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Serviço Cultural

“Bordando o Feminino” promove intercâmbio entre fotografia e bordado

Projeto acontece neste semestre no município de Passira buscando difundir e inovar a cultura do bordado praticado na cidade.

Raul Luna

Raul Luna

Oficinas de bordado, modelagem e tingimento natural são algumas das atividades do projeto “Bordando o Feminino”, que contará com exposição e lançamento de coleção no fim deste semestre.

Por Camila Estephania

A autonomia e a independência da produção criativa feminina estão em alta neste segundo semestre, no município de Passira. Tradicionalmente conhecida pelo bordado, a cidade recebe o projeto “Bordando o Feminino” desde agosto, quando se iniciaram as oficinas não só de bordado, como também de tingimento natural e de desenvolvimento criativo para a confecção de uma nova coleção, que terá lançamento entre os meses de dezembro e janeiro, em Passira e no Recife.

Produzido pela fotógrafa Laís Domingues, o projeto tem a proposta de fortalecer e valorizar a cultura do bordado dentro e fora da cidade, além de estimular as novas gerações a dar continuidade e recriar a tradição. “A ideia surgiu em 2015, quando comecei a bordar fotografia sem ter nenhum contato anterior com isso. A maioria das fotos eram as que eu mesma tinha feito de cultura popular ou de fotojornalismo, então, comecei a pesquisar sobre o bordado feito no Estado também” explica Laís que, na época, conheceu a AMAP (Associação de Mulheres Artesãs de Passira) e passou a pensar em um projeto que oferecesse um intercâmbio de conhecimentos com as bordadeiras da cidade.

Thanina Godinho

Thanina Godinho

A fotógrafa Laís Domingues é a idealizadora do projeto.

Por isso, em contrapartida às oficinas de bordado ministradas pelas artesãs de Passira, o projeto também conta com a participação da estilista paulista Thanina Godinho para inserir novas modelagens e técnicas de tingimento natural na produção das participantes. “Está sendo ótimo, porque estamos ensinando e aprendendo. É uma satisfação imensa quando vem gente aqui para aprender a bordar, porque é uma valorização do nosso trabalho. Além disso, estamos aprendendo mais sobre modelagem. Já tínhamos feito uns cursos sobre isso antes, mas é sempre bom poder inovar”, comenta Luzinete Maria da Silva, que borda há mais de 30 anos e tem o ofício como sua principal fonte de renda.

As bordadeiras também vêm redescobrindo a própria cidade através das atividades do projeto. “A gente nunca tinha feito esse trabalho de visitar diversos pontos da cidade e da zona rural. Agora, estamos desenvolvendo os desenhos a partir dessas paisagens e está sendo muito bom”, avalia Dona Lúcia Firmino, que já presidiu a AMAP, atualmente sob a direção de Marcília Firmino.

Laís Domingues

Laís Domingues

A estilista Thanina Gondinho ministra oficinas de modelagem e tingimento natural.

Estou achando legal porque muitas mulheres que não participaram de outras coleções e bordam cama, mesa e banho há um tempo e agora estão fazendo roupa também. Está sendo bem interessante poder ajudar a fortalecer o papel da AMAP aqui, pois muitas não sabiam que a Associação já havia produzido para Ronaldo Fraga, por exemplo. Para isso, também estamos tendo muita ajuda de Ana Júlia Melo e Eduardo, que criaram o site Bordados de Passira (onde são vendidos os produtos virtualmente), e têm conseguido apoios para essa coleção”, destacou a fotógrafa.

Para além de inspirar os desenhos da coleção, a cidade também tem se aproximado mais das bordadeira através do projeto ao trazer matérias primas que somam ao trabalho do bordado. “A gente está tingindo com materiais que tem aqui em Passira, como casca de caju, açafrão da terra, eucalipto. Junto ao lançamento da coleção também vai ter a minha exposição, porque estou registrando o cotidiano delas e vou fazer revelação artesanal aqui e depois bordar as imagens misturando pontos que eu já sabia com pontos que estou aprendendo aqui com Luzinete”, adianta Laís, que planeja fazer o lançamento no formato de instalação. “Quero unir o que elas estão produzindo ao que eu estou produzindo para tirar esse lugar de arte e artesanato”, esclarece.

Atraída pelo bordado com o intuito de sobrepor sentidos às suas fotografias, Laís usará as linhas para deixar mais evidente o seu olhar sobre as mulheres retratadas por ela que participaram das oficinas. “Temos tido um retorno bem massa, porque elas veem as fotos e se sentem lindas. Meu trabalho terá essa pegada de mostrar através do bordado como elas me tocaram. São mulheres muito fortes e sempre que a gente se encontra para bordar é como se fosse um círculo de mulheres”, conclui Laís.

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