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TORRE MALAKOFF

A Torre Malakoff
foi construída na época da heróica defesa de Sebastopol, durante
a guerra da Criméia (1853-1855). De um lado da trincheira, os russos,
e do outro, o exército aliado, formado por ingleses, franceses,
turcos e italianos da região de Piemonte. A guerra da Criméia, penísula
ao sul da Ucrânia, foi um confronto fundamentalmente naval, travado
no mar Negro e que teve como episódio mais sangrento e marcante
o cerco à cidade portuária de Sebastopol. O destaque que ganhou
os jornais de toda a Europa foi o foco de resistência em defesa
da colina e da torre fortificada de Malakoff. A despeito da derrota
russa a resistência em Malakoff é lembrada como um dos mais importantes
momentos da História Militar.
A partir de
informações de jornais europeus, o Diário de Pernambuco passou a
noticiar o desenrolar da guerra da Criméia . E as imagens das batalhas
no interior das trincheiras de Malakoff, que despertou grande interesse
no Recife, chegavam através dos cosmoramas do Diário e das exposições
do fotógrafo Fredk Lembeke. A popularização de nomes relacionados
à guerra, tornou-se comum em Pernambuco. Engenhos de açúcar foram
batizados com denominações como Malakoff, Sebastopol (Cabo) e Criméia
( Escada e Nazaré). Produtos de consumo como seda, bolacha e até
marchinha de carnaval também ganharam popularidade e glamour com
os nomes da guerra.
Na
origem da Torre Malakoff está o Decreto Providencial de 01 de janeiro
de 1834, que criou o Arsenal da Marinha, cujo Projeto Arquitetônico
foi elaborado em 1837. Embora não tivesse ainda sede própria, o
Arsenal já possuía, em 1846, oficinas de carpintaria, calafates,
ferreiros, tanoeiros, pedreiros e muitas outras necessárias ao reparo
das embarcações de guerra e paquetes nacionais. Em 1850, os planos
de implantação dos Arsenais da Marinha, Brasil afora, são objeto
de um Plano Geral para uniformização das construções desses edifícios.
Mas é só em 1853, que as obras de construção do chamado Portão Monumental
do arsenal de Marinha, na zona do Porto do Recife e, portanto, no
bojo desse plano de melhoramentos, ganham mais regularidade. O andamento
das obras acompanha o ritmo das demolições de importantes edificações
existentes nas proximidades, como é o caso do Forte do Bom Jesus,
cujo material construtivo foi aproveitado no edifício da Torre.
A referência
mais antiga , em letra de forma, ao edifício do Arsenal da Marinha(concluído
em 1855), foi encontrada pelo historiador José Antônio Gonsalves
de Mello, no Diário de Pernambuco de 04/12/1857 que descreve: "Por
diversas vezes temos falado nesse edifício, o mais importante da
Província, quanto ao seu material e ao estado de melhora progressiva
que se lhe nota,(...) No pavimento abaixo da cúpula vê-se colocado
um grande relógio de mostrador transparente, para serem as horas
visíveis à noite, pondo-se-lhe luz por detrás, fabricado em Inglaterra
por um dos melhores autores. Na cúpula se porá um observatório,
podendo-se aí estabelecer também um telégrafo, para indicar aos
navios o meio-dia pela pêndula horária". Colaborador do Diário nesse
tempo, Antônio Pedro de Figueiredo fez minuciosa descrição do Arsenal
e do Torreão, do qual se salienta o "colossal portão de ferro" e
a cúpula de metal que cobria o edifício, provida de um maquinismo
que a movia, tendo ainda uma luneta para proporcionar a observação
dos astros.
Apesar
da beleza e imponência da Torre , esta era, tão somente o acesso
ou portão de entrada para o Arsenal de Marinha , construída num
amplo terreno a beira mar, com quase 800 metros de cais, onde funcionavam
a administração , depósitos e galpões para recolher, consertar e
construir embarcações. A origem do nome Malakoff, por algum tempo
foi atribuída ao nome do relojoeiro ou a marca do relógio existente
na Torre, hipótese não comprovada pelos pesquisadores. Segundo Veloso
Costa, o batismo do Torreão do Arsenal, no Recife, foi dado pela
população, identificada com a resistência da Malakoff de além mar.
Na década de
20 a Torre do Arsenal foi condenada a demolição para ampliação do
Porto do Recife, o que motivou um vitorioso movimento em sua defesa.
Formado por importantes setores da intelectualidade e instituições
culturais pernambucanas , o movimento contou com amplo engajamento
da sociedade e utilizou-se do nome Malakoff- símbolo de resistência
e capacidade de luta - para sensibilizar as autoridades durante
o processo de defesa do edifício. Com o advento da República são
extintos os Arsenais de Marinha do Pará, da Bahia e de Pernambuco.
Com a extinção dessas unidades e a centralização das atribuições
no Rio de Janeiro, o imóvel passa a servir à Capitania dos Portos
de Pernambuco. Anos mais tarde, com a transferência da Capitania
para outro local, a Torre Malakoff cai no abandono , até ser resgatada
para funcionar como um centro de referência da cultura em Pernambuco.

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