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Serviço Cultural

Seminário destaca o papel da culinária na formação de um povo

“Comida patrimonial de matriz africana – O caso do Xangô pernambucano” acontece nesta segunda-feira (4), a partir das 8h, no Museu da Cidade do Recife, contando com debates sobre a comida como elemento de formação de uma identidade nacional.

Luiz Santos

Luiz Santos

O seminário irá focar na culinária praticada nos terreiros de Pernambuco.

Por Camila Estephania

Para além de suprir uma necessidade fisiológica humana, a alimentação é também uma das expressões mais marcantes da cultura de um povo. Pratos como a feijoada, vatapá e as receitas de quiabo como parte do cotidiano brasileiro são evidências inegáveis da importância da cultura africana na formação da nossa nação. Por isso, o seminário “Comida patrimonial de matriz africana – O caso do Xangô pernambucano” acontece nesta segunda-feira (4), no Museu da Cidade do Recife (Forte das Cinco Pontas), para discutir o papel da comida na preservação de um patrimônio e na construção da identidade de um povo.

Baseado principalmente na culinária praticada nos terreiros de Pernambuco, o evento irá frisar as especificidades gastronômicas do candomblé local, ou Xangô, como é chamado no Estado. “Pernambuco tem se destacado na valorização das cozinhas africanas pela variedade de manifestações tradicionais de cardápios, de receitas e de ingredientes. Existe um acervo culinário expressivo aqui. Há muitas receitas que passaram a ser nacionais, mas aqui também temos o beguiri, que parece um caruru com quiabo, uma bebida de frutas chamada xequetê, entre outras particularidades”, observa o antropólogo Raul Lody que coordena o seminário.

Chefs, historiadores, líderes religiosos e diversos segmentos da militância religiosa se reunirão na ocasião para participar de cinco atividades. O evento começa às 8h com a conferência “Comida, História e Sociedade: Matrizes Africanas e Sistemas Alimentares” – ministrada pelo pelo professor Elmo Alves Silva, que atua na UNIFACS Laurante e é Babalorixá do Ilê Asé Tolorí Jàgún Ejí Egbé – e segue com quatro mesas temáticas.

São elas: “Comida, Identidade e Direitos Culturais nas Tradições De Matriz Africana”, às 10h; “Acervos Culinários: Um Olhar Da Gastronomia sobre as Comidas de Terreiro”, às 11h; “Panela De Iemanjá: Festa, Tradição e Comida”, às 14h30; e “Axé: Os Rituais De Alimentação”, às 16h. Entre os participantes estão o chef de cozinha Claudemir Barros e Paulo de Oxum, Ilê Asé Oyá Megué, do Nação Xambá. O encerramento fica por conta do coral do Sítio de Pai Adão.

A comida, independente de procedência étnica, é um dos maiores interesses do século 21, basta ver a quantidade de programas e livros sobre o assunto. Entendemos que o ato da alimentação é um ato biológico, mas também cultural e consideramos tudo isso para abrir um grande painel que trabalhe a visão ideológica e política. É um seminário fundando nessas questões contemporâneas”, explica Raul sobre o sentido global do projeto, ao qual pretende dar continuidade com outras edições que possam reforçar o entendimento da comida como uma forma de conquista da cidadania.

O Brasil é o país que tem maior afrodescendentes no mundo fora do continente africano. As questões das comidas não estão restritas aos terreiros, pois muitas das comidas estão nos nossos hábitos alimentares cotidianos e de festas. Esse seminário tem o desejo de mostrar a importância da comida não para comer, mas para construir a ideia de povo. O recorte para as questões religiosas é porque ela são as grandes guardiãs e mantenedoras desse patrimônio para preservar receitas e a estética da comida”, conclui o antropólogo.

SERVIÇO
Seminário Comida Patrimonial de Matriz Africana
Quando: Dia 4 de setembro, das 8h às 18h
Onde: Museu da Cidade do Recife (Forte das Cinco Pontas)
Inscrições gratuitas pelo e-mail: aurora21.projetos@gmail.com

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