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A poesia de Tonfil toma conta do Ouvindo e Fazendo Música

Neste sábado (17), o músico natural de São José do Egito será a atração do projeto que acontece no Museu do Estado de Pernambuco, às 17h.

Mariana Pinheiro

Mariana Pinheiro

Tonfil irá cantar músicas do seu primeiro disco, além de interpretar canções de outros autores pernambucanos.

Por Camila Estephania

Vivendo entre Recife e Olinda há doze anos, o músico e artista plástico Tonfil tem oferecido doses homeopáticas do Sertão do Pajeú no cenário artístico do litoral pernambucano. Natural de São José do Egito e neto do mítico Louro do Pajeú, considerado um dos mestres do improviso rimado na poesia popular sertaneja, o cantor traz não só na composição, mas também na oralidade, a poesia intrínseca de quem cresceu na região, se apropriando e transformando até mesmo a mais urbana das canções.

Atualmente, o artista equilibra as referências na preparação do seu segundo álbum, que terá direção musical de Juliano Holanda, com quem já trabalhou no projeto “Reverbo”, que reúne nomes da nova geração do cancioneiro pernambucano.  O novo disco homônimo promete estreitar ainda mais o caminho entre a caatinga e o mar, trazendo Tonfil, desta vez, como intérprete de diversos compositores. O trabalho sucede a estreia com “Acontecer”, lançado em 2015, que marcou sua parceria com Vinícius Sarmento e Greg Marinho.

Apesar de ter sido lançado com uma tiragem reduzida, o primeiro trabalho passa a ser mais conhecido do público agora, quando Tonfil leva parte do repertório para apresentações como a deste sábado (17), às 17h, no Museu do Estado de Pernambuco (MEPE), dentro da programação do projeto Ouvindo e Fazendo Música.  Na ocasião, será acompanhado pelo percussionista Felipe Weimberg e do violonista Ednardo Dali, além de contar com a participação do ex-Mestre Ambrósio, Sérgio Cassiano.

No repertório da tarde, ainda estão previstas músicas como “Vem a noite”, de Juliano Holanda, “Sibita Baleada”, de Anaíra Mahim, e “Outra Oração”, de Isabela Moraes, que adiantam o tom do seu próximo disco. Os ingressos custarão R$ 6 (inteira) E R$ 3 (meia).

ENTREVISTA COM TONFIL

O que te motivou a sair de São José do Egito e vir para cá?

A vontade de embasar melhor os estudos. Mas, no íntimo o que motivou mesmo foi a vontade de estar em Recife e Olinda, cidades mágicas e atraentes pra mim. Apesar de não ter sido fácil me adaptar a realidade de estudante na Capital, nas realidades boêmias e criativas eu me adaptava muito bem.

Como parte de uma família de cantadores, a música veio primeiro que as artes plásticas? Acredita que essas duas linguagens se complementam no seu trabalho? Se sim, de que forma?

Sim. Essa linguagem realmente é mais comum na minha casa até hoje. A música e a poesia sempre nos envolveram desde antes do berço, já as artes visuais e plásticas não. Pouquíssimas pessoas na minha família desenham, no entanto, sempre foram admiradores do belo, impressionados com o horrível, e captadores da graça das coisas. Meu pai brinca com palavras constantemente, meu avô era trocadilhista, minha mãe com muitos textos com imagens fortes, sequencias figurativas que nos faziam pintar pensando. Então, claro que se complementam. Sempre digo que cantar é esculpir com a voz e desenhar é cantar com a imagem.

São José do Egito e o Sertão do Pajeú são conhecidos por terem uma poética bem particular. De que forma isso se evidencia na sua música?

Apesar de São José ser conhecido como Berço Imortal da Poesia Popular, baseada em tradições parnasianas de formatos e ritmos de poemas, hoje a produção poética é bem mais livre. Mas a declamação em algumas das minhas apresentações é uma das evidências.

Costuma explorar a obra de compositores de lá?

Sim. Muito. São José tem compositores maravilhosos, como Bia Marinho, Anaíra Mahin, Lamartine Passos, Greg e Antônio Marinho e poetas que têm muitas vezes seus poemas musicados, como Rogaciano Leite, poeta indescritível que incluo no hall do meu repertório.

A mudança para a Região Metropolitana tem influenciado na sua produção?

Na verdade, o litoral me fazia compor quando eu vinha pra casa dos meus tios que moravam aqui, quando eu era uma criança no sertão. Com uns dez ou onze anos, gostava muito da praia, do candomblé, então, compunha umas canções meio Clara Nunes e tal (risos). Recentemente, eu tenho me proposto mais a ser intérprete do que compositor. Estou nessa fase. Gosto das músicas de alguns amigos compositores e prefiro canta-las. Mas componho sim. Tem uma canção chamada “Vida em Marte, Severina!”, com arranjo de Miguel Marinho, que tem uma pegada bem Recife, coco-mangue, e a coloco em algumas apresentações.

O que podemos esperar estética e poeticamente desse novo disco?

Ele ainda está bem embrionário, mas já esboça alguma personalidade pra mim. Sinto que ele vem com uma mistura das minhas apreciações. Acho que esse trabalho está vindo com um lado meio orgânico e alvissareiro, mas com uma pitadinha visceral.

Será autoral, há parcerias e participações planejadas? Já saberia dizer alguma data e título previstos para o lançamento?

Será autoral sim. Músicas de compositores que admiro muito e que saio minerando pra o meu repertório de apresentação. A direção musical é de um amigo querido, Juliano Holanda, do qual canto uma das canções do disco. Não sei se terá alguma canção minha , pois, como disse, estou numa fase de interpretar. Haverá participações, mas ainda não há previsão de lançamento. O título será “Tonfil”.

SERVIÇO
Tonfil no Ouvindo e Fazendo Música
Quando: Neste sábado, às 17h
Onde: Museu do Estado de Pernambuco (Av. Rui Barbosa, 960)
Ingressos: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia).

 

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