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Serviço Cultural

Poesia encantada do Sertão do Pajeú vai ecoar no Studio Tear

Quarta edição do projeto que movimenta a cena alternativa em Garanhuns terá apresentações do anfitrião Rogério Diniz, além do Em Canto e Poesia e Isabelly Moreira, do Sertão do Pajeú

Ricardo MouraSecult-PE

Desta vez, o Studio Tear receberá o grupo Em Canto e Poesia, formado por Antônio Marinho, Greg Marinho e Miguel Marinho – netos de Louro do Pajeú

Por Marcus Iglesias

O público de Garanhuns terá mais uma oportunidade de experimentar uma troca e apreciação cultural mais íntima, com a música e a poesia, através da realização da quarta edição do Studio Tear. Dessa vez, o anfitrião da noite será o poeta e cantador garanhuense, Rogério Diniz, que receberá no palco o grupo Em Canto e Poesia, formado por Antônio Marinho, Greg Marinho e Miguel Marinho – netos de Louro do Pajeú, um dos grandes nomes da cantoria brasileira. A noite terá ainda a presença da poetisa Isabelly Moreira, também do Sertão do Pajeú, que lançará seu novo livro, o Canta Dor, e fará intervenções durante os shows.

O projeto é idealizado pela produtora cultural Stephany Metódio, em parceria com o Aldeia Tear, e tem como objetivo difundir a música e a arte independente pernambucana no município de Garanhuns. “O FIG vai embora e a cena alternativa fica sem nada aqui na cidade. Então a nossa proposta é permanecer com uma programação cultural aqui, e pra gente é uma felicidade muito grande receber o Em Canto e Poesia porque a gente quer trazer artistas de várias regiões do estado”, conta Stephany Metódio.

Hellen Gouveia/Divulgação

O anfitrião da noite é o cantor Rogério Diniz, que fará a abertura e o encerramento, neste último caso ao lado do Em Canto e Poesia

“A gente já tinha tido aqui artistas do Agreste, Região Metropolitana do Recife, e durante o FIG trouxemos o Radiola Serra Alta, que é do Pajeú, mas está sendo bem especial ter desta vez a poética através da música e da performance destes meninos que representam a força de São José do Egito”, comemora a produtora.

Essa vai ser a quarta edição do Studio Tear este ano. A primeira recebeu os cantores Igor de Carvalho e Martins e o poeta Alexandre Revoredo. A segunda teve Flaira Ferro, Agda Moura, Graça Nascimento, Laís Domingues e a poetisa Fernanda Limão. Já a terceira, em pleno Festival de Inverno de Garanhuns, contou com Radiola Serra Alta, além do Projeto SonoraMamelungo, idealizado por Felipe Correia, e o poeta David Biriguy, diretamente de Belo Jardim.

Com um espetáculo de música e poesia firmado pelas referências do repente, da cantoria de viola, do cordel, e de outras manifestações culturais, o grupo Em Canto e Poesia, nas palavras do cantor Antônio Marinho, se diz pronto para a experiência proposta pelo Studio Tear.

“Conheci recentemente o trabalho do Rogério Diniz, mas temos uma afinidade grande com a Isabelly Moreira, que é também lá do Sertão do Pajeú. É do próprio Tear essa política de no fim a gente cantar alguma coisa juntos. Como Rogério Diniz é o artista da terra, ele vai fazer nossa recepção, e o encerramento depois com a gente. Vai ser bom, porque vai ser de improviso, do jeito que a gente gosta”, disse o músico.

Sobre o Studio Tear, Antônio Marinho acredita que este projeto está em consonância com as novas formas de consumo, os novos espaços alternativos. “Os grandes festivais são importantes, e têm que acontecer, mas esses pequenos espaços são o que fazem o dia a dia. No Recife a gente tem exemplos como O Mundo Lá de Casa, o Terra Café e o Pequeno Latifúndio, que reúnem, de forma intimista, no máximo cinquenta pessoas pra assistir algo”, exemplifica.

“E não é naquela narrativa que um canta e outro ouve. Às vezes aparece um poeta, um pandeiro, e cria uma aproximação que já devia ser natural entre artista e plateia. Mas o grande palco afasta um pouco, e nem é por maldade, é mais pelo formato mesmo, que distancia”, reflete o cantor.

Segundo Antônio, Miguel Marinho, seu irmão, participou da edição do Studio Tear que aconteceu durante o FIG e fez vários elogios à iniciativa. “Ele disse que a energia é muito pra cima. E que as pessoas vão de fato pra assistir àquilo. Não é um movimento de bar, e sim de apreciação. De repente alguém pode querer saber como foi feita determinada música do Em Canto e Poesia e vai poder perguntar isso lá na hora. E a gente está disposto a fazer disso um negócio bem bacana, até porque já temos a pegada de realizar oficinas, de fazer essa troca”, pontua.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Além de recitar poesias no meio das apresentações musicais, Isabelly Moreira vai lançar em Garanhuns seu novo livro, intitulado ‘Canta Dor’

De acordo com Stephany Metódio, “para deixar a programação igualitária, a gente tem também a presença da Isabelly Moreira, pra não termos só homens na programação. Achamos pertinente na curadoria darmos espaço para as artistas mulheres, pra que assim possamos pensar mais e diferente sobre nosso espaço na arte”.

Isabelly Moreira é uma das mais conhecidas poetisas da região do Pajeú. Além do grupo As Severinas, no qual é cantora e toca pandeiro, Isabelly é declamadora, poeta, cantadora e vai lançar, durante o Studio Tear, seu livro Canta Dorque também foi lançado durante uma edição do projeto Outras Palavras, realizada em março deste ano, em São José do Belmonte – além de realizar algumas intervenções poéticas ao longo das apresentações musicais.

“No próximo sábado (18) vamos lançar a nova edição, que vai acontecer na segunda quinzena de setembro e desta vez teremos uma programação só com mulheres”, revela Stephany.

Para a produtora, essa iniciativa é um laboratório para quem está realizando, pros artistas que interagem e para o público que participa. “Nós sempre colocamos um artista de Garanhuns pra receber quem vem do outros estados justamente pra criar essa experiência de intercâmbio. Não é apenas um show, é uma conversa musicada, como eu costumo dizer, que une a música com a poesia, com os artistas e o público, num formato direto, horizontal”.  

Serviço
Studio Tear, com Rogério Diniz, Em Canto e Poesia e Isabelly Moreira
Sábado (18) | 21h abertura do espaço | 22h início das apresentações
Aldeia Tear (Rua Antônio Penante, 480, Garanhuns)
R$ 12 (pelo Sympla)
Mais informações: (87) 98148.0808

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