iati. Na publicação já realizada, conseguimos identificar 1110 ciganos, que formam o total de 90 famílias”, explicou Gal Almeida, articuladora regional de Povos Tradicionais e Populações Rurais da Secult-PE. Para o professor de Antropologia da UFPE, Renato Athias, a questão da invisibilidade política dos povos ciganos também é um tema que merece ser aprofundado nos próximos estudos. “O inventário é um passo importantíssimo para difundir com gestores públicos e também com os estudos antropológicos, questões que merecem ser repensadas para a organização destes povos em ações promovidas por entidades como a Fundarpe, por exemplo” comentou.

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Márcia Souto, presidente da Fundarpe.

Para Márcia Souto, presidenta da Fundarpe, o olhar diferenciado para o desenvolvimento das políticas públicas destinadas aos povos ciganos, juntadas com a pouca experiência do segmento cultural que vem sendo realizado nas últimas décadas, deve ser um os quesitos levados em consideração no encontro regional. “A contribuição da Fundarpe neste sentido, fazendo parte não apenas do quadro de ações da coordenação de povos tradicionais, mas acrescentando outros segmentos culturais abrangentes à causa, podem sim fortalecer o desenvolvimento deste levantamento, incluindo um trabalho conjunto da instituição para demandas como estas dos povos ciganos”, destacou Márcia.

Após serem expostas as demandas da reunião, foi exibido o curta metragem “Cigano na multidão”, produzido por estudantes do curso de Antropologia da UFPE. No vídeo, com duração de 14 minutos, estão inseridos temas que vão desde a discriminação aos costumes ciganos, até o relacionamento desta cultura com o patrimônio de Pernambuco. A gravação começa registrando os bastidores do Festival de Dança no Parque Dona Lindu, ocorrido no Recife no dia 17 de maio, onde as expressões culturais ciganas são expostas ouvindo comentários do público, assim como a realização das comemorações do Dia Nacional do Cigano, celebrado no Recife no dia 23 de maio.

A comissão pernambucana, que também ouviu dúvidas e sugestões dos presentes na reunião, ficou composta por representantes da Secult-PE, Fundarpe, ACIPE, UFPE, MinC, além dos demais interessados em participar da próxima reunião preparatória ao 1º Encontro Regional do Nordeste de Ciganos, que será realizado no próximo dia 25 de junho, na cidade de João Pessoa, na Paraíba.

TENDA CIGANA – Durante os dias 15, 16 e 17 de junho, o hall de entrada da Fundarpe também recebeu mostra da cultura cigana, com tenda que possibilitou aos interessados, a realização de consultas de tarot e de quiromancia, sob interpretação da cigana Cris Soares.

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Cigana Cris Soares durante ritual para início da sessão com interpretação das cartas de tarot.

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