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Serviço Cultural

Começam as capacitações para Orquestras de Frevo de Rua

Selecionada pela Convocatória Pernambuco Criativo 2018, a Oficina de Introdução ao Desenvolvimento de Carreira Artística para Orquestra de Frevo de Rua traz alternativas empreendedores para músicos do segmento.

Toni Braga

Toni Braga

Músicos de frevo compareceram a aula inaugural da oficina, que também contou com as presenças de Tarciana Portella (Gerente de Formação e Capacitação da Fundarpe) e Márcia Souto (Presidente da Fundarpe).

Por Camila Estephania

Na noite da última terça-feira (25) começaram as aulas da Oficina de Introdução ao Desenvolvimento de Carreira Artística para Orquestra de Frevo de Rua, que acontecem na sede do Patrimônio Vivo Cariri Olindense. As aulas são ministradas pelo músico André Freitas e o produtor Sandro Rodrigues, que idealizaram o projeto ao lado de Laura Proto da La Esencia Experiências Culturais. O trabalho foi selecionado pela Convocatória Pernambuco Criativo 2018 com o objetivo de capacitar os músicos das orquestras itinerantes a empreender no mercado da música buscando combater a sazonalidade do ritmo, que é mais executado no período carnavalesco. A oficina é gratuita e ainda conta com mais aulas nesta quinta-feira (27), a partir das 18h, no mesmo endereço. O município de Goiana também receberá a atividade entre os dias 3 e 5 de outubro, na sede da Sociedade Musical Saboeira.

A proposta veio de uma experiência de cinco anos. O que a gente está projetando tem haver com soluções práticas e objetivas para várias questões que a gente observou e vários indicadores que a gente coletou. Diagnósticos foram produzidos e a gente começou a entender que havia um caminho alternativo para o mercado da música dedicado ao segmento do Frevo de Rua. A ação de maior visibilidade desse processo aconteceu no ano passado, quando realizamos a primeira edição do festival Fervendo. A partir dele, a gente começou não só a ver onde está a produção artística, mas ir onde está o gargalo do segmento e parte disso está em confrontar a sazonalidade. Percebemos que o nível de formação dos artistas da área não ultrapassa a performance musical. Temos bons músicos, mas que não entendem o frevo como um produto e como desenvolver a carreira. É como se, ainda hoje, estivessem esperando um produtor que resolva a carreira toda pra eles”, explica André, que já foi Coordenador de Música do Paço do Frevo.

Como um dos facilitadores da capacitação, André busca aguçar a visão das Orquestras de Frevo de Rua para que os músicos consigam viver do segmento o ano inteiro, investindo no desenvolvimento do ritmo. “Dentro do Museu (Paço do Frevo), a gente começou uma parceria com o Sebrae em 2015 para dar palestras sobre empreendedorismo de uma forma mais ampla. Os profissionais da casa depois ministraram oficinas para um grupo de 50 músicos mostrando a importância de um bom texto e uma boa imagem para traduzir os seus trabalhos. Isso gerou a criação da Orquestra Frevessencia, que foi o que despertou o nosso olhar para outras necessidades que vão além do cachê, que é o caso de ter acesso ao repertório, a um espaço para ensaiar, a um arquivo, a um acervo e uma série de demandas para orquestra. Então, vimos que uma das saídas era tentar aplicar para uma orquestra “popular” o mesmo funcionamento de uma orquestra erudita. Ensaiar por naipes, fazer limpeza do fraseado, criar músicas”, explica ele, que acredita que as mudanças no mercado da música tem feito as orquestras deixarem o ‘fazer musical’ de lado.

Toni Braga

Toni Braga

A oficina é ministrada pelo músico André Freitas e por Sandro Rodrigues, do Óraculo Estúdio

O Frevo de Rua está em risco, porque a qualidade caiu. Toda a riqueza do ritmo demanda certos pré-requisitos, como, pelo menos, 18 músicos, uma sessão rítmica e um tuba, que não vêm sendo sempre obedecidos”, avalia André, que defende o investimento em atividades o ano todo não só como forma de rentabilizar o trabalhar, mas também de reverter as falhas. Saxofonista na Orquestra Henrique Dias, Nilson Gomes concorda com o facilitador e participou da oficina com o objetivo de pensar em mais soluções para o exercício. “Ainda falta esse conhecimento de como manter os eventos o ano inteiro, porque não contamos com nenhum incentivo, até a manutenção dos instrumentos é por conta de cada um. Nós retomaremos os ensaios em outubro (no Grêmio Henrique Dias), por isso temos tempo de ensaiar bem, mas muitas orquestras não têm um repertório muito extenso, porque não tem nem mesmo local ou não é permitido no local que elas têm, então nem culpo”, comenta ele, sobre um dos gargalos que acometem o segmento. Em atuação em Orquestras de Frevo desde 1985, Nilson ainda trabalha como artesão para completar a renda.

Atenta às demandas da classe, a Gerente Geral de Capacitação e Formação da Fundarpe, Tarciana Portella, explica que a oficina é parte de uma série de medidas que buscam fortalecer a economia de diversos setores culturais através do programa Pernambuco Criativo, que é um convênio entre o Ministério da Cultura e a Secult-PE/Fundarpe. “A gente sabe o potencial que tem uma Orquestra de Frevo e que se pode desenvolver esse grupos e suas carreiras, mas muitas pessoas arriscam por intuição. A ideia aqui é aprender com o que já existe do ponto de vista de gestão de carreiras, de negócios, tanto de espaços, como de empreendimentos culturais. Além da questão da existência, temos que pensar também a questão a sustentabilidade, que é poder passar esses grupos para um novo patamar. Há possibilidades que surgem, mas, às vezes, o músico não está com o olhar aguçado. Queremos poder potencializar essas oportunidades”, diz ela, ao esclarecer que a área de economia da cultura foi aprovada na Conferência Estadual de Cultura com a proposta de se desenvolver um Plano Estadual focado no mercado.

A oficina foi selecionada a partir de um levantamento feito nas diversas conferências e atividades, em que se pode apurar as demandas de artistas de diversos segmentos. “Sabemos de gargalos que existem e são importantes desafios a serem superados. O programa está disponibilizando um conjunto de informações, formações, a partir de uma seleção que foi feita de um banco de projetos em que nós conseguimos identificar pessoas de notória aptidão que se disponibilizaram a ser facilitadores nesse processo. Formação é informação e troca de experiências e é nisso que se baseia a possibilidade de desenvolvimento de um conhecimento. Outras formações virão”, adianta ela.

 

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