Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter
Cultura.PE

Cia. Balançarte levou terreiro de cavalo-marinho pro palco

Por Maria Peixoto
(em Salgueiro)

Ao contrário do que previam os jovens Isaac (15) e Isabella (15), o público ontem (30/5) lotou o Teatro Professora Alaíde Conserva, em Salgueiro. Os jovens atores da cidade me contavam das dificuldades que geralmente encontram para atrair público aos espetáculos de arte: “A gente sofre muita concorrência com as festas. Já teve vez de a gente apresentar só pra três pessoas”, disse Isabella. “O povo num gosta muito de arte, a gente num pode forçar”, emendou Isaac. Porém, na noite de ontem, a plateia ocupou todos os 120 lugares do teatro e ainda aplaudiu de pé os jovens dançarinos da Cia. Balançarte, de Petrolina.

Cia. Balançarte lotou teatro em Salgueiro (Foto: Rubem Lima)

Cia. Balançarte lotou teatro em Salgueiro (Foto: Rubem Lima)

O espetáculo “Do terrêro de Salu” mistura dança popular e contemporânea aos ritmos que estão no sangue de Maciel Salustiano (coco, ciranda, cavalo-marinho…). Ele traduz exatamente aquilo que o filho de Mestre Salu fez com a música popular, segundo me contou Marcos Aurélio Soares, diretor do espetáculo: “trazer inovação e elementos contemporâneos para o tradicional”.

Foi uma apresentação de encher os olhos, da beleza dos figurinos e da performance dos atores, capazes de nos transportar direto para um terreiro de cavalo-marinho, reproduzindo toda a energia e a brincadeira que a gente encontra lá.

A apresentação foi de encher os olhos… (Foto: Rubem Lima)

A apresentação foi de encher os olhos… (Foto: Rubem Lima)

As caretas, as brincadeiras e as cambalhotas também cederam lugar à melancolia de falar da seca: “Seca castiga, racha a terra do Sertão. Chora o vaqueiro e o patrão…”, entoava a música de Maciel Salu, enquanto um carro de boi trazia os atores pra cena. Eles reproduziam um pouco do drama sertanejo, com chocalhos amarrados nas pernas.

Mas foi com alegria que o espetáculo terminou, depois de passar pela Zona da Mata e Sertão, e dançar coco, ciranda, xaxado, maracatu e cavalo-marinho.

 

 

< voltar para home