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Evento no Teatro Arraial Ariano Suassuna celebra os 90 anos de Onildo Almeida

A programação acontece nesta sexta-feira (24), a partir das 19h. O acesso é gratuito

Roberta Guimarães/Secult-PE/Fundarpe

Roberta Guimarães/Secult-PE/Fundarpe

Além da exibição do filme, o evento contará ainda com uma discotecagem de Gabriel Nascimento e um bate-papo com o próprio Onildo Almeida

Para celebrar os 90 anos de um dos compositores mais célebres da música popular brasileira, os diretores Helder Lopes e Cláudio Bezerra decidiram gravar um documentário que retratasse um pouco da vida que foi um dos maiores parceiros de Luiz Gonzaga – ele é o coautor de “A Feira de Caruaru”, “Capital do Agreste” e “Sanfoneiro Zé Tatu”. Batizado de Onildo Almeida – groove man (2017), o filme – que recentemente circulou por Caruaru, Exu, Arcoverde, Olinda e Triunfo, dentro do ciclo 90 anos de Onildo Almeida, apresenta o universo por trás das canções do músico que, além de exímio compositor, é radialista e poeta.

Nesta sexta-feira (24), o público da capital pernambucana poderá conferir gratuitamente a exibição do longa, no Teatro Arraial Ariano Suassuna, a partir das 19h. Além da exibição do filme, o evento contará ainda com uma discotecagem de Gabriel Nascimento, com um set de vinis recheados com as músicas do homenageado e seus contemporâneos, e um bate-papo com o próprio Onildo Almeida. O compositor, provocado por Roger de Renor, fará uma aula-espetáculo, cantando e contando as suas histórias. O acesso é gratuito.

Para saber mais sobre as homenagens e a produção do filme Onildo Almeida – groove man (2017), o portal Cultura.PE conversou com o diretor Helder Lopes, que detalhou várias curiosidades sobre a produção do longa. Confira abaixo o texto na íntegra:

1- É o seu filme de estreia? Como surgiu a ideia de produzir o filme? Quanto tempo levou para ele ficar pronto?
Meu, sim. Já Cláudio Bezerra é um documentarista experiente, que inclusive teve a oportunidade de trabalhar com Eduardo Coutinho, além dos próprios filmes. Quando tive a ideia de fazer o filme sobre Onildo Almeida, foi a primeira pessoa que convidei.

A canção e a música popular sempre me interessaram muito, mais até que o cinema. Ao me deparar com a obra de Onildo e saber que ele estava bem, vivíssimo lá em Caruaru, no alto de suas nove décadas, pensei que deveria encontrá-lo. Já que iria, por que não registrar esse encontro? Dessa pergunta, surge a outra, definitiva: por que não fazer dessa descoberta um filme?

Preparamo-nos, nos juntamos à produtora ‘Viu Cine’, dos nossos amigos Ulisses Brandão e Gustavo Correia, convidamos outros amigos e partimos para uma empreitada de um ano e meio. Os dias de gravações foram esparsos, porém intensos. Foi assim com Gilberto Gil, Junio Barreto e Maciel Melo. No São João de 2015, começamos a gravar. Em junho de 2017, dentro da programação do Festival In-Edit (SP), estreamos o filme no auditório da Cinemateca Brasileira.

Divulgação

Divulgação

O diretor Helder Lopes e o compositor Onildo Almeida

2 – O documentário consegue acompanhar as várias fases da carreira de Onildo Almeida ao longo desses 90 anos?
O principal recorte e a nossa grande preocupação é o de ter feito um filme sobre o Onildo de agora. É evidente que somos a memória de todo o tempo que vivemos, e até de antes, talvez. Mas o filme traz, por exemplo, obras inéditas, compostas recentemente. Sobre as histórias do passado, nos restringimos às impressões e ao entendimento que Onildo tem sobre elas nos dias de hoje.

A briga com Gonzaga, por exemplo, é uma história que é contada com o bom humor de quem já resolveu e está bem resolvido com ela. Ex-namoradas, amigos do futebol, a infância… Enfim, é um filme sobre o presente de alguém que viveu noventa anos, e que portanto tem muito para contar sobre o passado.

3 – O que vocês descobriram ao longo do processo de produção do filme, que vão além das célebres composições de Onildo Almeida com Luiz Gonzaga?
O próprio filme surge de uma descoberta, digamos, que foi a gravação recuperada de Gilberto Gil e Gal Costa cantando “Sai do Sereno” em Londres no ano de 1971, ainda no exílio, antes do Expresso 2222. É nessa oportunidade que Gil chama Onildo de ‘groove man’.

Outra linda canção é “Meu Castigo”, interpretada por Agostinho dos Santos e Maysa, que tem uma intensidade dramática assustadora, e nem de longe parece ser do mesmo compositor de “Aproveita, gente”, por exemplo.

E, finalmente, sem dúvida, a ida de Onildo Almeida ao Rock in Rio e o disco “Forrock” que ele grava na sequência são também histórias bastante curiosas. Às vezes, fica evidente que o forró e o rock têm tudo a ver, mas não nos damos conta e compartimentamos a nossa experiência musical. A versatilidade de Onildo chama nossa atenção para questões como essa.

4 – Como diretor, o que mais lhe impressionou sobre a personalidade do músico?
Onildo Almeida é muitíssimo seguro de si, e isso não é a toa. Por muito tempo, por algumas pessoas de tendência mais monarquista, não apenas ele, mas quase todos os compositores de Luiz Gonzaga, costumavam ser considerados corte ou coadjuvantes da carreira do “rei”.

Onildo sempre soube do valor da sua própria carreira, da sua importância como artista e produtor cultural. Impressiona o respeito com que trata a sua obra e o reconhecimento de seu próprio mérito.

5 – Além do Teatro Arraial Ariano Suassuna, onde mais o público poderá conferir o filme?
O documentário circula pelos festivais e mostras de cinema desde o meio do ano passado. Em Pernambuco, estreamos o filme na Mostra de Cinema da MIMO, em Olinda, na Igreja da Sé. Nossa última exibição, aqui no Estado também, aconteceu em Exu, sob o luar do Sertão do Araripe, para uma plateia cheia de familiares e amigos de Gonzaga, no mês passado. A intenção é continuar circulando com ele pelo Brasil inteiro. 

Serviço
90 anos de Onildo Almeida
Quando: sexta-feira (24), às 19h
Quanto: acesso gratuito
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna (Rua da Aurora, 457, Boa Vista – Recife)
Informações: (81) 3184.3057

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