Museu de Arte contemporânea de Pernambuco

Acervo: 1.170 desenhos e gravuras
Projeto em realização "Adequação Climática da Reserva Técnica e Recondicionamento
das Obras com Suporte de Papel.
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Patrocínio Fundação VITAE
Objetivo Conservação e Acondicionamento adequado das obras em Papel
da Coleção Abelardo Rodrigues.
Horário 07 às 18:00hs.
Fechado às terça-feiras
Tel.: 0xx81 4292587
Rua Treze de Maio, s/nº Olinda/PE



Histórico

O Prédio - Ulisses Pernambucano de Mello, neto

O visitante que chega à Olinda não pode deixar de conhecer o Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, que está localizado na Rua 13 de Maio, na parte alta da cidade.

O edifício onde funciona o Museu foi projetado para abrigar o Aljube da Diocese. Palavra de origem árabe, significando cárcere, masmorra, tem aqui significação restrita de "cárcere de foro eclesiástico", utilizado para o recolhimento de homens e mulheres acusados de delitos contra a religião Católica Romana, sob jurisdição eclesiástica.

Edificação de caráter religioso, obedece porém aos padrões ou modelos da arquitetura oficial no Brasil, provenientes do Reino de Portugal. São exemplos dessa arquitetura, as fontes públicas, os aquedutos e as Casas de Câmara e Cadeia.

Sua construção foi projetada em 1722 pelos engenheiros João de Macedo Corte Real e Diogo da Silveira Velozo, que então serviam em Pernambuco naquela função.

A fachada principal do imóvel está voltada para a rua 13 de Maio, na qual, ao meio das quatro janelas do primeiro andar está o brazão de armas do Bispo de Pernambuco Dom Francisco Xavier Aranha, que o mandou erigir com inscrição alusiva ao ano de 1765.

Todo o pavimento térreo era destinado a prisão de "pretos, mulatos e feiticeiros". A este tipo de aposento, característico das cadeias até o último quartel do século XIX, chamava-se enxovia. Sem portas de comunicação direta com o exterior, o acesso era feito por um alçapão que do segundo pavimento permitia a descida por uma escada de mão, de madeira; assim eram também as enxovias nas Casas de Câmara e Cadeia no Brasil colonial.

Ao lado da fachada principal, larga e nobre escada externa de pedra leva o visitante, num só lance retilíneo, ao patamar de chegada ao nível do segundo pavimento. Os degraus e o corrimão desta escada, bem como a maior parte das pedras de cantaria do Aljube são provenientes dos arrecifes do litoral de Pernambuco.

Neste segundo pavimento existem três salas: duas destinadas a prisão e uma sala livre que servia de recepção e corpo da guarda. Da sala livre passa-se, por comunicação interna, à sala destinada ao recolhimento dos homens de distinção social, os "homens limpos" e ao clero. Por outra porta chega-se a uma sala de menor tamanho que a precedente, a "sala fechada" que servia de casa de prisão para as mulheres. Cobre o edifício, telhado em quatro águas com beiral apoiado em cornija.

O aljube mostra ter sofrido, ao longo dos anos, algumas modificações após a elaboração do projeto original de 1722. No térreo, a ampla enxovia, de vão único, foi dividida em três espaços, sendo dois para prisão e um dedicado a receber o corpo da guarda, atualmente com acesso direto para o exterior. No segundo pavimento foram alterados apenas os usos dos espaços: a sala "fechada" para mulheres foi transferida da parte posterior do edifício para o lado da rua principal e a sala livre que olhava para a rua 13 de Maio passou para a parte posterior do mesmo pavimento, voltada para oeste. A razão para a modificação havida no térreo parece ter sido a instalação e funcionamento no local, após 1874, da Cadeia Pública de Olinda. O remanejamento do uso das salas no andar superior deve-se à construção, em 1766, da capela ou oratório fronteiro, o que permitia aos presos assistir aos ofícios religiosos. Esta capela - não é correta a expressão passo ou nicho - tem a invocação de São Pedro Advíncula, segundo o historiador pernambucano Pereira da Costa.

O conjunto Aljube e Capela, foi restaurado e tombado no ano de 1966 pelo IPHAN Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.