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O CABO DE
SANTO AGOSTINHO

A
descoberta do Cabo de Santo Agostinho é atribuída a navegadores
espanhóis - Vicente Pinzón, teria chegado ao local, em janeiro de
1500 - Essa descoberta, porém, é contestada com argumentos técnicos
por historiadores portugueses. O município do Cabo de Santo Agostinho
trabalha no sentido de comprovar essa hipótese, invocando para seu
território a condição de ter sido o local do descobrimento do Brasil.
O fato é que
o Cabo tornou-se, logo após o descobrimento, um dos lugares mais
conhecidos dos pilotos que buscavam o caminho das Índias Orientais
e do Brasil. Esse acidente geográfico tornou-se a mais importante
referência para os navegadores do século XVI, em suas rotas no Atlântico
Sul. As coordenadas que indicavam a sua localização tanto em mapas
como em roteiro de viagens, foram muito precisas desde as primeiras
vezes que foi mencionado, nos primeiros anos do século XVI.
Tão importante
para quem o vê do mar desde os primórdios da colonização, o Cabo
de Santo Agostinho começou a ser ocupado ainda na primeira metade
do século XVI, durante a gestão de Duarte Coelho, na Capitania,
com engenhos de cana de açúcar nas suas proximidades. A Igreja de
Nazaré, localizada na cota mais elevada do promontório, já existia
em 1597 e consta de roteiro de navegação escrito por navegador português
no ano referido. No século XVII, essa ocupação foi consolidada com
a construção das fortificações para defesa do porto de SUAPE, imediatamente
a sul do cabo, a ampliação da Igreja de Nazaré e o desenvolvimento
da Vila.
Sítio da resistência
luso-brasileira da capitania durante a ocupação holandesa, o Cabo
de Santo Agostinho conservou-se como paisagem rural após a retirada
dos flamengos, chegando aos nossos dias guardando grande parte dos
assentamentos remanescentes dos séculos XVI e XVII.
A
Vila de Nazaré, no alto do Cabo, mantém ainda seu traçado primitivo.
Um grande largo nos conduz à Igreja de Nazaré, que conserva as características
da época da sua ampliação no século XVII. Acredita-se que a Capela
Mor corresponda ao corpo da primitiva ermida de finais do século
XVI. Ao lado da Igreja, conservam-se as ruínas do antigo Convento
Carmelita, consolidadas por excelente trabalho do IPHAN.
Na encosta sul, próximo ao mar, encontra-se o forte Castelo do Mar,
de grande beleza. Por detrás deste, numa cota mais elevada, as ruínas
do seu quartel, de onde se descortina uma excepcional vista do mar.
Mais ao norte, próximo a Gaibú, as ruínas do forte de São Francisco
Xavier. E são várias as antigas baterias militares que hoje se confundem
com as pedras do lugar.
Destacando-se
na paisagem, observa-se ainda a ruína de uma construção em dois
pavimentos: a antiga casa do faroleiro, em cuja proximidade estava
localizado o antigo farol, do qual existem vestígios do assentamento
da base.
O
Cabo de Santo Agostinho detém um notável acervo de monumentos de
grande valor histórico, além de possuir atrativos naturais bastante
interessantes, entre eles: mirantes, bicas, praias, como a de Calhetas,
considerada das mais belas do Brasil, sua cobertura vegetal e o
próprio processo erosivo, característico da área.
Em 1979, com
a polêmica causada pela implantação do Complexo Portuário de SUAPE,
foi desapropriada uma área de 270 hectares para implantação do Parque
Metropolitano de Santo Agostinho, depois Armando de Holanda Cavalcanti
e que corresponde basicamente, a toda área do Cabo. Em 16.11.93,
foi homologado o Tombamento Estadual do Sítio Histórico do Cabo
de Santo Agostinho, estendido até a baía de Suape.
Apesar de comprometidos
com a construção do porto e mais recentemente do Hotel, em conjunto,
o Cabo e a Baía ainda constituem a mais bela paisagem da área costeira
do Estado.

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