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Biografia sobre Carlos Ranulpho reafirma seu pioneirismo no mercado de artes

"Carlos Ranulpho - O mercador de beleza" foi escrito pelo jornalista Marcelo Pereira, que lança o livro nesta quinta (30), a partir das 19h, na Galeria Ranulpho.

Divulgação

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Vicente do Rego Monteiro, Maria Dulce e Carlos Ranulpho. O marchand realizou os primeiros vernissages de Pernambuco.

O livro “Carlos Ranulpho, o mercador de beleza”, assinado pelo jornalista Marcelo Pereira e editado pela Cepe tem lançamento nesta quinta-feira (30), às 19h, na Galeria Ranulpho, no Bairro do Recife. A publicação é o 15º título da coleção Memória e traça não apenas o perfil biográfico de um dos marchands mais renomados do Brasil, como também apresenta a história de grandes nomes da arte nacional, como Vicente do Rego Monteiro, Lula Cardoso Ayres, Cícero Dias, Wellington Virgolino, João Câmara, Portinari, Volpi, Brennand, José Cláudio, Reynaldo Fonseca, José de Moura, Delano, Aloísio Magalhães, entre muitos outros.

Há mais de 50 anos no mercado, Carlos Ranulpho, que atualmente tem 90 anos, foi quem começou a introduzir na capital pernambucana o hábito de apreciar e adquirir quadros em mostras memoráveis, que revelaram ao resto do Brasil o singular modernismo local. Seu fascínio pela arte começou ainda na infância, quando acompanhava o trabalho do pai, o desenhista e caricaturista José Ranulpho. Essa sensibilidade fez com que Carlos apurasse o olhar para a beleza. A começar pelas joias, seus primeiros objetos de valor a serem comercializados. “Eu até que tinha jeito para desenho, mas como eu via meu pai com dificuldades financeiras, e ele nunca teve bons resultados com suas obras, eu não me estimulava, porque sempre pensava em alguma atividade que tivesse rendimento financeiro”, diz Carlos em trecho do livro.

Após o sucesso com a venda de joias, não demorou para atentar para o valor das obras de arte. Fechou parceria com artistas e fez grandes amizades. “Carlos Ranulpho tem um admirável olho para a arte, pois ao longo de tantas décadas passaram por suas mãos hábeis muitos dos melhores artistas brasileiros. E, felizmente para a nossa arte, ele ama negociar. É um líder forte, determinado, empreendedor. E amoroso. O que explica a quantidade de amigos dedicados e carinhosos. Eu me incluo entre estes”, disse o editor, curador e crítico de artes visuais Jacob Klintowitz, que assina texto de apresentação.

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Capa da biografia que é assinada pelo jornalista Marcelo Pereira.

Muito ligado aos trabalhos de temática regionalista e conotação popular, Ranulpho acabou relacionado a uma estética tradicionalista também na linguagem – pintura, gravura e escultura. “Mesmo resistindo às inovações, a Galeria Ranulpho, nesses mais de cinquenta anos de existência, é responsável pelo lançamento e profissionalização de excelentes artistas, não apenas de Pernambuco como também de vários outros estados do Brasil”, diz a professora do Departamento de Teoria da Arte da UFPE, Ana Elisabete de Gouveia, no prefácio da obra.

O xilogravurista J.Borges deve a Ranulpho parte de seu prestígio nacional e internacional. “Ranulpho procurou o dramaturgo e escritor Ariano Suassuna para lhe mostrar as matrizes de gravuras que adquirira de J. Borges. Ariano ficou surpreso, pois não conhecia, e com o maior entusiasmo declarou que, depois de Samico, ele era o maior gravador do Brasil”, revela Pereira. Naquela época, meados dos anos 1970, a elite artística e intelectual não via com bons olhos a aproximação de Ranulpho com artistas populares. “Eles preferiam que os artistas vivessem na miséria do que ganhar dinheiro com o seu trabalho”.

SERVIÇO
Lançamento do livro Carlos Ranulpho, o mercador de beleza, de Marcelo Pereira (Cepe Editora)
Quando: 30 de agosto, às 19h
Onde: Galeria Ranulpho (Rua do Bom Jesus, 125, Bairro do Recife)
Preço: R$ 80 (livro impresso); R$ 19,90 (E-book)
Entrada Gratuita

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