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Serviço Cultural

Livro e exposição reverenciam a obra e a carreira de Ypiranga Filho no MEPE

O lançamento da obra e da mostra acontecerá nesta quinta-feira (9), às 19h. O evento é aberto ao público

Divulgação

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A obra do artista Ypiranga Filho é considerada patrimônio fundamental da arte de Pernambuco e do Brasil

O Museu do Estado de Pernambuco sedia nesta quinta-feira (9), a partir das 19h, o lançamento do livro e da exposição “Ypiranga”. Tanto a obra, publicada pela Cepe Editora e organizado por Lêda Régis, quanto a mostra, que reúne mais de 100 obras, traçam uma retrospectiva inédita sobre a obra do artista visual pernambucano Ypiranga Filho que, aos 82 anos, foi o pioneiro com o trabalho em metal em Pernambuco, nos anos 1960 e 1970, auge do modernismo e da predominância do figurativismo tropicalista no Estado.

Todas as faces do prolífico Ypiranga podem ser lidas e vistas no livro “Ypiranga Filho”. A publicação ainda conta com cronologia biográfica, e elenca todas as exposições do artista, pouco conhecido nacionalmente, apesar da relevância de seu trabalho. “Ypiranga se formou na Escola de Belas Artes, em 1969, criando uma escultura feita com cabos de vassoura como se fossem móbiles. Um marco”, pontua a curadora.

No prefácio de Raul Córdula, que assina a curadoria da exposição junto à curadora Joana D’Arc Lima, revela-se o início da relação de Ypiranga com os artistas que trabalhavam com máquinas das fábricas, na Alemanha, onde morou na década de 1960. “Assim sua obra pendeu para a expressão que emana das formas e volumes contidos nas sobras da indústria e na manipulação daqueles materiais”, escreve o artista e crítico de arte.

O também crítico e curador carioca Marcus Lontra ressalta a preocupação ética das esculturas de Ypiranga, que constrói e transforma paisagens sem deixar de se integrar à natureza. “Ypiranga reforça, com toques sutis de melancolia, a ideia de que o mundo sem ganância e sem exploração pode ser um terreno fértil para aflorar a criatividade e o talento humano”, define Lontra, para quem o estilo do artista dialoga com o cubismo, surrealismo, e, entre os brasileiros, com as obras de Maria Martins, de Frans Krajcberg, Mário Cravo Neto e Boaventura da Silva Filho, o Louco.

Entre os trabalhos marcantes da carreira de Ypiranga, o também artista Adão Pinheiro recorda O Cangaceiro. “Eram ferros e jantes, com uma solda elétrica aparente, brutal”, descreve.

Integrante de vários grupos artísticos importantes dos anos 1960 e 1970, o artista fez parte da Cooperativa de Artes e Ofício da Ribeira, em 1964, com grande papel político e social naquele período de repressão. Socialista declarado, sempre defendeu a coautoria do artista e do artesão. “Um trabalhador das artes consciente de seu papel social”, escreve Joana.

Exposição - Na mostra expositiva, espelho tridimensional do livro, estarão presentes 11 esculturas, 22 desenhos, 14 pinturas e 53 gravuras, além das obras chamadas por Joana de Transbordamentos, que estarão impressas em um painel. Buscando transmitir uma ideia de extrapolação de fronteiras definidas que escapam às definições normativas, a curadora trata como transbordantes os fazeres artísticos que relacionaram arte e vida pública, “como no happening intitulado Brigada de Artilharia Leve, proposto pelo artista Daniel Santiago, 1987, na Brigada Portinari, 1982, Evoé Nelson Ferreira, Olinda Arte em Toda Parte (2001-2007), participação na organização da I Mostra de Art-Door do Recife (1983-1986), entre outros projetos coletivos e colaborativos durante os anos 1990 até 2016”, explica.

Serviço
Lançamento do livro “Ypiranga Filho” (Cepe Editora) e exposição de obras do artista
Quando: 9 de agosto (quinta-feira), às 19h
Onde: Museu do Estado (Avenida Rui Barbosa, 960, Graças)
Preço: R$ 90 (livro impresso) / R$ 25 (E-book)

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