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Literatura artesanal ganha destaque com a realização da Internacional Cartonera

Até domingo (23), Garanhuns, Goiana, Lagoa dos Gatos, Olinda, Recife e São Paulo sediam a primeira edição do festival que tem como tema o Movimento Cartonero e suas produções

Flávia Benevides/Divulgação

Flávia Benevides/Divulgação

“Este movimento é o principal no mundo no que diz respeito à valorização de novos moldes, propostas e estratégias de contornar o mercado editorial”, opina Alexandre Melo, curador do festival

Por Marcus Iglesias

Durante todo o mês de setembro e até o próximo domingo (23) acontece a primeira edição do Internacional Cartonera, festival realizado pela Nós Pós como espaço de intercâmbio das ideias e do trabalho dos que fazem esse movimento acontecer no mundo. A programação, que teve o lançamento de selos editoriais cartoneros e trouxe a Pernambuco grandes nomes, como Sidney Rocha e Washington Cucurto, idealizador do Movimento na Argentina, foi dividida em seis cidades: Garanhuns, Goiana, Lagoa dos Gatos, Olinda, Recife e São Paulo, com uma série de atividades gratuitas como oficinas, palestras, conversas, feira e atividades culturais.

O Movimento Cartonero surgiu na Argentina em 2003, período em que o país passava por uma séria crise econômica que deixou milhares de desempregados. Foi quando o escritor Washington Cucurto, presente na programação do festival, ao lado do seu parceiro, teve a ideia de fazer livros a partir do papelão recolhido nas ruas pelos desempregados e criaram a Eloísa Cartonera – que também participa do evento.

“Este movimento é o principal no mundo no que diz respeito à valorização de novos moldes, propostas e estratégias de contornar o mercado editorial, um mercado bem perverso. Isso acaba deixando de fora de circulação muita gente que trabalha com edição e produção. O meu papel com a produtora Nós Pós é tentar dar luz a democratização do acesso à literatura no estado, e o movimento cartonero, além de ser uma via democrática pra esse fim, carrega consigo a questão da sustentabilidade, algo bastante necessário nos tempos de hoje”, opina Alexandre Melo, produtor da Nós Pós e curador do festival.

Flávia Benevides/Divulgação

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Como sementes plantadas, o Festival promoverá a criação de dois selos cartoneros: Um no Quilimbo Pau Amarelo, em Lagoa dos Gatos, e outro na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Inicialmente, estavam previstas atividades em Buenos Aires e no Chile, numa intenção de realizar um intercâmbio com as produtoras cartoneras dos nossos países vizinhos. “Mas no final, por questões operacionais, acabamos ficando com seis cidades no Brasil, o que não impediu que convidássemos as produtoras internacionais a participarem do festival”, explica Alexandre.

Em São Paulo as atividades acontecem numa parceria com a Malha Fina Cartonera, um projeto apoiado pelo Programa Unificado de Bolsas (PUB) da Universidade de São Paulo (USP). “Por ter surgido dentro da universidade, composta por alunos, este selo tem uma simbologia muito grande”, opina o curador do festival.

De acordo com Alexandre Melo, Garanhuns está na programação “mais pela força artística da cidade, bem presente na literatura também, e pelo viés da parceria que a gente tem com o Sesc local”. Na Zona da Mata Norte, o município de Goiana, segundo o produtor da Nós Pós, “entrou pela questão da movimentação literária e independente que existe por lá. Não só em termos de edição, mas de produção também. E como eu tenho uma parceria com Phillipe Wolney, com a editora Porta Aberta, essa realização se tornou possível”.

Flávia Benevides/Divulgação

Flávia Benevides/Divulgação

No sábado (21) e domingo (22) o Paço Alfândega recebe a Feira Internacional Cartonera, com a presença de 20 editoras internacionais e nacionais

“Já Lagoa dos gatos foi porque queríamos fazer uma ação dentro de uma comunidade quilombola, e como eu já tenho uma abertura com a população do Quilombola do Pau Ferrado, escolhemos este lugar para receber a atividade”, ressalta o curador.

Alexandre Melo conta que o diferencial dessa ação em relação às outras é porque o produto final é a criação de um selo editorial cartonero. “Aproveitando o gancho da necessidade de fortalecer esse movimento nas comunidades quilombolas, a gente pensou em deixar como semente para aquela região uma editora. O interessante é que um selo infantil, que está sendo produzido junto aos professores de uma escola da comunidade”.

Quem também receberá uma atividade parecida é a UFPE, que terá o primeiro selo universitário cartonero no estado. “A ideia é semear por lá uma ideia Nos moldes do que fizeram na Argentina”, revela Alexandre.

Divulgação

Divulgação

O escritor Sidney Rocha é um dos convidados que conversa com o público sobre o Movimentro Cartonero no próximo domingo (23), às 15h, no Paço Alfândega

No Paço Alfândega, neste sábado (22) e domingo (23), é onde se concentram a maior concentração de atividades do festival. Duas delas acontecem simultaneamente, como a Feira Internacional Cartonera, com a presença de 20 editoras internacionais e nacionais, distribuídas em 15 stands no hall do espaço feitos com papelão e materiais recicláveis, numa parceria com a Fab Lab Recife, e os debates com convidados. Um deles, por exemplo, é o escritor Sidney Rocha, que conversa com o público no domingo (23), a partir das 15h.

Outros nomes que participam destes encontros são o próprio Washington Cucurto, além de Olga Sotomayor, que representa o Movimento no Chile, Alicia Cuerva, que realiza formações cartoneiras em diversos continentes, entre outros grandes nomes do cartonerismo nacional e estadual. Todas as atividades contam com acessibilidade comunicacional e arquitetônica.

Ainda no domingo (23), está prevista a publicação da Antologia Nós Cartonera, a ser editorada a partir desta quarta-feira (19) com acesso aberto ao público no Ateliê Nós Cartonera, instalado no Espaço Pasárgada, na Boa Vista. A visita pode ser feita até a próxima sexta-feira (21), das 8h às 18h, e qualquer pessoa poderá acompanhar a manufatura dos exemplares da antologia.

Serviço:
INTERNACIONAL CARTONERA
Até domingo (23)
Recife, Olinda, Goiana, Lagoa dos Gatos, Garanhuns e São Paulo.
Programação gratuita | Confira no site da Nós Pós

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