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Discursos dos vencedores do 3º Prêmio Ariano Suassuna de Cultura Popular e Dramaturgia

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Os ganhadores do 3º Prêmio Ariano Suassuna

Na manhã da última quinta-feira (21), o Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Secult-PE e Fundarpe, promoveu a entrega do 3º Prêmio Ariano Suassuna de Cultura Popular e Dramaturgia. A cerimônia, realizada no Palácio do Campo das Princesas, contou com a presença dos 16 premiados (oito na categoria Cultura Popular e seis na Dramaturgia), que, na ocasião, foram certificados com uma placa comemorativa feita especialmente pelo Patrimônio Vivo de Pernambuco e xilogravista J. Borges.

Fortemente marcados pela emoção, a professora e poetisa Maria Dulce de Lima Pessoa e o ator, bonequeiro e dramaturgo Alex Apolonio fizeram, cada um representando, respectivamente, a categoria de Cultura Popular e Dramaturgia, um discurso falando sobre a importância do prêmio para as arte, os artistas e a cultura de nosso Estado. Confira abaixo os textos na íntegra:

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Dulce de Lima falou em nome dos vencedores da categoria Cultura Popular

Venho lá do Sertão.  Da minha cidade Tabira.

Do rio feiticeiro: O Pajeú que é o principal grito de resistência pela preservação de nossa identidade cultural e reconhecimento da memória coletiva de um povo. E é em nome dele, Rio dos Poetas, que saúdo todos os que aqui se fazem presentes na entrega de certificados do Prêmio Ariano Suassuna em sua terceira edição, ano 2018.

Um poeta da minha terra, Genildo Santana, diz em um poema do seu livro Nas Águas da Poesia:

“Louvo Pajeú de novo

Teu povo que é tão bonito.

E ao grito deste teu povo

Eu quero juntar meu grito,

Pois vejo no teu enredo,

Velho Pajeú amado,

Que o teu passado tem medo

De se perder no passado”.

Mas, aqui, estamos nós sem nenhum receio de perdermos o maior tesouro que é o nosso patrimônio cultural. O Prêmio Ariano Suassuna, fruto da imaginação e da capacidade criadora do Governo do Estado na pessoa do Dr. Paulo Câmara, do Secretário de Cultura de PE, Dr. Marcelino Granja, e da Presidente da Fundarpe, Dra. Márcia Souto, nos assegura que Pernambuco é um Estado capaz de resgatar, apoiar, difundir e propagar as manifestações culturais com igualdade de condições nas suas quatro macro regiões: Região Metropolitana, Mata, Agreste e Sertão.

O governo atual com muito mérito reconhece o legado dos saberes e fazeres da cultura pernambucana ao longo dos anos; e está consciente de que identidade e memória cultural são os alicerces dos conhecimentos preservados e compactuados por um povo ou uma região.

No entanto, não desejamos um passado cultuado como mera recordação. Queremos ser Ariano Suassuna na forte defesa do nosso jeito de ser nordestino.  Temos orgulho, sim, de nossas raízes, cores, sotaques e crenças diversas, mas sem deixarmos jamais de olhar para o futuro.

Já ouvi alguém dizendo que quem não tem raízes se perde na multidão.

Pernambuco, com certeza, não se perde, pois é guiado pelo som que vem lá da Mata Norte na batida forte do Caboclinho da Tribo Indígena Cariris do Recife, aqui homenageado.

Ou no batuque do Coco de Senzala de Camaragibe que há mais de trinta anos resiste pela convicção e entusiasmo do Mestre Zé Negão.

No passo do Cavalo Marinho Estrela de Ouro, de Condado, com quatro gerações de brincantes, valorizando a Cultura Popular e o teatro de rua da Mata Norte de Pernambuco.

E pelo Mestre Ciríaco, de Gloria do Goitá, que aos 91 anos é o grande mestre da dança do coco com inclusão social.

A mestra Vera Lúcia de Medeiros, artista de mãos que fiam, desfiam e trançam uma história de sucesso e delicadeza da Renda Renascença, no Município de Poção.

Da Academia de Literatura de Cordel em Caruaru, pioneira em agregar crianças e jovens na leitura, produção e divulgação da Literatura de Cordel em nosso Estado.

Pela simplicidade e beleza de um grupo lá do Sertão, Tacaratu, que mesmo com o avanço de novas tecnologias consegue manter vivo e atuante o Coco Tebei, um folguedo que acompanha o canto e a dança no acabamento do piso das antigas casas de barro.

E concluindo os premiados, eu, Maria Dulce de Lima Pessoa, que com muito orgulho retrato a minha terra, a Associação dos Poetas e Prosadores de Tabira (APPTA) e todos os sertanejos que ainda acreditam numa “Nova Roma de bravos guerreiros”.

Parabenizo também com muita alegria e respeito os seis premiados da modalidade Dramaturgia.

Que as mulheres de Pernambuco tenham vez e voz nos diversos movimentos artístico-culturais do Recife e do interior do nosso Estado.

Agradeço a atenção de todos e faço minha saudação final pela estrofe de um poeta do Vale do Pajeú, Rogaciano Leite, natural de São José do Egito:

“Senhores críticos, basta.

Deixai-me passar sem pejo

Que o trovador sertanejo

Vai seu pinho dedilhar.

Eu sou da terra onde as almas

São todas de cantadores.

Sou do Pajeú das flores

Tenho razão de cantar.”

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

O escritor Alex Apolônio discursou em nome dos ganhadores da categoria de dramaturgia

Um dia como hoje (21-06-2018) me remete a 19 de julho de 2016. Naquele dia, acontecia aqui ao lado no Teatro Santa Isabel, a primeira certificação do Prêmio Ariano Suassuna de Cultura Popular e Dramaturgia. E naquele dia, assim como hoje, minha querida Garanhuns, um pedacinho do agreste pernambucano, era representada por mim pelo grande mestre Benoni, que já não esta mais entre nós. Hoje 2018, tenho a oportunidade de estar aqui novamente representando minha cidade, e isso graças a muito trabalho. A carreira artística é um caminho bonito, mas também árduo. Todos nós sabemos que no contexto em que criamos um dia como esse merece ser comemorado. Relembro que em 2016 nós dramaturgos pedíamos que não fôssemos os únicos, que aquele 19 de julho não fosse único, que o Prêmio viesse a ter continuidade, e vejamos, hoje estamos aqui para comemorar a terceira edição do Prêmio, assim como celebrar o nascimento de outro Prêmio o Palhaço Cascudo de Incentivo as Artes Circenses.

Ariano Suassuna de Cultura Popular e Dramaturgia é hoje a principal ferramenta de incentivo a produção dramatúrgica no Estado. Um edital que trás o nome de um dos maiores artistas deste país, e nos desafia a dar continuidade ao legado deixado por Ariano imprimindo na nova dramaturgia pernambucana o mesmo comprometimento, primor e qualidade com que Ariano “esculpia” seus textos. Este Prêmio é sobretudo uma ferramenta democrática, acessível e já pode ser considerado um marco no teatro e especialmente na dramaturgia pernambucana. Assim por tudo que representa precisa continuar sendo cuidado e ampliado para que cada vez mais novos dramaturgos e dramaturgas possam ter seus trabalhos reconhecidos.

Sabemos que dos mesmo modo que o fazer artístico é bonito e árduo, atuar na gestão cultural também tem suas belezas e arduidades, por isso em nome de meus colegas dramaturgos e artistas pernambucanos de modo geral quero agradecer a todos os gestores e gestoras que veem trabalhando pelo avanço da nossa política cultural e mesmo diante de uma conjuntura que âmbito federal é marcada por um crise política sem precedentes, trabalham para colocar Pernambuco num ritmo de avanço, mas por hora não vamos falar de crises. Este é um momento para festejarmos as conquistas, então viva a dramaturgia, viva Ariano Suassuna e viva as culturas populares.

Prêmio Ariano Suassuna de Cultura Popular e Dramaturgia - A 3ª edição do Prêmio recebeu um total de 164 inscrições (101 de dramaturgia e 63 de cultura popular), oriundas de todas as macrorregiões do Estado. O resultado dos vencedores foi divulgado no último sábado (16), data em que Ariano Suassuna completaria 91 anos.

Na categoria Cultura Popular, os vencedores foram o Caboclinho Carijós do Recife; Mestre Zé Negão (Camaragibe); Academia Caruaruense de Literatura de Cordel (Caruaru); Vera Lúcia de Medeiros (Renda Renascença – Poção); No Passo do Cavalo Marinho Estrela de Ouro (Condado); Mestre Ciriaco do Coco (Glória do Goitá); Grupo de Coco Tebei de Cultura Popular (Tacaratu); e Maria Dulce de Lima Pessoa (Tabira).

No segmento Dramaturgia, os vencedores foram: Rodrigo Dourado (1º lugar teatro adulto, com o texto Terminal); Cleyton Cabral (2º lugar teatro adulto, com o texto Desculpe o atraso, eu não queria vir); Alexsandro Souto Maior (1º lugar teatro para criança, com o texto Tempo de Flor). Djaelton Quirino (2º lugar teatro para criança, com o texto Recital para revoar); Alex Apolonio (1º lugar teatro de animação, com o texto Mariolengo); e Anderson Leite (2º lugar teatro de animação, com o texto Do barro se fez amor).

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