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PATRIMÔNIO CULTURAL

Inventários e registros

INVENTÁRIO
Inventariar, como lembra a definição do dicionário, significa encontrar, tornar conhecido, identificar e descrever de forma acurada cada bem considerado, de modo a permitir a sua adequada classificação. No caso do patrimônio imaterial, o inventário é um importante instrumento para documentar e produzir conhecimento sobre os domínios da vida social aos quais são atribuídos sentidos e valores que constituam marcos e referências de identidade para determinado grupo social. Por outro lado, além da descrição detalhada dos principais elementos culturalmente relevantes, o inventário procura diagnosticar entraves e dificuldades que afligem os bens de natureza imaterial com o intuito de promover projetos e ações de fomento capazes de garantir as condições sociais, econômicas e ambientais necessárias para a sua reprodução e continuidade. Constitui hoje uma das principais ferramentas para a identificação e documentação de bens culturais sob a perspectiva da atual política de valorização do patrimônio imaterial, originada pelo decreto nº 3551 de 4 de agosto de 2000.

Bens inventariados:

- Caboclinhos (encontra-se em processo de registro para obter o título de Patrimônio Imaterial do Brasil)

Com ocorrência predominante na Região Metropolitana do Recife e na Zona da Mata Norte de Pernambuco, o Caboclinho é uma manifestação originária na hibridação das culturas indígenas. Nos desfiles destacam-se personagens como: cacique, pajé, perós, caboclos e caboclas. Na indumentária prevalece o uso de penas, presentes nos saiotes, cocares, diademas e atacas de pé e mão. O corpo musical, chamado de baque, é formado por caracaxás, gaitas, surdo e atabaques.

- Maracatu de Baque Solto (encontra-se em processo de registro para obter o título de Patrimônio Imaterial do Brasil)

O Maracatu de Baque Solto (ou Maracatu Rural) tem ocorrência predominante na Zona da Mata Norte de Pernambuco. O corpo musical, conhecido como terno, possui instrumentos como trompetes, trombones, tarol, cuíca (porca), gonguê e bombo. Entre as figuras de destaque do folguedo estão o Mateus, a Catirina, Caboclo Arreimá e o Caboclo de Lança, que com a sua guiada (lança enfeitada com fitas) executa manobras vigorosas protegendo os integrantes do cortejo.

- Maracatu Nação (encontra-se em processo de registro para obter o título de Patrimônio Imaterial do Brasil)
O Maracatu Nação (ou Maracatu de Baque Virado) é uma forma de expressão que tem forte ligação com as religiões afro-brasileiras, especialmente o Candomblé e a Jurema. Os personagens que integram essa manifestação formam uma verdadeira corte real com rei e rainha, duques e duquesas, baianas e dama-de-paço (responsável por conduzir a calungas no desfile). O instrumental é totalmente formado por instrumentos percussivos, destacando-se as alfaias, caixas, gonguês e abês.

- Cavalo-Marinho (encontra-se em processo de registro para obter o título de Patrimônio Imaterial do Brasil)
Folguedo predominante na Zona da Mata Norte pernambucana, o Cavalo-Marinho consiste na mistura de teatro, dança, poesia e música. Possui mais de 70 personagens que variam entre figuras humanas, fantásticas e bichos, com destaque para o Capitão, Mateus, Bastião, o Boi e o Caboclo de Arubá. A orquestra fica por conta do “banco”, formado por rabeca, pandeiro, ganzá e reco-reco.

REGISTRO DO PATRIMÔNIO IMATERIAL
O registro – instituído pelo Decreto 3.551 de 04 de agosto de 2000 – é, antes de tudo, uma forma de reconhecimento e busca a valorização de saberes, celebrações, rituais, formas de expressão e os espaços onde essas práticas se desenvolvem, não devendo, portanto, ser visto como um instrumento de tutela e acautelamento análogo ao tombamento. Corresponde, muito mais, a um processo de identificação, produção de conhecimento sobre o bem cultural e apoio à dinâmica dessas práticas socioculturais, favorecendo “um amplo processo de conhecimento, comunicação, expressão de aspirações e reivindicações entre diversos grupos sociais” (IPHAN, 2006).

O registro caracteriza-se como um instrumento legal que representa uma forma de valorização de referências culturais de natureza imaterial e um compromisso do Estado no sentido de documentar, produzir conhecimento e apoiar sua continuidade. Nele, os bens imateriais não são só reconhecidos como referências culturais de natureza imaterial e um compromisso do Estado no sentido de documentar, produzir conhecimento e apoiar sua continuidade. Nele, os bens imateriais não são só reconhecidos como referências emblemáticas da cultura nacional. Eles também se tornam passíveis de receber, por parte do Estado, apoio e fomento em políticas específicas de salvaguarda. Além disso, o registro garante a difusão de informações sobre o patrimônio cultural brasileiro, contribuindo para um melhor conhecimento da sociedade sobre si mesma.

Bens Registrados:

- Feira de Caruaru (Patrimônio Imaterial do Brasil)
Registrada como Patrimônio Imaterial do Brasil em 2006, a Feira de Caruaru é reconhecida como um lugar de continuidade de saberes e fazeres de uma rica variedade de produtos e expressões artísticas tradicionais do Agreste pernambucano. Na feira, é possível encontrar peças de barro, brinquedos de madeira, literatura de cordel, roupas, comidas e artigos em couro.

- Frevo  (Patrimônio Imaterial do Brasil e Patrimônio Imaterial da Humanidade)
Surgido no final do século XIX, o Frevo é uma forma de expressão cultural nascida na cidade do Recife. No âmbito da musicalidade possui três vertentes, conhecidas como: frevo-de-rua, frevo-canção e frevo-de-bloco. De modo simultâneo ao surgimento da música, nasce o Passo, dança frenética e vigorosa que encanta pelo jogo preciso de braços e pernas dos passistas. Em 2007, o Frevo foi reconhecido como Patrimônio Imaterial do Brasil e em 2012, recebeu o título de Patrimônio Imaterial da Humanidade.